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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Guerra comercial EUA-China pode atingir Brasil, dizem especialistas


Guerra comercial EUA-China pode atingir Brasil, dizem especialistas


Por Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil São Paulo


A guerra comercial entre os Estados Unidos e China pode atingir o Brasil e prejudicar as próprias empresas norte-americanas, segundo avaliação dos especialistas que participaram hoje (25) de um fórum sobre o tema promovido pela Câmara Americana de Comércio.

“Nenhum país tem tantas empresas transnacionais quanto os Estados Unidos, então, isso vai machucar, no médio prazo, as estruturas de custos das empresas norte-americanas. Vai fazer com que os executivos americanos precisem de mais tempo para repensar espacialmente a sua organização, e isso, no limite, vai acabar machucando o balanço patrimonial e a performance das bolsas norte-americanas”, destacou o pesquisador especialista em Brics, da Universidade de Columbia, Marcos Troyjo.

Nas últimas semanas, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou uma série de sobretaxas a produtos chineses com o argumento de que a balança comercial entre os dois países é prejudicial aos Estados Unidos. Como retaliação, a China também aumentou os tributos para entrada de diversas mercadorias dos EUA.

Para Toyjo, em países como os Estados Unidos, com muitas empresas com filiais no exterior, a análise simples da balança comercial pode ser enganosa para tomar decisões como a que motivou a disputa comercial. “Porque os déficits comerciais podem ser mais do que compensados pela remessa de dividendos e pelo fluxo de investimento estrangeiro direto”, ponderou.

No entanto, o professor destacou que há uma tendência global de se incentivar determinados setores das economias nacionais com subsídios ou tarifas protecionistas. “É como se o mundo inteiro estivesse, hoje, crescentemente aplicando medidas de substituição de importações”, disse.

Por outro lado, disse o especialista, os danos que a disputa pode causar às próprias empresas norte-americanas e dependência mútua entre as grandes economias são indicativos que a atual guerra comercial pode ser um fenômeno passageiro. “Os Estados Unidos são principal destino do investimento direto chinês. O principal polo irradiador de investimentos diretos para a China são os Estados Unidos”, exemplificou.
Posição do Brasil

A professora de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Cristina Pecequilo destacou que apesar dos possíveis benefícios a curto prazo, o Brasil corre risco de ser atingido pela disputa entre as potências econômicas. “Uma polarização bilateral Estados Unidos-China, em qualquer área, gera fechamento de espaços no comércio internacional e na estrutura do sistema internacional de uma forma geral”, disse.

“Eu lembro a vocês inúmeros contenciosos entre Brasil e Estados Unidos, entre Brasil e União Europeia. Já foi lembrado as dificuldades de negociar um acordo entre Mercosul e União Europeia. Essas inúmeras variáveis mostram para gente que as avaliações otimistas de curto prazo não se sustentam”, acrescentou.

Seria estratégico para o Brasil, na avaliação da especialista, buscar se posicionar de forma a diminuir a dependência comercial em relação às grandes economias. “Não colocar todos os nossos ovos em uma única cesta”, resumiu.

Saiba mais
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Edição: Fernando Fraga


http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-07/guerra-comercial-eua-china-pode-atingir-brasil-dizem-especialistas

terça-feira, 19 de junho de 2018

EUA x China estão à beira de uma guerra comercial




EUA x China estão à beira de uma guerra comercial


Por Moisés Rabinovici* São Paulo


Duas pesadas economias estão lutando sumô à beira de uma guerra comercial sem precedentes na história. De um lado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça elevar tarifas em estãoaticamente todos os produtos exportados pela China para o mercado americano, no valor estimado em US$ 200 bilhões.

Para a China, a ameaça é uma “chantagem”. O Ministério do Comércio chinês comunicou em nota: “Se os Estados Unidos perderem o senso e publicar nova lista de sobretaxas, a China terá que responder com medidas que serão fortes em quantidade e gravidade. Um diplomata chinês acrescentou que “a china não quer uma guerra comercial, mas não tem medo dela”.

Trump está implementado sua estratégia de “America First” cada vez mais significando América isolada.

Nenhum aumento antecipado de tarifas pela Casa Branca terá efeito antes de 60 dias. Se entrar em vigor, os norte-americanos pagarão mais por celulares (menos o da Apple), computadores, brinquedos, televisão e a maioria de gadgets que consomem.

*O jornalista Moisés Rabinovici é comentarista da Rádio Nacional e apresentador do programa Um olhar sobre o Mundo, na TV Brasil.
Edição: Valéria Aguiar


http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2018-06/eua-x-china-estao-beira-de-uma-guerra-comercial