LEGISLAÇÃO

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terça-feira, 6 de outubro de 2015

A farra do câmbio com os dias contados?


A farra do câmbio com os dias contados?

Diretor-presidente da Usuport-RJ - Criador e Editor do Site dos Usuários dos Portos do Rio de Janeiro. E-mail: uprj@uprj.com.br

A Resolução n°. 4.271-Antaq, embora tenha deixado de enfrentar diversas questões de extrema relevância para os usuários, trouxe alguns avanços, sem sombra de dúvidas. Um deles é a taxa de conversão do câmbio de moeda estrangeira (dólar e do euro) para a nacional. Realmente a situação atual é terrível e se faz necessária intervenção da Agência. Os armadores e seus agentes marítimos praticam o câmbio paralelo que bem entendem e os NVOCCs e agentes de cargas, que são obrigados e se submetem às taxas de câmbios dos armadores, também colocam sempre alguns centavinhos a mais para garantir seus ganhos. Pensando em escala, quantos milhões (ou até bilhões) de reais a mais são pagos anualmente pelos usuários brasileiros nessa verdadeira farra cambial?

Não é difícil verificarmos armadores abrindo os dias com as taxas de câmbios 4 ou 5 centavos a maior em relação à taxa Bacen do dia anterior. Da mesma forma, não é difícil verificarmos NVOCCs e agentes de cargas colocando mais 3 ou 4 centavos sobre as taxas de câmbio paralelas dos armadores. No final, quem paga essa conta amarga, que pode atingir de 7 a 9 centavos a mais, são os usuários importadores e exportadores. Inclusive comprovamos alguns casos abusivos ao regulador, ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) em 2014, nos processos que tratam das outorgas de autorização e da falta de regulação sobre os armadores estrangeiros, juntando impresso de telas extraídas dos sites dessas empresas, comparando com impressos extraídos do site do Bacen.

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Resolução n°. 4.271-Antaq: Defesa do usuário e defesa da concorrência: Regulação com R? (Parte 2)Resolução n°. 4.271-Antaq: preços, taxas e sobretaxasResolução n°. 4.271-Antaq: Defesa do usuário e defesa da concorrência: Regulação com R? (Parte 1)Resolução n°. 4.271-Antaq: Agência regulará os intermediáriosResolução n°. 4.271-Antaq: Depósito CauçãoResolução n°. 4.271-Antaq: Termo de ResponsabilidadeSobre-estadias de contêineres na Resolução n°. 4.271-Antaq

É óbvio que muitos reclamam e, dependendo do tamanho da empresa, até conseguem reduções. Porém, a maioria das empresas do comércio exterior (médias e pequenas) não consegue essas “negociações especiais” e se submete às taxas de câmbio paralelas dos armadores, NVOCCs e agentes de cargas, pois, na exportação, se não concordarem, não recebem os seus conhecimentos de transporte (Bs/L) e com isso não recebem as quantias pelas vendas de seus produtos. Já na importação, caso não concordem, as mercadorias ficam impedidas de saírem dos terminais portuários e/ou portos secos, através do uso da informação de pendência do Siscarga, que se transformou em uma ferramenta de bloqueio de carga pelos armadores em acordos com os terminais (carga refém).

A Antaq tem discricionariedade e deve conter as condutas oportunistas e lesivas em relação às conversões para moeda nacional dos fretes, sobretaxas e sobre-estadias. Basta ver o que determina o Decreto n°. 42.820/57, as Leis, o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI) e demais normativos do Banco Central, para encontrar o fundamento legal.

Alguns terminais portuários, por exemplo, no momento da conversão dos valore CIFs (custo seguro e frete) das mercadorias, utilizam o câmbio Bacen do dia útil anterior. Outros utilizam a taxa Bacen de dois dias úteis anteriores. Existem também os que utilizam o câmbio Bacen da importação, extraído através do comprovante de importação (CI). O câmbio utilizado pela RFB para registro da DI e cálculos de tributos é o Bacen do dia útil anterior. Como se vê, os armadores, NVOCCs e agentes de cargas são pontos fora da curva.

Enfim, na questão do câmbio, em se mantendo o que consta na proposta de norma em relação à previsibilidade de multa de até R$ 200.000,00 para quem “deixar de converter moeda estrangeira para o padrão monetário nacional com base na tabela "taxa de conversão de câmbio" do Sistema de Informações do Banco Central – SISBACEN, vigente na data do vencimento da fatura” (Art. 17, I), concluímos que os usuários, de certa forma, estarão blindados dessas condutas oportunistas e lesivas que sangram suas finanças. Obviamente que a Agência deverá manter fiscalização constante sobre os armadores estrangeiros e seus agentes marítimos, NVOCCs e agentes de cargas. Torcemos para que a Antaq mantenha esse importante dispositivo.

A farra do câmbio, mais uma vez, confirma que a regulação dos intermediários se faz extremamente necessária e que a decisão da Antaq de incluí-los no normativo foi acertada. No entanto, essa fiscalização será eficiente de fato, após todos estarem devidamente registrados junto ao regulador. Por isso, continuaremos a defender as outorgas de autorização. Não basta saber quem são os armadores estrangeiros e onde encontrá-los, através de seus agentes marítimos e/ou estabelecimentos subordinados. Regular através de terceiros é complicado.

https://portogente.com.br/colunistas/andre-de-seixas/a-farra-do-cambio-com-os-dias-contados-87512

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Banco Central faz operação para conter alta do dólar


Banco Central faz operação para conter alta do dólar

Brasília
Mariana Branco – Repórter da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger


O Banco Central vendeu há pouco a totalidade dos 14 mil contratos de swap cambial, ofertados em operação para rolagem de títulos que vencem em 1° de dezembro. A operação totalizou US$ 680,2 milhões.

Os contratos foram oferecidos com dois vencimentos. Para vencimento em 3 de novembro do próximo ano, foram vendidos 4,3 mil contratos, no valor de US$ 209,9 milhões. Para 4 de janeiro de 2016, foram negociados 9,7 mil contratos, no valor de US$ 470,3 milhões.

O swap cambial é uma operação de câmbio em que há, simultaneamente, compra e venda de moedas. As operações do tipo são usadas para conter a alta do dólar e oferecer proteção (hedge) a empresas e bancos. Na sexta-feira (14), o dólar fechou acima de R$ 2,60 pela primeira vez desde 2005.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2014-11/banco-central-faz-operacao-para-conter-alta-do-dolar

segunda-feira, 31 de março de 2014

Taxas de Câmbio e alta burocracia são maiores entraves para a exportação brasileira



Taxas de Câmbio e alta burocracia são maiores entraves para a exportação brasileira

Com saldo negativo de US$ 6,1 bilhões no primeiro bimestre de 2014, as perspectivas para as exportações brasileiras não são nada animadoras para este ano. Somente em janeiro, a Balança Comercial registrou déficit de R$ 4 bilhões, atingindo diretamente a produção do país, uma vez que, com a entrada dos importados, a produção brasileira perde em escala e utiliza cada vez menos sua capacidade produtiva.

Segundo especialistas que discutem o tema durante a reunião de Gerentes da Rede de Centros Internacionais de Negócios - CIN, realizada na Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) dias 26 e 27 de março, um dos motivos que contribuem para este cenário negativo é o fim do Sistema Geral de Preferência (SGP), benefício tarifário dado pelos europeus para economias em desenvolvimento. O SGP expirou em dezembro de 2013 para as exportações brasileiras e, fora do Sistema, importantes setores exportadores do país acabaram tendo significativa subida nas tarifas de seus bens.

Diego Bunomo2Com a constante alta das importações, as indústrias brasileiras acabam perdendo mercado no comércio internacional e provocando o fenômeno da desindustrialização. “O comércio exterior está reprimido. Passa por um momento complicado, onde o saldo é decrescente. Observamos uma fusão muito grande de indústrias e serviços e um déficit considerável no setor de manufaturados”, aponta Diego Bunomo, gerente executivo de Comércio Exterior da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Marcelo Azevedo, especialista da gerencia de Política Econômica da CNI, presente na reunião, conta que um estudo realizado pela Confederação apontou que, para 94,5% dos estados brasileiros, os principais entraves para a exportação vêm sendo as taxas de câmbio e as burocracias alfandegária, aduaneira e tributária com seu número excessivo de documentos exigidos. “É preciso também que haja um rearranjo na macro economia dos estados para que possamos melhorar as taxas de câmbio”, opina.

Embora os principais problemas enfrentados pelas empresas estejam mais ou menos nivelados entre os estados brasileiros, há outros fatores que impedem a competitividade das empresas, como a falta de infraestrutura adequada de portos, rodovias e energia. “Essas dificuldades nas etapas operacionais também se somam aos problemas enfrentados pelo setor”, destaca Marcelo.

Marcelo conta que a CNI contratou uma consultoria para o levantamento dos pontos práticos da Lei, a fim de que possam agir em prol da desburocratização desses processos tributários, cada vez mais complicados e demorados. “O estudo resultará numa proposta que o Conselho Tributário apresentará ao Governo ou ao Ministério da Indústria e Comércio (MDIC)”, ressalta.

O Pará é um dos Estados que sente na pele o problema da falta de infraestrutura adequada. Segundo o gerente do CIN-Pará, Raul Tavares, os sucessivos resultados negativos do saldo da Balança Comercial Brasileira é consequência direta dos entraves que os empresários enfrentam, tanto durante o processo de internacionalização de produtos com a questão da tributação e os problemas no trâmite aduaneiro, como com o baixo nível de investimentos na infraestrutura e logística da exportação. “Esses fatores forçam os empresários a botar o pé no freio, reduzindo a quantidade de contratos”, analisa.

Karina Gueiros, gerente do CIN da Paraíba disse que os problemas enfrentados pelo seu Estado acompanham a pesquisa nacional, mas além das taxas de câmbio e da burocracia alfandegária e aduaneira ela destaca a falta de conhecimento dos procedimentos por parte das empresas envolvidas. “Isso contribui, e muito, para o atraso ou a falta de sucesso nas exportações”.

Em Alagoas, a pauta das exportações é 98% açúcares e derivados. “O que precisamos é fazer com que as empresas desenvolvam sua cultura exportadora. Se conseguirmos qualificar as empresas para atuar no mercado interno, elas se sentirão seguras para conquistar a competitividade que precisam no mercado internacional, um dos grandes problemas enfrentados no estado”, diz Dielze Mello, gerente do CIN Alagoas.


Pará

Além do debate a respeito dos entraves às exportações, a pauta do Encontro Nacional de Gerentes da Rede CIN abriu espaço para a apresentação do perfil econômico e industrial do Estado do Pará, promovido pelo assessor econômico da FIEPA, José do Egypto Soares Filho.

Na sua apresentação, ele ressaltou a grande contribuição do Pará para a Balança Comercial do país e pediu que o Estado fosse tratado com justiça pelo Governo Brasileiro. “Em 2013 o Pará ficou em 2º lugar na Balança Comercial, sendo responsável por 6,55% das exportações do país, somando quase 15 bilhões de dólares. E o que ganhamos em troca? A união só nos repassou 2 bilhões.”, lembrou o economista.

“Enfrentamos muitos problemas legais que nos impedem de crescer como deveríamos. Só para se ter um exemplo o Pará é exportador de energia, e nossa energia ainda é uma das mais caras do país. Isso é um absurdo que precisamos consertar”, ressaltou.

Egypto reforçou que, embora o Estado tenha investimentos de mais de R$ 130 bilhões previstos até 2016, o recurso não resolve os problemas enfrentados aqui na região. “A socioeconomia não vai melhorar, enquanto a indústria não for de transformação. Nós ainda exportamos gado em pé. Precisamos sim é de uma política de Estado forte, que eleve o Pará ao lugar de destaque que ele merece”.

http://portogente.com.br/noticias-do-dia/taxas-de-cambio-e-alta-burocracia-sao-maiores-entraves-para-a-exportacao-brasileira-81486

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Contrato de Câmbio



Paulo Werneck 

O Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) é um empréstimo em moeda nacional dos recursos a serem recebidos como pagamento da exportação antes do embarque das mercadorias.

Por óbvio os tomadores do empréstimo só podem ser pessoas jurídicas exportadoras. O credor será um banco comercial que trabalhe com essa operação.

Os recursos não são estatais, como em outros tipos de financiamento, de modo que as condições do empréstimo são estabelecidas por contrato entre o tomador e o credor, como, por exemplo, quanto do contrato será financiado, embora possa adiantar que muitos oferecem financiamento do total do valor do contrato de exportação.

O prazo máximo do financiamento é de 360 dias, mas o tomador pode obter prazo maior, transformando o ACC em Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE) tão logo embarque a mercadoria.

Por força da legislação, não há incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas o exportador deverá arcar com os custos da Taxa de Abertura de Crédito (TAC) e da Taxa de Serviços de Câmbio (TSC), de acordo com a tabela de tarifas e serviços da instituição financeira. Além disso são cobradas a taxa LIBOR e um spread.

Esses custos são bastante vantajosos em comparação com os que oneram os empréstimos bancários em geral, mas o exportador deve evitar contratar um ACC se não tiver razoável confiança em que o pedido do importador estrangeiro será honrado por este, bem como na sua capacidade em produzir e embarcar a mercadoria.

O problema é que os bancos acreditam na palavra do exportador de que ocorrerá a exportação, mas se ela não ocorrer, ou seja, a mercadoria não embarcar e for paga, as condições do dito empréstimo transformam-se naquelas aplicáveis aos empréstimos internos, inclusive com a cobrança do IOF.

É claro que esse mecanismo é necessário como elemento de dissuação para os espertos que, faz muito tempo, simulavam situações de exportação para se beneficiarem de dinheiro a custo menor. Mas pode ser padastro para um exportador que enfrente algum problema na operação, ou mesmo que não venha a receber seu pagamento.

Um outro ponto a ser considerado são as garantias exigidas pelo banco.

Note-se que um contrato de exportação não oferece garantias: é apenas um pedido de fornecimento enviado pelo importador. Mesmo que esse pedido venha acompanhado de uma carta de crédito de um banco de primeira linha, esse título de crédito só será honrado se o exportador produzir todos os documentos especificados sem qualquer divergência.

Mercadores 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

CÂMBIO

Brasil quer discutir com FMI

A passagem pelo Brasil da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, fará com que industriais pressionem o "dumping cambial"

Diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde vem ao Brasil esta semana (AFP)

Industriais brasileiros querem aproveitar a passagem pelo Brasil da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, nesta semana, para pressionar o organismo multilateral a iniciar uma discussão internacional sobre o chamado “dumping cambial”. A proposta é que seja realizada uma rodada de negociações capitaneada pelo FMI e pela Organização Mundial do Comércio (OMC), para definir um padrão de políticas cambiais a ser adotado pelos países membros e as sanções a serem aplicadas em caso de manipulação artificial da moeda.

“Os países poderiam ser punidos com salvaguardas ou até ser excluídos da organização”, explicou o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca. Ele disse que a entidade deve entregar a Lagarde um documento com sua proposta em São Paulo, na sexta-feira.

“Queremos assuntar com a diretora o que ela acha disso, pedir que examine.” O alvo número um da proposta é a China, um país cujo câmbio é administrado pelo governo de forma a tornar seus produtos mais competitivos. “É muito difícil estimar o efeito do dumping cambial sobre o comércio exterior brasileiro, mas que tem impacto negativo, não tem dúvida”, comentou o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. “O dumping cambial da China atinge o Brasil direta e indiretamente.” Ou seja, o câmbio faz com que os produtos chineses fiquem mais baratos no mercado interno e também torna a competição mais dura para os produtos brasileiros no exterior.

Mas é difícil mensurar o tamanho do estrago porque não há referência. Não existe um nível de câmbio “certo” que permita determinar o quando a cotação da moeda chinesa está deslocada em relação ao mercado. Portanto, não há como saber quanto o Brasil deixou de vender ou importou a mais
“Mas nenhum país vai, individualmente, brigar com a China”, reconheceu Giannetti. Ele explicou que, na formação de organismos multilaterais logo após a segunda guerra mundial, o tema câmbio ficou a cargo do FMI e os instrumentos para punir abusos no comércio, com o Acordo Geral de Tarifas de Comércio (Gatt), que deu origem à OMC. “Um tem as regras e outro tem as sanções, e eles não se conjugam”, explicou. Daí a proposta de uma rodada conjunta.

Exemplo

O diretor da Fiesp deu um exemplo do que poderia ser decidido nessa rodada. “Dizer que o câmbio deve ser flutuante, ditado por forças de mercado e que as intervenções dos bancos centrais são admitidos em casos excepcionais, como ataques especulativos, ou quando houver uma nítida sobrevalorização ou subvalorização”, disse.

O governo brasileiro optou por dividir as discussões sobre o “dumping cambial”: o que seria a taxa de câmbio de equilíbrio é tema a ser debatido com o FMI, e o efeito desse fenômeno sobre o comércio, na OMC. Essa segunda vertente está um pouco mais adiantada, com a decisão da OMC de realizar, por sugestão do Brasil, um seminário no fim do primeiro trimestre do ano que vem para discutir o assunto. Em comunicado divulgado na sexta-feira, a OMC informou que a discussão será focada nas relações entre câmbio e comércio, mas as atuais regras do organismo multilateral não serão colocadas em debate.

“O fato de estarmos puxando a discussão na OMC pode parecer pouco, mas não é”, afirmou o diretor do Departamento de Defesa Comercial do Ministério do Desenvolvimento, Felipe Hees.

O quê?

ENTENDA A NOTÍCIA

Industriais brasileiros querem pressionar o FMI a iniciar uma discussão internacional sobre o chamado “dumping cambial” definindo um padrão de políticas cambiais a ser adotado pelos países membros
http://www.opovo.com.br/app/opovo/brasil/2011/11/28/noticiabrasiljornal,2344282/brasil-quer-discutir-com-fmi.shtml


 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

CÂMBIO

Banco Central inaugura novo sistema para operações de câmbio
O Banco Central (BC) dá mais um passo dentro do projeto de modernização do mercado de câmbio. Nesta segunda-feira entra em vigor um novo sistema para o registro das operações com moeda estrangeira.

Segundo o chefe da Gerência-Executiva de Normatização de Câmbio e Capitais Estrangeiros, Geraldo Magela Siqueira, foram investidos R$ 4 milhões na compra de equipamentos e na elaboração desse projeto que "toma lugar" do antigo Sisbacen Câmbio, datado de 1985.

A contrapartida desse investimento é uma redução de custo operacional do BC da ordem de 70%. Mensalmente, gerenciar as operações de entrada e saída de moeda estrangeira custava cerca de R$ 5,5 milhões à autoridade monetária. Agora, a previsão é que se gaste R$ 1,5 milhão.

E a perspectiva, segundo Siqueira, é de que alguma forma essa economia operacional proporcionada pela evolução do sistema chegue ao lado real da economia. Claro que a redução de custos não deve acontecer na mesma proporção, já que ela representa apenas uma das diversas etapas que compõem uma operação cambial.
"O que estamos implantando é um modelo moderno e seguro", diz Siqueira, notando também que nessa nova plataforma tem uma linguagem técnica flexível a futuras alterações.

A base do Sistema Câmbio é o aparato de mensageria já conhecido pelas instituições financeiras que operam dentro da Rede do Sistema Financeiro Nacional, que abarca todas as operações do Sistema Brasileiro de Pagamentos (SPB). Recentemente, por meio de determinação do Conselho Monetário Nacional (CMN), as instituições não bancárias também foram autorizadas a entrar nessa rede. Além desse canal dedicado, os agentes também passam a ter a opção de acesso direto via internet.

Entre as melhorias práticas está a simplificação na comunicação das operações. Os dez formulários de contrato de câmbio serão substituídos por apenas um, que já reúne todas as informações sobre a natureza da operação cambial e os eventos que ela envolve (importação, exportação, remessa).

Outra alteração relevante e que já é bem recebida pelas corretoras é a possibilidade de manter arquivos de todas as operações de seus clientes em base própria. Não será mais necessário fazer todas as consultas sobre andamento e histórico de contratos de câmbio obrigatoriamente via BC.

Antes, explica, Siqueira, a corretora poderia ter os dados em sua base, mas, para efeito formal, só eram válidas as consultas feitas e expedidas pelo sistema gerido pela autoridade monetária. Desse ponto, também decorre economia de custo às corretoras, já que qualquer acesso ao sistema é pago.
De acordo com Siqueira, com esse novo sistema de câmbio também tem início um trabalho visando uma maior padronização e transparência na cobrança de tarifas.

Na semana passada, algo semelhante já foi adotado no câmbio manual, que vai deixar mais claro o quanto e o que a pessoa física está pagando, por exemplo, quando compra câmbio para viajar ao exterior.

Nos mesmos moldes do Custo Efetivo Total (CET) divulgado pelas instituições nas operações de crédito, a ideia e adotar um Valor Efetivo Total (VET) que cada banco e corretora terão de informar aos seus clientes.

"Isso permitirá uma melhor comparação de custo, saber qual o valor efetivo do negócio", diz Siqueira.

Mas essa padronização do sistema de custos é um trabalho que está começando agora.

"Ao contrário do câmbio manual, as operações de câmbio comercial e financeiro são bem mais complexas", explica.

O sistema que entre em funcionamento tem algumas etapas de implementação.

Hoje, serão registradas apenas as operações de mercado primário - empresas/instituições, por exemplo. O mercado secundário de câmbio - banco contra banco - só entra no novo esquema em julho de 2012.

O modelo novo seguirá convivendo com o "sistema velho". As contratações cambiais feitas até sexta-feira ficam no modelo antigo. No entanto, a base de dados já está unificada, integrando informações no novo com o antigo Sisbacen. A integração definitiva das duas plataformas está projetada para 2013.

Todo o trabalho que desemboca na estreia desse novo sistema começou em março do ano passado, envolveu seis áreas distintas do BC e contou com a participação de mais de 160 instituições financeiras.

Siqueira destaca que todos os documentos, atas de reuniões e deliberações tomadas, bem como especificações técnicas estão disponíveis na página eletrônica do BC, na área de câmbio e capitais internacionais na seção sistemas - Sistema Câmbio.
Valor Econômico





EUA votam lei de retaliação a câmbio manipulado na China
Senado americano vota hoje um projeto de lei que abre o caminho para os EUA imporem retaliações contra a manipulação da taxa de câmbio pela China.

É pouco provável que a medida seja levada às últimas consequências, mas ela representa um renascimento protecionista depois que o dólar voltou a se valorizar perante as moedas mais importantes do mundo.

A tendência é o projeto ser aprovado apenas no Senado, o que será suficiente para azedar ainda mais as relações com a China. Os chineses ficaram irritados com o acordo fechado pelos EUA há duas semanas para vender US$ 6 bilhões em armas para Taiwan, que a China considera uma província rebelde.

"Isso virou uma prática comum. Sempre que a economia americana desacelera e uma eleição se aproxima, aumentam as vozes nos EUA para valorizar o yuan", criticou ontem em artigo a agência ce notícias oficial da China Xinhua.

A legislação para retaliar a China foi proposta por um grupo formado por senadores dos dois principais partidos políticos do país, a oposição republicana e governistas democratas. O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, empenhou-se pessoalmente para colocar o assunto na pauta.

Mas isso não é garantia de que as retaliações vão seguir adiante, disse ao Valor Sean West, diretor da Eurasia Group, uma consultoria de risco político. Há forte oposição à medida na Câmara dos Deputados, controlada pelos republicanos. Em geral, eles são a favor do livre comércio e receiam prejuízos que a medida trará para as empresas, caso a China resolva reagir com retaliações. No ano passado, o presidente da Câmara, John Boehner, votou contra uma proposta mais desidratada de retaliação.

Não está descartada, porém, a hipótese de os republicanos levarem a medida adiante apenas para forçar o presidente Barack Obama a vetá-la. Obama é contra a iniciativa, embora a Casa Branca não tenha dado declarações públicas sobre a proposta na pauta de hoje do Senado. Há alguns dias, o porta-voz de Obama, Jay Carney, disse que o governo está estudando o projeto. "Dividimos o objetivo comum de alcançar uma maior apreciação da moeda chinesa", disse.
Há algumas indicações de que os senadores democratas estão fazendo apenas uma encenação política antes de votar três importantes acordos de livre-comércio, com a Colômbia, Panamá e Coreia. Existe algum consenso em aprovar essas medidas assim que Obama enviar o texto final ao Congresso. Mas alguns parlamentares que enfrentam eleições em 2012 receiam ficar vulneráveis a acusações de escancararem o mercado doméstico à concorrência estrangeira em meio a altas taxas de desemprego. "A legislação contra a China permite a esses parlamentares mostrarem que tomaram medidas comerciais duras antes de liberalizar o comércio", disse West, da Eurasia Group.

Mesmo que a medida contra a China seja aprovada, seu alcance não será ilimitado. O exemplo clássico de retaliação americana ampla e bem sucedida foi a alta de tarifa de importação de produtos do Japão nos anos 1980, que levou aquele país asiático a negociar a valorização da sua moeda no chamado Acordo de Plaza. Desta vez, o alcance é menor que isso.

O projeto atual força a Departamento do Tesouro a tomar ações comerciais e financeiras contra moedas que declarar "desalinhadas". Uma das frentes seria os EUA se oporem a programas que favorecem a China dentro de organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Também abre o caminho para os Estados Unidos considerarem a sobrevalorização cambial um subsídio sujeito a medidas compensatórias - ou seja, permitiria ao governo aplicar tarifas para proteger determinados produtos da concorrência desleal chinesa. Outra possibilidade aberta pelo projeto é o questionamento do câmbio valorizado chinês na Organização Mundial do Comércio (OMC). Qualquer uma dessas medidas, porém, levaria alguns anos para ser implementada - e faria pouco para resolver o problema imediato de subvalorização do yuan.
Em junho de 2010, a China aceitou reiniciar um processo de lenta valorização de sua moeda. De lá para cá, o câmbio se fortaleceu 7% em termos nominais e 10% em termos reais, já que a inflação na China anda bem mais alta do que nos Estados Unidos. Desde o novo agravamento da crise financeira na Europa e nos Estados Unidos, no entanto, o dólar voltou a se valorizar diante das moedas do resto do mundo, já que os investidores ainda consideram os ativos americanos mais seguros.
Valor Econômico


 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

NOTICIAS - COMÉRCIO EXTERIOR

AGRONEGÓCIOS:  MINISTROS FIRMAM COOPERAÇÃO AGRÍCOLA ENTRE BRASIL E SÉRVIA

A assinatura de memorando de entendimento na área agrícola marcou o encontro, nesta terça-feira (5), entre o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, e o ministro da Agricultura, Florestas e Gerenciamento de Águas da Sérvia, Saša Dragin. O intercâmbio de material genético, a troca de experiências em inseminação artificial, a produção de fertilizantes minerais, a proteção de plantas, a defesa sanitária animal e a produção orgânica são alguns dos pontos de interesse dos dois países.
“É impressionante o desenvolvimento agrícola do Brasil”, destacou Dragin. A qualidade da pesquisa em agropecuária no País foi o que mais chamou a atenção do ministro sérvio, após visitar, na manhã de hoje, a sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro Nacional de Pesquisa de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Embrapa (Cenargen), que atua em pesquisa genética, segurança biológica, controle biológico e biotecnologia.
Dragin explicou a Stephanes, que, após anos de guerra civil, a Sérvia tem, hoje, a produção industrial afetada e depende da importação. Ao mesmo tempo, precisa proteger sua agricultura, formada basicamente por pequenas propriedades. “Os sérvios precisam desenvolver tecnologia. Não obstante as diferenças de dimensões do Brasil, ele encontrou um bom modelo aqui”, colocou o ministro brasileiro.
Comércio - As políticas de comércio também estiveram na pauta da reunião. O ministro da Sérvia pediu o apoio de Stephanes no processo de entrada do país europeu na Organização Mundial do Comércio (OMC) e em uma futura adesão sérvia à Comunidade Europeia.
O Brasil vendeu para a Sérvia, em 2009, mais de US$ 17 milhões em produtos do agronegócio. As carnes bovina, suína e de frango foram o destaque no comércio, com US$ 10,5 milhões. Fumo e seus produtos (US$ 5,5 milhões) e café verde (US$ 534 mil) vieram em seguida.
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento



BALANÇA COMERCIAL: O DESAFIO DE AUMENTAR O SALDO DA BALANÇA COMERCIAL
A estratégia do governo brasileiro de centrar bateria na expansão dos negócios com os Estados Unidos para melhorar os resultados da balança comercial deste ano tem poucas chances de sucesso no curto prazo. Mais eficiente seria combater os gargalos de infraestrutura, aliviar a carga tributária das exportações e redobrar os esforços para dar mais competitividade à venda externa de manufaturados.
O Brasil fechou 2009 com o saldo de US$ 24,6 bilhões na balança comercial, 1,4% inferior aos US$ 25 bilhões de 2008. O desempenho não é ruim se comparado com a queda de 13% do comércio mundial de mercadorias estimada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para 2009.
Mas os números brasileiros vão encolher neste ano. O saldo comercial brasileiro deve cair para US$ 11,3 bilhões, de acordo com projeções do mercado financeiro, registradas no boletim Focus do Banco Central, desta semana. Há quem projete números ainda menores. O Bradesco, por exemplo, acredita que o saldo cairá a US$ 3,9 bilhões neste ano.
A explicação é simples: com a expansão das atividades domésticas, as importações crescerão em ritmo superior ao das exportações. Isso já aconteceu entre 2007 e 2008, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,1%, puxando o aumento de 43,4% das importações, enquanto as exportações cresciam 23,2%. Com a freada global de 2009, o PIB brasileiro ficou perto de zero. Em consequência, encolheram as exportações (23%) e as importações (26,2%).
Neste ano, porém, o PIB brasileiro deve crescer entre 5% e 6,5%. O próprio BC projeta 5,8%. Qualquer que seja o número, ficará acima do esperado para o resto do mundo. O FMI estima que o PIB mundial cresça perto de 3% em 2010. Haverá enorme diferença entre o comportamento dos países emergentes, que reagem melhor à crise internacional e devem registrar expansão de mais de 5%, e o das economias avançadas, cuja produção provavelmente aumentará 1,25%. Os Estados Unidos podem crescer 1,5% e a zona do euro, 0,3%. A força compradora dessas regiões continuará, portanto, debilitada, tornando praticamente infrutífero o esforço para aumentar as vendas nesses mercados.
A crise teve forte impacto no mapa das exportações brasileiras em 2009. Os países mais afetados pela turbulência reduziram as compras de produtos brasileiros. As vendas para os Estados Unidos caíram 42,4% e para a União Europeia, 25,8%. Diminuíram também as vendas para América Latina e Caribe (33,7%), Mercosul (29,9%) e África (13,5%).
Só houve crescimento nos negócios com a Ásia (5,9%), puxado pelo aumento de 23,1% nas exportações para a China, cujo PIB deve crescer 8% em 2009 e perto de 9% neste ano. Com esse ritmo, a China tem sido ávida compradora de minério de ferro, produtos siderúrgicos e soja brasileiros. A China tornou-se o maior mercado comprador do Brasil em 2009 com US$ 19,9 bilhões, ultrapassando os Estados Unidos, com US$ 15,7 bilhões. Os Estados Unidos continuam os maiores parceiros comerciais do Brasil, mas por pouca diferença. As importações brasileiras dos Estados Unidos somaram US$ 20,2 bilhões; e da China, US$ 15,7 bilhões. Assim, em fluxo comercial, os Estados Unidos continuam mais importantes com US$ 35,9 bilhões, com a China chegando perto, com US$ 35,8 bilhões.
O interesse do governo brasileiro em ampliar as vendas para os Estados Unidos deve-se ao fato de o mercado americano absorver mais produtos industrializados do Brasil do que a China, que compra principalmente matérias-primas e produtos básicos.
Essa é uma preocupação legítima, uma vez que a participação dos produtos básicos na pauta brasileira de exportações cresceu de 36,9% a 40,7% entre 2008 e 2009. A fatia dos semimanufaturados ficou praticamente estável em 13,5%, e a dos manufaturados encolheu de 46,8% para 43,7%. A mudança no perfil da pauta de exportações acentua o temor de que o Brasil caminharia para o modelo chileno e australiano.
A competição internacional aumentou em um mercado deprimido, o que tende a expulsar os produtores menos competitivos. A valorização do real joga contra o exportador brasileiro de bens de maior valor agregado. Para equilibrar o jogo, é preciso maior desoneração de impostos, melhoria constante da infraestrutura e menos burocracia.
Valor Econômico

CAMBIO: PROJETO EXTINGUE ENCARGO SOBRE CANCELAMENTO  DE EXPORTAÇÃO
O Projeto de Lei 5620/09, do deputado Paes Landim (PTB-PI), extingue a cobrança de encargo financeiro relativo ao cancelamento ou baixa de contratos de câmbio de exportação, tanto de mercadorias como de serviços, e também de transferências financeiras do exterior.
O autor lembra que tal encargo foi criado no âmbito das medidas que instituíram o Cruzado Novo como moeda nacional, em um cenário que se caracterizava pela instabilidade econômica.
"A aplicação do encargo na atual conjuntura econômica equivale a multa desproporcional e abusiva contra o exportador que, por qualquer motivo, não consegue embarcar a mercadoria ou realizar a prestação do serviço, constituindo fator inibidor do acesso ao financiamento e, por conseguinte, da própria atividade exportadora", argumenta Paes Landim.

Desoneração
A extinção da cobrança do encargo financeiro, acrescenta o autor do projeto, representa providência fundamental para a consolidação das medidas modernizadoras e simplificadoras adotadas em relação ao mercado de câmbio, direcionadas à desoneração das exportações e redução dos custos operacionais para a internacionalização das empresas brasileiras.
O encargo é calculado com base no rendimento acumulado da Letra Financeira do Tesouro (LFT) sobre o valor, em moeda nacional, correspondente à parcela do contrato de câmbio cancelado ou baixado.
O projeto revoga a Lei 9.813/99, que regula esse encargo financeiro, além de dispositivos da Lei 7.738/89, que definiu normas complementares à implantação do cruzado novo como moeda nacional.

Tramitação
Sujeito a tramitação em caráter conclusivo, o projeto será analisado pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Agência Câmara



COMÉRCIO BILATERAL:  BRASIL NEGOCIA COM MAIS OITO PAÍSES O FIM DA BITRIBUTAÇÃO

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim foi à Turquia com o objetivo de intensificar as negociações entre os governos para elevar o comércio bilateral. A meta principal é de eliminar a bitributação imposta a empresas que têm representação nos dois países e facilitar as medidas sanitárias para diversos produtos, como carne vermelha e frango. Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores (MRE) os turcos consideram ainda fundamental a definição de uma cooperação aduaneira para elevar o comércio entre os dois países. Além da Turquia, o Brasil está em fase de negociação com outros sete países para acabar com impostos similares cobrados das empresas em dois países.
O governo turco, durante encontro com Amorim ofereceu a intermediação entre empresários do setor da construção civil, a iniciativa privada e o governo do Brasil. "Em meio aos jogos da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas que ocorrerão em 2016 no Rio de Janeiro, os turcos demonstram interesse em investir no Brasil", aponta o documento.
O chanceler Amorim junto com o Ministro Zafer Çaglayan discutiram projetos de cooperação aduaneira, energética, farmacêutica, de comércio e serviços, entre outros. O encontro terá lugar em momento de crescente interação entre os setores empresariais dos dois países.
A visita do chanceler brasileiro acontece no mesmo momento em que a Petrobras e a estatal turca Turkish Petroleum Corporation (TPAO) anunciam a chegada de uma sonda à Turquia, para perfuração em águas ultraprofundas do Mar Negro.
A sonda Leiv Eiriksson será utilizada no poço Sinop 1. As atividades no poço, a 145 km da cidade de Sinop, serão iniciadas no primeiro trimestre, de acordo com comunicado da Petrobrás, por meio da Petrobrás Oil & Gas B.V.
Turquia detém 50% na área de licença, e a TPAO, os outros 50%. De acordo com a companhia brasileira, a região é considerada uma das últimas fronteiras petrolíferas do mundo.
Segundo os últimos dados do Mdic, atualmente o Brasil está envolvido em negociações com sete países para ampliar sua rede de tratados de bitributação, que é formado por 28 nações. Esse número, porém, é pouco comparado aos esforços de outros três países emergentes que compõem os BRICs - Rússia, Índia e China. No ano passado, Rússia acumulava cerca de 60 tratados, a Índia, 71, e a China, 81. O problema é que a falta desses acordos tira a competitividade do país na disputa de investimentos diretos ou acaba tornando-os mais caros.
"Os tratados não decidem um investimento, mas sua existência pode determinar a escolha de um investidor entre países mais ou menos iguais, do ponto de vista do negócio. Ele vai optar por aquele que tem o tratado", explicou Nélio Weiss, sócio da PricewaterhouseCoopers. "Um bom exemplo disso é o México, que hoje tem a maior rede de tratados da América Latina", contou. Segundo ele, os mexicanos deram um pulo na atração de investimento, quando começaram a desenvolver tratados importantes. "Sem isso não teria condições", acrescentou Weiss.
O sócio da PwC citou como exemplo, as cerca de 12 milhões de pequenas e médias empresas nos Estados Unidos, que não investem em países com quem os EUA não tem assinados acordos de bitributação. Segundo ele, os tratados internacionais são capazes de estimular o ingresso de investimentos e ajudam a fortalecer as relações políticas e econômicas entre os países.
Na América do Sul, o Brasil é o país que tem o maior disponibilidade de tratados e trabalha para garantir a inclusão do Peru, Romênia, Rússia, Suíça, Reino Unido, Estados Unidos e Venezuela em sua rede. "No caso dos russos, para o que existe em termos de troca de investimentos entre os países, o efeito do tratado hoje não será muito grande, mas tratados são feitos para durar muito."
Para Weiss, um acordo com os EUA tem maior alcance - em 2008 o país foi o maior investidor no Brasil. "A China já tem tratado com os Estados Unidos. E do ponto de vista de interesse do país é um absurdo esse tratado ainda não existir." Um dos impasses da negociação é a exigência brasileira de crédito presumido.
De acordo com o presidente da Stefanini IT Solutions, Marco Antônio Stefanini, durante o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no fim do ano passado, foram abordados diversos assuntos de grande importância nas relações comerciais bilaterais como eficiência energética, acordo para evitar bitributação, as negociações da Rodada Doha e a facilitação na concessão de vistos, bem como projetos de infraestrutura e procedimentos aduaneiros.
"Demos ênfase a bitributação, mas o assunto é espinhoso, está em discussão há mais de 30 anos. Das grandes economias o único país com que os Estados Unidos não possui acordo neste sentido é o Brasil. Pretendemos que haja retomada do processo nesse encontro", declarou Stefanini.
Diário do Comércio e Indústria

EMBARQUE
A partir de 1º de março, quem embarcar no país, em voo doméstico ou internacional, deverá apresentar um documento de identificação ao ir para o portão. Hoje a identificação é feita apenas no check-in (e pela PF, em voos internacionais). Para entrar nos locais dos portões, somente o cartão de embarque é cobrado. É uma das alterações prevista em uma resolução da Anac. No entanto, como bem sabem os migalheiros que embarcam apressados no Santos Dumont ou em Congonhas, o funcionário (com o indefectível leitor óptico) não tem como aferir nada, nem se o documento é verdadeiro, nem se é você mesmo naquela antiga foto. A medida, assim, só servirá para atrasar um pouquinho mais.

Identificação
A partir de março será obrigatória a apresentação de um documento de identificação no embarque de voos domésticos e internacionais
Uma resolução da Anac publicada em dezembro determina que, a partir de 1° de março, a apresentação de um documento de identificação seja obrigatória no embarque de voos domésticos e internacionais. Hoje, o documento é cobrado apenas no check-in.
migalhas.com.br


EXPORTAÇÃO:  NOVO TERMINAL AÇUCAREIRO AMPLIARÁ EM 540 MIL TONELADAS O VOLUME DE EXPORTAÇÕES
A tradicional indústria açucareira do Estado de Pernambuco ganhará um reforço a partir de 2011 com o início das operações do terminal da ED & F Man no Porto de Suape. A empresa vai investir cerca de R$ 100 milhões no processamento de 540 mil toneladas/ ano de açúcar refinado branco destinado à exportação para países da Europa, do Oriente e do norte da África. Em audiência pública realizada nesta terça-feira, o processo de implantação foi detalhado pelos representantes da empresa e do complexo marítimo.
O terminal será instalado em uma área de 72,5 hectares localizada na retroárea do cais 5 e poderá realizar o armazenamento, a maturação, o carregamento e a estocagem do produto que sairá das usinas do Estado. O açúcar deve sair de Suape a granel, em sacos de 50 kg, em Big Bags de uma tonelada e em sacos de 25 toneladas dentro de contêineres.
"A operação de navios tipo BIBO, que realizam o empacotamento do açúcar dentro da embarcação durante a viagem, ocorrerá pela primeira vez no Brasil através de Suape", comenta o Diretor de Operações da ED & F Man Emilio Seyfried.
De acordo com o vice-presidente do Porto de Suape, Sidnei Aires, as obras devem ser iniciadas seis meses após a assinatura do contrato com a finalização do processo licitatório do arrendamento da área, que está prevista para daqui há dois meses.
A Tribuna

EXPORTAÇÃO:  FORNECEDORES DE INDÚSTRIAS EXPORTADORAS TERÃO ISENÇÃO DE IMPOSTOS
Wellton Máximo
Brasília - As empresas que fornecem produtos para as indústrias exportadoras também poderão adquirir matérias-primas com isenção de tributos. Nos próximos dias, os Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior editarão portaria que listará os produtos e ramos de atividades que terão o benefício.
Em nota oficial, o Ministério da Fazenda informou que a possibilidade está prevista por uma lei sancionada em outubro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O benefício, no entanto, necessitava de regulamentação para entrar em vigor.
De acordo com o ministério, a portaria também aperfeiçoará procedimentos para as empresas beneficiadas pelo drawback, regime especial de tributação que beneficia os exportadores.
Criado em 1966, o drawback permite a suspensão de tributos federais sobre insumos importados usados na fabricação de produtos vendidos ao exterior. Em outubro do ano passado, o governo estendeu o regime para matérias-primas nacionais, desde que parte dos componentes da mercadoria produzida para exportação fosse importada.
Com a edição da MP, a isenção passou a valer também para as mercadorias não industrializadas e produzidas totalmente com insumos nacionais. A ampliação beneficiou os produtores rurais, que agora podem abater os tributos federais da ração usada para alimentar o gado vendido para o exterior.
Em abril, a Receita Federal e a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento editaram uma portaria conjunta que efetivou a inclusão dos produtores rurais no drawback. Em maio, uma medida provisória estendeu o benefício às indústrias que fornecem produtos a empresas que fazem parte do regime especial.
No drawback, as empresas estão isentas de três tributos federais: Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e PIS/Cofins.
Agência Brasil


FERTILIZANTES: GOVERNO DISCUTE MARCO REGULATÓRIO PARA FERTILIZANTES

Projeto que será apresentado em março foi tema de reunião entre os ministros Reinhold Stephanes (Agricultura) e Edison Lobão (Minas e Energia). O Brasil quer se tornar autossuficiente em 10 anos.
Brasília - O novo marco regulatório para fertilizantes, que deverá ser apresentado em março, foi tema de reunião entre os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, e de Minas e Energia, Edison Lobão. Segundo Stephanes, algumas questões sobre a exploração de jazidas para este fim precisam de uma legislação nova.
“Há muitas lavras, que formam muitas jazidas, que podem ser colocadas para serem exploradas através de decisões legislativas. Então são todas questões administrativas que têm que ser resolvidas. E há outras que dependem de uma legislação para dar condição melhor para a exploração. Essas dependem do marco regulatório que nós vamos entregar até março”, afirmou o ministro após a reunião com Lobão.
O Brasil importa 90% do potássio que consome para fabricação de fertilizantes, mas uma grande mina da Petrobras no Amazonas pode ajudar a resolver o problema, explicou Lobão. “Nós temos um problema grave que é o do potássio, que está se tentando equacionar por meio de uma mina grande da Petrobras no Amazonas. É também possível importação da Argentina e outras fontes aqui do Brasil, como Espírito Santo”, disse o ministro de Minas e Energia.
Segundo os ministros, o objetivo do novo marco regulatório é estimular a produção de fertilizantes no Brasil, de modo a obter a autossuficiência nos próximos 10 anos.
Agência Brasil

PRÉ-SAL: INDÚSTRIA NAVAL FOMENTA OS NEGÓCIOS DE IMPORTADORES DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
O mercado de petróleo e gás, apontado pelo Governo como "chave para a independência econômica do Brasil", impulsiona também o setor de bens de capital.
As grandes descobertas de petróleo e gás na camada pré-sal na costa brasileira trazem consigo uma volumosa demanda de fornecimento para a indústria naval. Isso inclui também o setor de máquinas-ferramenta e equipamentos, em especial as máquinas de corte, conformação e navipeças.
Empresários do setor já identificaram esta fatia de mercado e, ainda que timidamente - levando em consideração o período pós-crise - se movimentam a fim de preencher essa lacuna. Em 2010, fornecer e/ou aumentar o fornecimento para este mercado será uma das metas das grandes companhias do setor.
A alemã Messer Cutting Systems, empresa com representação no Brasil há mais de 20 anos, comercializou este ano só para o estaleiro Atlântico Sul, em Suape, no Pernambuco, nove máquinas de corte de plasma e oxicorte. O estaleiro é considerado o maior do hemisfério sul. "Além do Atlântico Sul, fornecemos para outro estaleiro em Itajaí, em Santa Catarina. Para 2010, 20% das máquinas comercializadas pela Messer serão para indústria naval", prospecta o CEO da Companhia no Brasil, Ralf Dippold. A relação da Messer com a indústria naval perdura por mais de uma década e aponta números entusiasmantes. De 1996 a 2008 a empresa comercializou 560 máquinas de corte em todo o mundo, destas 61 foram para estaleiros.
Enquanto alguns buscam expandir seus negócios junto a indústria naval, há os que buscam abocanhar uma fatia deste mercado. A também alemã Trumpf é uma delas. Líder em seu mercado de atuação - tecnologia a laser de aplicação industrial - a corporação aposta na eficácia e agilidade da automação para ingressar no mercado de petróleo e gás. "Ou a indústria naval brasileira abraça a automação, ou não dará conta da demanda gerada pela exploração de petróleo e gás nas costas brasileiras", argumenta Walter Mello, diretor de Vendas da Trumpf Brasil. Mello faz ainda um comparativo da indústria naval nacional com as do Exterior, especialmente as asiáticas. "Nosso maior estaleiro é capaz de produzir nove embarcações por ano, enquanto a Hyundai, na Coreia, produz 70", exemplifica.
Esbarrando o perfil nacional de "optar pela mão-de-obra barata" na construção de navios, a Trumpf desenvolveu estratégias de marketing e comercial ofensivas, a fim de convencer seus potenciais clientes das vantagens da implementação dos sistemas automatizados e da sua tecnologia a laser. Após a conquista de grandes clientes, a companhia pleiteará fornecedores das partes interiores dos navios e plataformas, como banheiros, cozinhas, alojamentos, entre outros. "Vemos o mercado naval brasileiro como muito promissor".
Na mesma rota da Messer e da Trump segue a Flow Latino Americana. A companhia representa no Brasil a Flow International Corporation, empresa norteamericana com mais de 40 anos de atividade e atuação em mais de 45 países. No Brasil desde 1999, a filial brasileira atende os mercados emergentes em toda a América Latina com máquinas de corte a jato de água e preparação de superfície.
Segundo o coordenador de Vendas da Divisão de Hidrojato da Flow Latino no Brasil, Marco Canton, a companhia tem participado ativamente desde o início no processo de manutenção de navios e todo tipo de embarcações, plataformas, estruturas metálicas de grande porte, tubulações, parques de tanques de armazenamento, etc. "As possibilidades são grandes e a variedade de aplicações do processo de hidrojateamento tem se mostrado, ao longo dos anos, confiável e economicamente viável, pois substitui com vantagem os processos anteriormente utilizados que não contemplavam as questões de segurança, saúde e meio ambiente", afirma.
A companhia vê o mercado naval offshore não só como oportunidade de expansão e desenvolvimento econômico para o Brasil e, consequentemente para a empresa, mas também a chance de desenvolver entre as empresas do setor uma competitividade saudável. "Com a perspectiva do pré-sal e as volumosas exigências de mercado é fomentada uma competitividade crescente e acelerada que poderá ser bastante positiva, pois certamente é o estímulo necessário para trazer novas tecnologias e desenvolvimentos, visando a melhoria da qualidade, aumento da produtividade, preocupação com o meio ambiente e benefícios sociais provenientes de um aumento significativo da oferta de postos de trabalho", conclui o diretor geral da Companhia, Marcos Ribeiro.
Revista fator Brasil

PETROBRAS ANUNCIA PARTICIPAÇÃO EM FUNDOS PARA CAPITALIZAR FORNECEDORES DO PRÉ-SAL

Nielmar de Oliveira
Rio de Janeiro - Com o objetivo de estimular a participação de pequenos e médios fornecedores no desenvolvimento do setor de petróleo e gás, em particular na região do pré-sal, a Petrobras está participando como cotista de fundos de investimentos em direitos creditórios, destinados exclusivamente a viabilizar o acesso dos dois segmentos a recursos financeiros voltados para a produção de bens e equipamentos.
Em nota, a empresa informa que a primeira série do fundo, que também servirá para estimular a diminuição, no longo prazo, dos custos de produtos e serviços dessa indústria, será administrada pelo banco HSBC e terá recursos no montante de R$ 100 milhões. “O objetivo da Petrobras é que tal fundo atinja, no curto prazo, o montante de R$ 1 bilhão de patrimônio líquido, em múltiplas séries de R$ 100 milhões.”
A empresa informa ainda que já aportou R$ 4 milhões no fundo, de um total de R$ 10 milhões a serem investidos nos próximos meses.
O segundo fundo, sob administração do Banco Pactual, tem de lançamento para este mês e deve atingir patrimônio líquido de R$ 3 bilhões.
Segundo a nota, por meio dos novos fundos, os fornecedores com certificação cadastral da Petrobras e boa avaliação de desempenho na empresa terão o crédito pré-aprovado e poderão adiantar até 50% do valor dos contratos firmados com ela, “em condições e prazos mais vantajosos do que as oferecidas pelo mercado de crédito tradicional”.
Agência Brasil