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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Tradings de commodities ficam mais poderosas



Tradings de commodities ficam mais poderosas


Um punhado de operadoras gigantescas de commodities, como a holandesa Trafigura Beheer B.V. e a Vitol Group, está cada vez mais assumindo um papel central nos mercados de matérias-primas.


Essas empresas, que costumavam ser menos visíveis, já não estão apenas apostando em preços ou administrando o embarques de produtos. Elas estão concorrendo com empresas de petróleo, mineradoras e grandes bancos de Wall Street ao investir bilhões de dólares em refinarias, usinas de energia, portos e outros ativos.


As quatro maiores tradings, como são conhecidas - Vitol, Glencore PLC, Cargill Inc. e Trafigura - registram, cada uma, um faturamento anual de mais de US$ 100 bilhões, o que as coloca no grupo de pesos pesados como Apple Inc. e Chevron Corp.


Uma análise de dados de empresas feita pelo The Wall Street Journal revela que a receita combinada dessas quatro tradings quase dobrou nos últimos cinco anos, para US$ 816,4 bilhões. No mesmo período, o faturamento das operações de commodities de quatro grandes bancos que atuam no setor caiu 56%, para US$ 3,8 bilhões, uma queda provocada por uma redução das negociações e pelo recuo dos bancos em alguns setores, em resposta à regulamentação mais severa.


"As tradings de commodities ficaram mais visíveis e difíceis de ignorar", diz Craig Pirrong, professor de finanças da Universidade de Houston.


Apenas neste ano, a Cargill, uma empresa de agronegócio fundada em 1865, fechou um acordo com a brasileira Copersucar SA para criar a maior empresa de comércio de açúcar do mundo. A Mercuria Energy Group Ltd, uma operadora focada em energia que até dez anos atrás não existia, concordou em comprar a divisão de commodities físicas do J.P. Morgan Chase & Co. por US$ 3,5 bilhões.


A empresa de agronegócios Archer Daniels Midland Co. processa milho suficiente para produzir diariamente 99 milhões de caixas de cereais. A gigante da mineração Glencore usou a sua influência para conseguir um empréstimo de US$ 1,3 bilhão para a República do Chade, para ajudar o governo do país africano a comprar os ativos de petróleo da Chevron.


Os investidores estão observando. Em sua primeira divulgação pública de resultados, a Trafigura registrou, no ano passado, lucro anual recorde de US$ 2,18 bilhões e delineou um plano de crescimento destinado a se beneficiar do boom do petróleo americano. A VTTI Energy Partners LP, uma afiliada da Vitol dedicada ao armazenamento de petróleo, apresentou, no mês passado, documentação para uma abertura de capital na Bolsa de Nova York, com a meta de captar US$ 420 milhões.


Através de uma série de aquisições e investimentos, as tradings conquistaram posições de comando nos mercados de matérias-primas essenciais, indo do açúcar ao cobre e petróleo.


"Eles estão sempre dispostos a fazer negócio a um certo preço", diz Dario Scaffardi, vice-presidente executivo e gerente geral da refinaria italiana Saras SpA.


Depois que o desastre de Fukushima fechou usinas nucleares no Japão, em 2011, os preços do gás natural subiram à medida que a demanda pelo combustível explodia. A trading de energia Gunvor Group, com sede em Genebra, enviou 23 carregamentos de gás natural liquefeito para o Japão, mais de cinco vezes o enviado em 2010.


No ano passado, a Glencore e a Vitol emprestaram US$ 10 bilhões para a estatal russa de petróleo OAO Rosneft, em troca de cinco anos de entregas de petróleo.


A ascensão das grandes negociadoras de commodities também vem chamando a atenção dos reguladores de mercado. O órgão regulador britânico que monitora condutas no mercado financeiro - FCA, de Financial Conduct Authority - afirmou, em fevereiro, que as tradings de commodities representam um "conhecido desconhecido", operando amplamente fora do escopo dos reguladores.


A FCA está procurando manter um diálogo mais próximo com as tradings.


"Essas empresas estão desempenhando um papel cada vez mais crítico no funcionamento de mercados globais cada vez mais complexos", informou um relatório de fevereiro da FCA.


Ao mesmo tempo, as empresas devem enfrentar uma intensa competição e margens de lucros bem pequenas em todo o setor. A trading agrícola Louis Dreyfus Commodities BV fechou o ano passado com uma queda de 27% no lucro, para US$ 640 milhões, depois que sua divisão de trigo foi atingida por uma seca severa. O diretor-presidente da Vitol, Ian Taylor, descreveu as condições do mercado em 2013 como "muito desafiadoras" e "extremamente competitivas".


Alguns veem o crescimento do alcance das negociadoras de commodities como um problema. No ano passado, a Austrália bloqueou uma oferta de US$ 3 bilhões feita pela ADM para comprar a processadora de grãos GrainCorp Ltd., afirmando que o negócio iria afetar interesses nacionais. Reguladores americanos estão investigando gargalos em armazéns de alumínio de propriedade da Glencore e Trafigura, entre outros. A Louis Dreyfus, uma das maiores comerciantes de algodão do mundo, está sendo processada nos EUA sob a acusação de manipular o mercado em 2011.


Críticos também notam que a Glencore foi fundada pelo bilionário comerciante de petróleo Marc Rich, um fugitivo procurado durante anos pelos EUA por sonegação de impostos. Gennady Timchenko, um dos fundadores da Gunvor, entrou para uma lista de indivíduos punidos pelo Tesouro dos EUA em março; a empresa prontamente anunciou que ele vendeu suas ações para o diretor-presidente Torbjorn Tornqvist.


"Elas são negociadoras, elas são produtoras, elas são distribuidoras", diz Diego Valiente, chefe de pesquisa de mercado de capitais do Centro para Estudos de Política Europeia. "A questão é: isso cria um conflito?"


Mesmo assim, muitos dizem que não é difícil ver oportunidades de crescimento. Em todo o Quênia, o conhecido logotipo vermelho e amarelo da Royal Dutch Shell é visto em 123 postos, uma fonte confiável de combustível para a crescente população de classe média proprietária de carros do país.


Mas apesar do logotipo ter sido mantido, a Shell vendeu sua participação no negócio para uma joint venture na qual a Vitol, uma negociadora de energia mais conhecida por acordos de bastidores em regiões isoladas e afetadas por guerras, tem uma fatia de 40%. Um consumidor afirmou que ele nunca saberia quem estava operando os postos se o repórter não tivesse contado a ele.


"Eu geralmente vou direto a um posto Shell", diz Jeremy Wyatt, um gerente de desenvolvimento de negócios sustentáveis de Nairobi. "A equipe não mudou, o serviço não mudou."


(Fonte: Valor Econômico\Tatyana Shumsky e Sarah Kent | The Wall Street Journal\Colaborou Christian Berthelsen)


http://www.portosenavios.com.br/geral/25096-tradings-de-commodities-ficam-mais-poderosas

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Saldo das trading companies cresce 7,9%

Saldo das trading companies cresce 7,9%


Brasília  – As exportações brasileiras realizadas via trading companies somaram US$ 7,382 bilhões e as importações do segmento foram de US$ 1,371 bilhão no primeiro quadrimestre de 2013. Com isso, a corrente de comércio do setor totalizou US$ 8,754 bilhões e o saldo positivo no ano alcançou US$ 6,011 bilhões.
Em relação ao total vendido pelo Brasil ao exterior no período (US$ 71,468 bilhões), as exportações das empresas trading companies representaram 10,3% nos quatro meses do ano. Já em relação ao total importado pelo país até abril (US$ 77,619 bilhões), a participação foi de 1,8%. 
No comparativo com o mesmo período de 2012 (US$ 7,350 bilhões), as vendas brasileiras dessa categoria de empresas teve aumento de 0,4% e as aquisições (US$ 1,780 bilhão) diminuíram 2,5%. O saldo entre janeiro e abril do ano passado foi de US$ 5,570 bilhões e, portanto, houve aumento de 7,9% em relação ao mesmo período deste ano, o que, porém, não ocorreu com a corrente de comércio (US$ 9,130 bilhões), que retrocedeu 4,1%.
Mercados
O principal mercado de destino das exportações brasileiras do segmento, no quadrimestre, foi a China, com vendas de US$ 2,848 bilhões, representando 38,6% do total exportado. Na sequência, apareceram: Japão (US$ 595,3 milhões, participação de 8,1%), Países Baixos (US$ 456,9 milhões, 6,2%), Coreia do Sul (US$ 394,8 milhões, 5,4%), e França (US$ 275,5 milhões, 3,7%).
No acumulado até abril, a China é também o principal mercado fornecedor das empresas trading companies brasileiras, com transações de US$ 309 milhões, valor equivalente a 22,5% das compras totais. Na segunda posição está a Argentina (US$ 233,2 milhões, participação de 17%), seguida por Estados Unidos (US$ 231,5 milhões, 16,9%), Reino Unido (US$ 119,6 milhões, 8,7%), México (US$ 97,8 milhões, 7,1%).
Produtos
As exportações de produtos básicos responderam por 85% do valor exportado neste ano pelas trading companies. Foram destaques: minério de ferro (US$ 4,340 bilhões, participação de 58,8% do total exportado), soja em grão (US$ 1,089 bilhão, 14,8%), milho em grão (US$ 432,7 milhões, 5,9%), farelo de soja (US$ 190,2 milhões, 2,6%), carne de frango (US$ 121,1 milhões, 1,6%).
As vendas brasileiras do segmento de produtos industrializados, no acumulado do ano, corresponderam a 15% (manufaturados representaram 9,6% da pauta e os semimanufaturados, 5,4%), sendo os principais produtos comercializados: açúcar em bruto (US$ 326,4 milhões, 4,4%), suco de laranja congelado (US$ 255,2 milhões, 3,5%), suco de laranja não congelado (US$ 67,8 milhões, 0,9%), café solúvel (US$ 65,5 milhões, 0,9%), e açúcar refinado (US$ 64,5 milhões, 0,9%).
Na pauta de importação das trading companies, os bens industrializados representaram 98,9% (94,8% de manufaturados e 4,1% de semimanufaturados) e os produtos básicos corresponderam 1,1%. Os bens mais adquiridos pelo setor foram: automóveis de passageiros (US$ 497,2 milhões, participação de 36,3% do total importado), aparelhos transmissores e receptores de telefonia celular (US$ 109,9 milhões, 8%), pneumáticos (US$ 63,3 milhões, 4,6%), máquinas e aparelhos de terraplanagem (US$ 63,2 milhões, 4,6%), e veículos de carga (US$ 41,8 milhões, 3,1%).
Trading companies
As vendas ao exterior por intermédio das empresas trading companies são classificadas como exportações indiretas e são equiparadas às exportações diretas no aspecto fiscal. Elas apresentam vantagens, principalmente, para o pequeno e médio produtor nacional que não dispõem de uma estrutura própria dedicada às operações de comércio exterior.
Assessoria de Comunicação Social do MDIC

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

TRADING



Cresce em 118% corrente de comércio das trading companies
Brasília – Nos últimos seis anos, no período de janeiro a setembro, as empresas comerciais exportadoras, conhecidas como trading companies, aumentaram suas vendas externas em 110,3% (de US$ 8,785 bilhões em 2006 para US$ 18,471 bilhões em 2012).
No mesmo intervalo, as exportações brasileiras globais aumentaram 78,9%, o que significa um aumento de participação das trading companies no total das vendas, de 8,7% para 10,2%, e revela sua importância como instrumento de negociações de produtos brasileiros no exterior.
Em relação às importações realizadas nos primeiros nove meses de 2006 e 2012, as compras externas das trading companies cresceram 168% (de US$ 1,364 bilhão para US$ 3,656 bilhões), o que elevou sua participação de 2% para 2,2% do total das compras externas brasileiras.
De janeiro a setembro de 2012, a balança comercial das trading companies teve superávit de US$ 14,815 bilhões. A corrente de comércio das empresas do setor cresceu de US$ 10,149 bilhões em 2006 para US$ 22,127 bilhões em 2012, o que representa aumento de 118%.
Exportações
Nos primeiros nove meses de 2012, as exportações das trading companies tiveram predominância de produtos básicos (85%), seguidos pelos manufaturados (10,4%) e semimanufaturados (4,6%). A pauta de básicos apresentou como itens principais: minério de ferro (US$ 10,126 bilhões, participação de 54,8% do total exportado); soja em grão (US$ 2,773 bilhões; 15%); carne de frango (US$ 1,059 bilhões; 5,7%); e milho em grão (US$ 614 milhões; 3,3%). Entre os produtos industrializados, destacaram-se as vendas de suco de laranja (US$ 526,8 milhões; 2,9%), e açúcar em bruto (US$ 492,6 milhões; 2,7%).
A participação das trading companies no total das vendas externas brasileiras foi expressiva nas vendas de suco de laranja congelado (50,9%), minério de ferro (44,2%), café solúvel (29,8%), milho em grão (25%), carne de frango (21,7%), e carne salgada (19,2%).
Os principais mercados de destino das exportações do segmento, no período em análise, foram China (US$ 6,467 bilhões, representando 35% do total); Japão (US$ 1,525 bilhões; 8,3%); Coreia do Sul (US$ 983,1 milhões; 5,3%); Países Baixos (US$ 977 milhões; 5,3%), e Itália (US$ 746,6 milhões; 4%)
Importações
As importações brasileiras via trading companies, de janeiro a setembro de 2012, foram compostas principalmente por bens industrializados (95,2%, sendo 90,6% de manufaturados e 4,6% de semimanufaturados).
Entre os produtos importados pelas empresas do segmento, no período, destacam-se: automóveis de passageiros (US$ 1,185 bilhões, participação de 32,4% do total importado); máquinas automáticas para processamento de dados (US$ 219 milhões; 6%); máquinas e aparelhos de terraplanagem (US$ 214,5 milhões; 5,9%); aparelhos transmissores e receptores de telefonia celular (US$ 129,7 milhões; 3,6%), e borracha natural (US$ 98,9 milhões, 2,7%)
A China foi o principal mercado fornecedor das trading companies nos primeiros nove meses de 2012, somando US$ 768,5 milhões, equivalente a 21% das compras totais, no ano. Na segunda posição está a Argentina (US$ 696,9 milhões; 19,1%), seguida por Estados Unidos (US$ 470,9 milhões; 12,9%), México (US$ 240,5 milhões; 6,6%) e Reino Unido (US$ 170,7 milhões; 4,7%)
Assessoria de Comunicação Social do MDIC