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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Acordo Transpacífico


EUA e o Pacífico selam o maior acordo de livre comércio da história


Pacto une 40% das economias e foi descrito como o "marco comercial do século XXI"

Os líderes da América do Norte impulsionam o Acordo Transpacífico


CRISTINA F. PEREDA Washington


Protestos no Canadá contra o TPP por impacto na indústria de leite. / C. W. (REUTERS)

Depois de cinco anos de negociações, os Estados Unidos e o Japão selaram nesta segunda-feira o Acordo de Associação Transpacífico(TPP, em sua sigla em inglês) com outros dez países. O pacto de livre comércio une 40% da economia mundial e pode se transformar no maior acordo regional da história.


O embaixador norte-americano para a Organização Mundial do Comércio (OMC), Michael Froman, defendeu nesta segunda-feira em Atlanta que a TPP eleva os padrões comerciais para a região e responde aos desafios do século XXI. “O pacto promoverá o crescimento, protegerá postos de trabalho, reforçará a inovação, reduzirá a pobreza e promoverá a transparência”, disse Froman. Junto a ele, o representante australiano Hamish McCormick definiu o acordo como o primeiro pacto “ambicioso e renovador”, com capacidade para condicionar qualquer negociação futura.O TPP, defendido pelo presidenteBarack Obama como “o marco comercial do século XXI”, teve de superar questões de última hora entre os EUA e a Austrália em função das novas regulações da indústria farmacêutica. Seu objetivo consiste na redução de tarifas comerciais e no estabelecimento de novas normas comuns entre as 12 economias envolvidas, lideradas por EUA e Japão.

O pacto abrange a criação de padrões comerciais, de investimento, intercâmbio de informações e de propriedade intelectual. Os demais países que negociam o acordo são Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã. As negociações entre todos eles, que tinham como data limite o dia 2 de outubro passado, foram afetadas nos últimos dias pelo desacordo em relação aos produtos farmacêuticos.

O TPP, proposto por Obama no início de seu primeiro mandato junto com outros quatro países, pode consolidar seu legado econômico na presidência. Os EUA conseguem com o acordo do Pacífico um novo marco que serve de contrapeso para a economia chinesa na região. Apesar de Pequim não estar envolvida nas negociações, realmente será afetada pelas consequências do pacto. Froman não quis se referir nesta segunda-feira às consequências da TPP para a economia chinesa. “Nossa mensagem é a de que todos os países estão muito felizes de ter chegado a um acordo que define as regras para a região com vistas ao futuro”, afirmou o representante norte-americano. “Estamos dispostos a compartilhar os resultados e favorecer a integração com outros países.”

As negociações entre os 12 países foram feitas em segredo e foram cercadas de protestos onde as discussões foram realizadas. Os detratores do pacto denunciam que as novas regras comerciais podem colocar em perigo os postos de trabalho de funcionários da indústria automobilística no México, por exemplo, ou os produtores de leite do Canadá, que agora devem concorrer com outras economias.

As nações ligadas ao TPP entraram em acordo quanto a novas regras para setores que vão desde a indústria farmacêutica até a automobilística. O pacto também contempla o estabelecimento de novas tarifas comerciais, a abertura de mercados para a exportação, a unificação de regras para a propriedade intelectual sobre os dados geridos pelas grandes corporações e os prazos de exclusividade no caso da fabricação de medicamentos.

Este último item marcou as negociações do fim de semana, quando já se tinha superado a data limite para selar o pacto. Os EUA queriam impor um limite de 12 anos de exclusividade no mercado de medicamentos antes de permitir que outras companhias empreguem as mesmas fórmulas para equiparar as regras da TPP à legislação norte-americana. No entanto, países como Austrália defendiam um período máximo entre cinco e oito anos, temendo que um atraso na inovação aumente os custos e impeça a criação de medicamentos genéricos.

O novo acordo de livre mercado para a região ainda deverá ser ratificado pelo Congresso dos EUA, imerso em uma situação de consequências imprevisíveis depois da demissão do líder da maioria e porta-voz da Câmara, o republicano John Boehner. O país está, além disso, em plena campanha eleitoral para as eleições presidenciais de 2016 e o TPP pode se tornar uma nova causa de atrito entre os candidatos.

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/05/economia/1444048323_601347.html

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Acordos de livre comércio




“Está chovendo sopa e estamos de garfo na mão”, diz especialista sobre Brasil e o livre comércio

São Paulo – Empresários brasileiros receberam nesta quarta-feira (1/7) a vice-ministra e secretária de Estado de Economia da Suíça, Marie-Gabrielle Ineichen-Fleisch, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O tema do encontro foi inovação e acordos de livre comércio.
Presente no debate, o especialista em Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Renato Baumann afirmou que apesar de recentes sinais de um esforço em se aproximar de mercados estrangeiros, o Brasil ainda amarga um “baixíssimo grau de integração produtiva com países vizinhos”.
“Temos pouquíssimos acordos comerciais, de preferências comerciais, e certamente não iremos participar dos mega acordos que estão sendo negociados hoje. Costumo usar a imagem de que está chovendo sopa e estamos de garfo na mão. Não estamos nos beneficiando em nada de um mundo que está mudando de forma muito rápida”, alertou Baumman ao esclarecer a situação brasileira referente a inovação e competitividade.
Segundo ele, a relação entre inovação e competitividade é clara. Mas quando se trata de acordos de livre comércio e inovação, essa ligação pode ser “menos imediata”.
“Em um ambiente de livre comércio não se observa necessariamente a transferência tecnológica. São decisões políticas maiores. Um livre comércio pode desestimular a inovação se as condições internas do país não estão dadas para estimular e viabilizar esse esforço”, explicou.
Encontro na Fiesp entre empresários brasileiros e a vice-ministra e secretária de Estado de Economia da Suíça, Marie-Gabrielle Ineichen-Fleis. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp
 Na avaliação de Baumann, o país precisa de uma condição básica para que os esforços de inovação alcancem resultados. Segundo ele, é preciso um Sistema Nacional de Inovação, “que é basicamente o indicador de um país desenvolvido ou subdesenvolvido. Se você tem o sistema, você é rico, se não tem, não, é tão simples quanto isso”.
O Sistema Nacional de Inovação consiste, segundo o especialista do Ipea, em instituições, legislação, estruturas de incentivo e financiamento.
Durante o debate, Marie Gabrielle destacou a importância da educação no processo de desenvolvimento de um país. No entanto, Baumann alertou que somente o investimento na formação da população não é suficiente para tornar um país inovador e competitivo.
“Se apenas educar, corre-se o risco de ter PhD dirigindo táxi. É preciso algo mais. É preciso pensar de uma forma abrangente, viabilizar um ambiente a favor do esforço de inovação. Se esses esforços forem em um ambiente de concorrência de produtos importados, tanto melhor”, defendeu.
Intenções da Suíça
Na Fiesp para estudar meios de chegar a um acordo de livre comércio entre Brasil e Suíça, Marie Gabrielle afirmou que o país é o mais importante na América Latina para os suíços.
“O Brasil não está apenas na lista dos nossos atletas, mas na lista dos nossos formuladores de política. Estou aqui porque quero encontrar empresários, quero falar com autoridades do governo e, claro, saber sobre o país e suas condições de negócios”, disse a ministra.
Ela listou algumas condições que acredita serem fundamentais para desenvolver a competitividade: educação, flexibilidade do mercado de trabalho, estabilidade e previsibilidade macroeconômica e um ambiente que encoraje o investimento.
Abertura da indústria
O encontro com a Suíça foi conduzido pelo diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto. Segundo ele, a indústria está aberta para acordos de livre de comércio.
Nos últimos anos, a Fiesp vem distribuindo a Proposta de Integração Externa da Indústria. Um documento de posição elaborado pelo Derex, em parceria com o Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da entidade, com o objetivo de sintetizar os assuntos de maior relevância para a integração econômica internacional do Brasil.
“A Fiesp, ao contrário do que afirmam sobre a indústria ser protecionista, colocou na mão do governo essa agenda. Neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, o governo se engajou bastante também nesse tema”, afirmou Zanotto.
Fonte: Fiesp
http://www.comexdobrasil.com/esta-chovendo-sopa-e-estamos-de-garfo-na-mao-diz-especialista-sobre-brasil-e-o-livre-comercio/