LEGISLAÇÃO

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Contrabando, descaminho e sonegação estão na mira do fisco
Gilvânia Banker

Cada vez mais, os órgãos tributários fecham o cerco sobre os contraventores, seja na prática de sonegação, contrabando ou descaminho, que consiste na fraude ao pagamento de tributo devido em razão da entrada, saída ou consumo de mercadoria não proibida no País. Recentemente, a Secretaria Estadual da Fazenda apurou uma fraude do ICMS de R$ 5,2 milhões em uma indústria de laticínios no Interior do Estado. O trabalho fiscal foi realizado pela Delegacia Regional de Passo Fundo, que constatou o envolvimento de terceiros, conhecido como laranjas, para encobrir o verdadeiro sócio e gestor da empresa. De acordo com o subsecretário da Secretaria Estadual da Fazenda, Ricardo Neves Pereira, o resultado deste trabalho consiste num forte esquema de combate à sonegação fiscal.

A prova disso está no alto valor de autuações por ano, que giram em torno de R$ 1,5 bilhão. Engana-se quem pensa que somente as grandes instituições estão na mira dos fiscos. De acordo com o subsecretário, todos são fiscalizados, independentemente do porte, e as ações visam a proteger as empresas de práticas concorrenciais desleais que afetam a competitividade do mercado.

A Secretaria Estadual da Fazenda possui um trabalho conjunto com o Ministério Público, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Receita Federal do Brasil. Para aumentar o controle sobre as grandes empresas dos principais setores da economia, a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz/RS) criou a Delegacia Especializada. Hoje, 50 empresas respondem por mais de 50% da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias, que pertencem aos segmentos de operações de altíssima complexidade, tanto tributárias quanto econômicas, e, de acordo com o subsecretário, qualquer erro pode representar a perda de milhões de reais para o Estado. Segundo ele, o segmento como o de Comunicações resultou numa autuação superior a R$ 77 milhões neste ano.

Já a Receita Federal, com operações no Estado, registrou de janeiro a agosto deste ano 447 apreensões de mercadorias contrabandeadas que somam R$ 48 milhões. Para efeito de comparação, durante todo o ano de 2010, o total de apreensões foi de R$ 40,7 milhões. O chefe da Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho (Direp) da Receita Federal na 10ª Região Fiscal, André Luiz Fonseca, explica que, com base na Lei 10.833 de 2003, 50% do que é apreendido deixa de entrar aos cofres públicos em forma de tributação. Portanto, somente neste ano, até o momento, o governo federal deixou de arrecadar R$ 24 milhões.

O crescimento das apreensões pela Receita Federal se deve pela intensificação nas ações em conjunto com a Polícia Federal, Brigada Militar e Polícia Rodoviária. “As equipes de repressão têm metas a cumprir e contam com a parceria do setor de inteligência da Receita”, comenta. Além disso, um dos canais que tem facilitado tanto a divulgação das apreensões quanto às denúncias é o blog da Receita http://direprs.blogspot.com.

Tecnologia é arma contra as fraudes

O contribuinte, quando cai na malha fiscal, acaba enredado com o fisco. E isso acontece graças ao cruzamento de dados nos programas de controle que faz com que os agentes obtenham as informações necessárias. “É quando as informações de bases de dados mostram uma inconsistência ou erro na declaração do contribuinte, como, por exemplo, quando as compras informadas pela empresa são menores que as vendas declaradas por seus fornecedores, ou o faturamento é menor que o anunciado pelas administradoras de cartões de crédito”, elucida Pereira. Conforme ele, com o gerenciamento matricial da Receita, os indicadores setoriais das empresas são acompanhados e comparados com o comportamento de empresas do mesmo setor ou de uma mesma região. Por exemplo, se o indicador de ICMS e faturamento da empresa é inferior ao das empresas do mesmo segmento ou de uma determinada região, a Receita já fica atenta.

Em conjunto com o Ministério Público, são realizadas diversas ações que ajudam a identificar as fraudes estruturadas, ocultas, não identificadas pelos sistemas de informática, como a criação de “empresas laranjas”. Estas informações, explica o subsecretário, sofrem um processo de avaliação, categorização e classificação, a partir do qual são definidas as operações de fiscalização para um determinado trimestre, semestre ou ano, sendo incluídas no planejamento estratégico da Receita Estadual.

Outra ferramenta importante é a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e). Segundo o subsecretário, 100% das empresas que entregam declarações ou que operam com NF-e sofrem alguma espécie de verificação fiscal. Todas as informações formam um grande banco de dados de onde são feitos vários cruzamentos de informações, e o resultado é levado mensalmente para análise e verificação para inclusão nos processos de auditoria fiscal. No caso da Nota Fiscal Eletrônica, no momento de sua autorização online já são feitas diversas verificações que testam a consistência do documento, evitando erros e inibindo fraudes.

Para o Pereira, a tecnologia da informação e as melhorias na gestão têm proporcionado ganhos de eficiência na produtividade da fiscalização, compensando as constantes diminuições no quadro de pessoal ocorridas com as aposentadorias. Atualmente, o número de servidores da Receita Estadual chega a 830 agentes fiscais do Tesouro do Estado (AFTEs), enquadrados na categoria de nível superior, e 1.100 técnicos do Tesouro do Estado (TTE), do nível médio. Em exercício na Receita Estadual são 496 AFTEs e 693 TTEs.

Investimentos garantem mecanismos eficazes

Para combater a sonegação, as administrações tributárias precisam estar amparadas nas modernas ferramentas que a informática oferece. Para isso, são necessários investimentos. O governador Tarso Genro assinou, no dia 29 de agosto, o Profisco, Projeto de Fortalecimento da Gestão Fiscal, num montante de US$ 66 milhões, financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que serão investidos em cinco anos no Estado. “Estes recursos, com certeza, manterão a Fazenda atualizada e preparada para os desafios futuros”, comemora o subsecretário da Fazenda, Ricardo Neves Pereira. O Profisco irá permitir aplicações em sistemas, equipamentos, treinamento e capacitação de servidores, além de uma série de outros componentes para aumentar a arrecadação.

No Estado, de acordo com Pereira, a Fazenda desenvolve dois tipos de ações, a preventiva e a repressiva. As operações preventivas normalmente caracterizam-se pelo uso intensivo da tecnologia da informação que atingem um grande número de empresas. “São ações que visam à autorregularização numa primeira instância, para que, em segundo momento, possam se tornar punitivas”, explica.

Recentemente, a Receita Estadual notificou 3,7 mil empresas optantes pelo Simples Nacional para regularizarem os débitos pendentes sob pena de serem excluídas do programa. Segundo ele, essas ações somente podem ser realizadas com o apoio da tecnologia para aumentar a efetividade e a amplitude da ação. Já o trabalho da repressão envolve a fiscalização externa, realizadas fora das repartições fazendárias, como, por exemplo, as abordagens realizadas em veículos no trânsito de mercadorias, ou mesmo nas fiscalizações in loco realizadas nos estabelecimentos.

Denúncia pode ser feita de diversas formas

Na Secretaria Estadual da Fazenda, as denúncias contra empresas são recebidas por vários canais, como o Disque-Denúncia (0800-541-2323) ou registro via formulário no site www.sefaz.rs.gov.br. Segundo o subsecretário da Fazenda, Ricardo Neves Pereira, as entidades de classe são importantes fontes de informações e, recentemente, foi lançada a operação Atacado Legal para inibir a entrada de produtos de outros estados por empresas em suas filiais no Rio Grande do Sul, a fim de pagar menos imposto. “Esta denúncia veio de entidade ligada ao setor atacadista do Estado”, destaca o subsecretário, e reforça que a Receita Estadual mantém audiências todas as quartas-feiras para o recebimento de pleitos e denúncias formuladas por empresas e entidades de classe.

Calcular o valor que o Estado e a prefeitura de Porto Alegre deixam de arrecadar com a sonegação é o mesmo que dar tiros no escuro, pois sonegar é omitir a informação e, sem ela, os gestores não conseguem estimar os prejuízos aos cofres públicos. De acordo com o secretário municipal da Fazenda, Roberto Bertoncini, o mais difícil de controlar é o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). Porém, a partir de 2012, isso poderá ser resolvido com a implantação da Nota Fiscal Eletrônica, que estima aumentar a arrecadação em 90% em média quando o sistema estiver em pleno desenvolvimento.

Além disso, a prefeitura abrirá concurso público para contratação de novos agentes fiscais. “Essas ações vão nos permitir evoluir muito no combate à sonegação do ISSQN”, anima-se o secretário. A receita do ISSQN atualmente é de R$ 48 milhões, com a NF-e estima-se arrecadar cerca de R$ 90 milhões ao ano. Os outros dois importantes impostos arrecadados pelo município são o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). Segundo Bertoncini, a sonegação sobre o ITBI é muito baixa, mas pode acontecer, e o cerco fiscal recai sobre os cartórios. O município arrecada em média de R$ 15 milhões com este imposto, comportamento que vem aumentando em média de 20% a 25% em razão do aquecimento do mercado imobiliário. Já o IPTU chega a R$ 280 milhões ao ano.

Receita Federal intensifica fiscalização nas fronteiras

A Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho (Direp) da Receita Federal, 10ª Região Fiscal, vem atuando nas questões de inteligência e intercepções de estradas e rodovias. Hoje, as fronteiras no Rio Grande do Sul com Uruguai, Argentina e Santa Cataria são os mais importantes focos de combate. A Direp atua em equipe com a Polícia Federal, Brigada Militar e Polícia Rodoviária Federal. Neste ano, segundo o chefe do departamento, André Luiz Fonseca, foi criado o Núcleo de Repressão ao Contrabando e Descaminho (Nurep), o que ajudou a ampliar o foco nas regiões fronteiriças.

Desde o início de setembro, o blog da Receita Federal vem mostrando as inúmeras apreensões realizadas. A Nurep em Santa Maria, juntamente com policiais dos postos da Polícia Rodoviária Federal de Seberi e Sarandi, na BR-386, apreendeu três ônibus de turismo provenientes de Foz do Iguaçu com mercadorias estrangeiras sem as devidas documentações.

Os produtos eram destinados às cidades de Carazinho e Passo Fundo. O resultado desta ação está estimado em R$ 580 mil. Além desta, outra ação interceptou mercadorias para o comércio em Porto Alegre, resultando em R$ 150 mil. Segundo Fonseca, todos os objetos recolhidos que possuem anuência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são destinados aos órgãos competentes para leilões ou doações. Mas, segundo ele, grande parte é totalmente destruída.

De acordo com Fonseca, os produtos que estão no ranking do contrabando são o cigarro, seguido de CDs, DVDs, óculos de graus e agrotóxicos. As equipes de repressão têm metas a cumprir e possuem parceria com o setor de inteligência da RF. “No ano passado, na operação vinhedos, apreendemos R$ 1,064 milhão em mercadorias”, comenta Fonseca. Este trabalho foi realizado nos estabelecimentos comerciais do camelódromo de Caxias do Sul. Para ele, todo o esforço realizado é para inibir a contravenção, mas talvez o problema nunca acabe. “Enquanto houver comércio ilegal, o contrabando vai continuar existindo.”

Alta carga tributária do País pode ser a causa da sonegação

A alta carga tributária e a deficitária aplicação dos recursos arrecadados em políticas públicas podem ser uma das razões que levam à sonegação. Via de regra, todo o recolhimento de impostos e tributos deve ser destinado à saúde, educação, segurança, estradas e programas de desenvolvimento social. No entanto, o prejuízo com a sonegação recai sobre a própria sociedade.

Conforme o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Administração Tributária do Estado do Rio Grande do Sul (Sindifisco-RS), Luiz Antônio Bins, o grande problema está na contrapartida do Estado com relação aos serviços oferecidos à sociedade. “No Brasil, em que pese à enorme carga tributária, na ordem de 37%, temos péssimos serviços estatais, com enormes déficits de atendimento à sociedade”, alega.
A carga tributária brasileira é uma das mais altas do mundo e ela se resume na maior reclamação dos empresários e contribuintes em geral. O presidente acredita que a diminuição dos tributos traria um efeito positivo aos estados, resultando em aumento das obrigações tributárias e na consequente diminuição da sonegação. Apesar disso, Bins aposta na educação fiscal, desde o Ensino Fundamental até o universitário, além de diversas iniciativas que reforcem a importância do tributo para a sociedade, pois, segundo ele, há um imenso desconhecimento da sociedade sobre a verdadeira importância social do tributo.

A opinião sobre o aumento da sonegação motivada pela alta carga tributária é partilhada pelo próprio subsecretário da Receita Estadual, Ricardo Neves Pereira, ao revelar que, nos setores em que a arrecadação é mais elevada, há “uma tendência para uma maior atratividade à sonegação”. Porém, segundo ele, o próprio mercado identifica estes casos trazendo-os para o fisco com o objetivo de que sejam implementadas medidas de controle para coibir a sonegação.
http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=74157&fonte=nw

CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS

CLASSIFICAÇÃO DOS MÁRMORES
Os mármores são calcários duros, homogêneos, de grão fino, com textura frequentemente cristalina, opacos ou translúcidos.

Os mármores são, na maioria das vezes, diversamente corados por óxidos minerais (mármores de cor ou com veios, mármores denominados “ônix”), mas existem, no entanto, variedades de cor branca pura.

Os mármores, conforme o modo como se apresentam, são classificados na posição 2515 (brutos ou trabalhados de forma mínima) ou na posição 6802 (trabalhados), ou seja:

2515 Mármores, travertinos, granitos belgas e outras pedras calcárias de cantaria ou de construção, de densidade aparente igual ou superior a 2,5, e alabastro, mesmo desbastados ou simplesmente cortados à serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular.

2515.1 - Mármores e travertinos:

2515.11.00 -- Em bruto ou desbastados

2515.12 -- Simplesmente cortados a serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular

2515.12.10 Mármores

2515.12.20 Travertinos

2515.20.00 - Granitos belgas e outras pedras calcárias de cantaria ou de construção; alabastro

6802 Pedras de cantaria ou de construção (exceto de ardósia) trabalhadas e obras destas pedras, exceto as da posição 6801; cubos, pastilhas e artigos semelhantes, para mosaicos, de pedra natural (incluída a ardósia), mesmo com suporte; grânulos, fragmentos e pós, de pedra natural (incluída a ardósia), corados artificialmente.

6802.10.00 - Ladrilhos, cubos, pastilhas e artigos semelhantes, mesmo de forma diferente da quadrada ou retangular, cuja maior superfície possa ser inscrita num quadrado de lado inferior a 7cm; grânulos, fragmentos e pós, corados artificialmente

6802.2 - Outras pedras de cantaria ou de construção e suas obras, simplesmente talhadas ou serradas, de superfície plana ou lisa:

6802.21.00 -- Mármore, travertino e alabastro

6802.23.00 -- Granito

6802.29.00 -- Outras pedras

6802.9 - Outras

6802.91.00 -- Mármore, travertino e alabastro

6802.92.00 -- Outras pedras calcárias

6802.93 -- Granito

6802.93.10 Esferas para moinho

6803.93.90 Outros

6802.99 -- Outras pedras

6802.99.10 Esferas para moinho

6802.99.90 Outras
Cesar Olivier Dalston, www.daclam.com.br. Fonte: NESH e NCM.



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

COMÉRCIO EXTERIOR - 28/09/2011

Comércio com Oriente Médio deve duplicar em cinco anos

Gustavo Machado
São Paulo - O estreitamento de relações entre o mundo árabe e o Brasil, intensificado durante os anos do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, deve continuar a gerar oportunidades de negócios para o empresariado nacional. De acordo com Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, presente ontem na Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, os países da região do Oriente Médio e do norte da África compreendem um dos mercados mais promissores para os produtos nacionais.

Michel Alaby, diretor-geral da Câmara Árabe, conta que em 2003 estipulou-se a meta de que até 2006 a corrente comercial entre os blocos chegasse à US$ 10 bilhões. Depois de alcançada a meta, a projeção foi corrigida. "Pretendemos alcançar US$ 30 bilhões em intercâmbio comercial até 2015", afirma Alaby.

Para chegar a este valor, o comércio entre os países terá de duplicar em cinco anos. Em 2010, a balança comercial entre Brasil e Oriente Médio fechou com total de US$ 15,205 bilhões. Como comparação, o comércio entre Brasil e Mercosul terminou 2010 com US$ 30,524 bilhões negociados.

Neste ano, até agosto, o Brasil exportou US$ 8,069 bilhões para o Oriente Médio, enquanto importou US$ 3,850 bilhões. A corrente comercial de US$ 11,9 bilhões salta para US$ 18,7 bilhões ao somar os países do norte da África, constituindo a Liga Árabe.
Segundo Evaldo Alves, professor de Comércio Exterior da FGV Management, um crescimento de quase 200% em cinco anos pode parecer demasiado. Porém, a aproximação econômica entre o bloco e o Brasil permite que o valor não seja surpreendente. "É perfeitamente viável. Nossa exportação para os países emergentes cresce rapidamente", anima-se o economista.

Além do crescimento singular, o País não encontra barreiras na Liga Árabe contra seus produtos manufaturados. De acordo com Welber Barral, ex-secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o Brasil possui três frentes de negócios com alto potencial de desenvolvimento na região. "Primordialmente, produtos agrícolas, principalmente frango. Em segundo, produtos industrializados. E em terceiro, a área de serviços para construção civil", diz.

Embora nos países próximos ao Golfo Pérsico, os mais ricos devido à exploração do petróleo, haja uma guerra de preços, Welber conta que o comércio local está aberto a produtos diferenciados. "As áreas de cosméticos, calçadista e têxtil têm menor dificuldade de entrar nesse mercado", afirma. Para o consultor, há também uma expansão da renda na região, semelhante à ocorrida no Brasil nos últimos anos. "Muitos países passam por crescimento da classe média, demandando maior volume e melhores produtos", explica.

A área de construção civil é uma das mais exploradas por empresas brasileiras no norte da África. Segundo Barral, projetos de construção de hidrelétricas, barragens e obras de infra-estrutura são, em grande parte, concebidos por companhias tupiniquins. "Isso aumenta importação de tratores, caminhões, gasolina, produzidos aqui", diz. Com a série de revoltas nestes países, conhecida como primavera árabe, algumas obras foram paralisadas. Na Líbia, com os confrontos entre rebeldes e aliados de Kadafi, uma companhia brasileira teve de interromper suas operações. Entre os contratos, estavam as construções de um aeroporto e da malha metroviária da capital Trípoli.

Segundo o ministro Fernando Pimentel, o empresariado brasileiro deve voltar seus olhos para novos mercados. "O Brasil é bem visto no mundo árabe. Somente até agosto, nossos negócios cresceram 31%", afirma o ministro.

No setor alimentício, a Liga Árabe constitui o segundo maior importador de produtos agrícolas. De acordo com Michel Alaby, os países estão abertos para a qualidade da produção brasileira. "Já temos competência, notoriedade, marca nesta área. A marca dos alimentos do Brasil", afirma. Segundo Alaby, frango, carne, milho, soja, açúcar e café possuem maior possibilidade de expansão no mercado árabe.

Para Evaldo Alves, há realmente uma aproximação econômica grande entre os países árabes e o Brasil.
Aproximação que não se enxerga na política. "Do ponto de vista econômico, são países que estão em crescimento, mas a região é um pouco instável", comenta. Alves afirma, no entanto, que as revoltas da "Primavera Árabe" devem acabar, devolvendo a região à normalidade. "Exceto a Líbia, que não tem participação tão relevante no intercâmbio comercial com o Brasil, a região voltará se acalmará", diz.
Alaby também afirma que produtos com o selo "verde", ou seja, de origem sustentável, terão espaço no Oriente Médio. "Este é um mercado que não é explorado pelo brasileiro. Além de haver procura, não existe a concorrência chinesa. Eles sabem que os chineses não se preocupam com esses aspectos", afirma. Segundo Barral, secretário do Mdic até o final de 2010, este nicho não foi identificado por sua equipe enquanto trabalhava no ministério. "Talvez possa ter uma mudança de tendência. O grande mercado 'verde' é a Europa", diz.
http://www.dci.com.br/Comercio-com-Oriente-Medio-deve-duplicar-em-cinco-anos-6-392371.html





Exportações de frango batem recorde

As exportações de frango paranaenses bateram recorde no mês de agosto, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Ao todo, foram embarcadas para o exterior 93,58 mil toneladas de carne de frango, o maior volume no ano, que geraram para o Paraná US$ 180,36 milhões em divisas – um recorde histórico.

Isso representa um aumento de 14,52% no faturamento com relação ao mês anterior (US$ 157,48 milhões) e de 21,66% se comparado a agosto do ano passado (US$ 148,24 milhões). Já o preço da tonelada subiu 15,24%, passando de US$ 1.672,21 para US$ 1.927,21, entre agosto de 2010 e o deste ano.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, um dos motivos para o crescimento é o câmbio mais favorável. Além disso, o Paraná encabeçou em agosto pelo terceiro mês consecutivo o ranking dos estados exportadores do produto em volume – entre os oito meses analisados, em cinco o estado esteve no topo. A produção paranaense teve um avanço de 5,49% quando comparados os números de agosto de 2010.
http://www.bemparana.com.br/index.php?n=191965&t=exportacoes-de-frango-batem-recorde





Indústria de Santa Catarina é afetada pela aftosa, diz exportador

Exportadores de cereais e oleaginosas do Paraguai querem que Estado volte a permitir entrada de grãos paraguaios

Agência Estado

Exportadores de cereais e oleaginosas do Paraguai esperam que, a exemplo dos demais Estados brasileiros, Santa Catarina volte a permitir a entrada de grãos do país quando comprovado que não se originam de região de febre aftosa e que passaram por processo de fumigação.

Esta é a condição para o trânsito de mercadorias - exceção de carne bovina in natura - no corredor sanitário estabelecido pelo governo brasileiro na fronteira paraguaia com os Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul.

Para proteger seu status de único Estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação, Santa Catarina baixou um decreto na última quarta-feira suspendendo por 15 dias a entrada de produtos e subprodutos de origem animal e vegetal vindos do Paraguai. Para Sonia Tomassone, assessora de comércio exterior da Câmara Paraguaia de Exportadores de Cereais e Oleaginosas (Capeco), a medida é equivocada porque os grãos não são fonte de transmissão do vírus.

"Santa Catarina está prejudicando sua própria indústria ao não permitir o ingresso de milho e farelo de soja", disse ela, que participou em São Paulo do seminário "Commodities e Agregação de Valor: a contribuição do Mercosul", promovido pelo Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone).
Segundo Sonia, a restrição compromete um comércio de 1 milhão de toneladas. A representante da Capeco diz que, até o momento, o foco de febre aftosa no departamento de San Pedro teve reflexos apenas no comércio com os catarinenses.

"A União Europeia, destino de 60% dos grãos exportados pelo Paraguai, não pediu qualquer certificação adicional. Só o Uruguai, para onde mandamos trigo e milho, pediu esse certificado, que garante que esses produtos não provêm de áreas de aftosa", disse Sonia. A executiva acrescentou que o Paraguai está tomando todas as medidas determinadas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), com abate de animais contaminados.

"Estamos pedindo também que a OIE reconheça a regionalização do vírus. Isso permitiria que outras regiões do país não tivessem dificuldades na exportação." Segundo a Capeco, os grãos representam 80% das exportações do Paraguai.
http://economia.ig.com.br/empresas/industria/industria-de-santa-catarina-e-afetada-pela-aftosa-diz-exportador/n1597244272055.html



 

Grupo de 40 empresas concentra 54% das exportações

De janeiro a agosto, 40 empresas foram responsáveis por 53,9% das exportações brasileiras, uma concentração que preocupa operadores de comércio exterior

Agência Estado

De janeiro a agosto, 40 empresas foram responsáveis por 53,9% das exportações brasileiras, uma concentração que preocupa operadores de comércio exterior. Dos US$ 166,713 bilhões exportados no período, US$ 89,863 bilhões vieram de transações feitas por este grupo restrito de empresas, de acordo com números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) dão conta de que no ano, até agosto, a lista completa de exportadores era composta por 17.005 empresas, o que significa dizer que 16.965 responderam pelos 46,1% restantes de todo o produto de exportação brasileiro, o equivalente a US$ 76,849 bilhões.

"Nos últimos anos o Brasil diversificou os mercados para os quais exporta, mas a pauta de exportação se concentrou em um grupo muito pequeno de empresas e, basicamente, sobre apenas quatro produtos", diz José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB, referindo-se a petróleo, minério de ferro, carnes (bovina e de frango) e soja. Esta concentração, de acordo com o presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), Primo Roberto Segatto, tem muito a ver com o aumento dos preços das commodities no mercado externo nos últimos anos.
Segatto tem números mais recentes que os do MIDC mostrando que até a terceira semana de setembro as exportações de semimanufaturados no ano cresceram 43% em relação a igual período do ano passado, puxadas por óleo de soja, aço, ouro, couros e peles, açúcar e celulose. Os embarques de produtos primários cresceram 38%, com destaque para fumo em folha, milho em grão, café, carnes de frango e bovina e petróleo. Já os manufaturados, compostos por veículos de passeio, aparelhos e máquinas de terraplenagem, autopeças e polímeros plásticos, cresceram apenas 14%. "Essa concentração é ruim porque desmonta a teoria da pulverização: é melhor, especialmente em momentos de crise, termos muitos que exportam pouco do que poucos que exportam muito", lamenta o presidente da Abracex.

Castro, da AEB, entende que o que ocorreu no Brasil foi uma "elitização" do comércio exterior. Para ele, não é saudável que um grupo formado por Vale, Petrobras, Bunge e Cargill responda por 27,17% das exportações registradas de janeiro agosto, conforme mostram os dados do MDIC. A participação da
Vale no total passou de 10,51% no acumulado de janeiro a agosto do ano passado para 13,20% em igual período deste ano. A participação da Petrobras subiu de 9,15% para 9,58%. A Bunge passou 2,47% para 2,69%. E a Cargill até reduziu sua participação, de 1,75% para 1,70%, mas continua na quarta colocação. Sozinhas, essas quatro empresas respondem por pouco mais da metade das exportações do grupo de 40 que respondem por mais da metade de todas as exportações brasileiras.

De acordo com os dados do MDIC, a Vale exportou US$ 22,001 bilhões nos primeiros oito meses de 2011, ou 66,6% a mais sobre os US$ 13,248 bilhões acumulados de janeiro a agosto de 2010. A Petrobras acumulou vendas de US$ 15,969 bilhões, 38,41% a mais que em idêntico período do ano passado. As exportações da Bunge cresceram 43,75%, passando de US$ 3,116 bilhões para US$ 4,479 bilhões. E a Cargill, embora tenha reduzido a participação no total das exportações, viu seus valor embarcado crescer 28,73%, de US$ 2,204 bilhões para US$ 2,837 bilhões.

Na outra ponta, empresas exportadoras de produtos manufaturados, com maior valor agregado, estão vendo a fatia nas exportações cair. A participação da Embraer caiu 1,82% de janeiro a agosto do ano passado para 1,31% no mesmo período deste ano. Em valores, a queda foi de 4,94%, de US$ 2,295 bilhões para US$ 2,181 bilhões. A Braskem, de acordo com os números do MDIC, elevou em 14,94% as vendas em valores, de US$ 1,652 bilhão para US$ 1,899 bilhão, mas viu sua participação no total das exportações recuar de 1,31% para 1,14%. Já participação da Volkswagen, no mesmo período, recuou de 0,88% para 0,71%.
http://economia.ig.com.br/empresas/grupo-de-40-empresas-concentra-54-das-exportacoes/n1597243047817.html





Os riscos das importações no Brasil

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, que o crime de descaminho - em que a mercadoria entra no país sem o devido recolhimento dos impostos - tem natureza tributária. Os ministros reconheceram que o pagamento dos tributos antes da denúncia extingue a sua possibilidade de punição.

A decisão é louvável, pois põe uma pá de cal na discussão jurisprudencial que envolve o tema. No entanto, não tratou da causa das autuações envolvendo importações supostamente irregulares e denúncias de descaminho, restringindo-se a tratar da confusão gerada pela imprecisão e complexidade da legislação, que cria diferentes entendimentos por parte das autoridades fiscais.

Existem três modalidades de importação: por conta própria, por conta e ordem e por encomenda. Todas suscetíveis a interpretação. Importar no Brasil é uma tarefa das mais arriscadas, ainda que, paradoxalmente, sejamos um país bastante dependente de produtos e serviços importados.

Na modalidade de importação por conta própria, o importador assume o risco do negócio e faz a aquisição das mercadorias no exterior, arca com os custos referentes à importação e vende as mercadorias no mercado interno a quem quiser.

É fundamental que o entendimento do STF passe a orientar as futuras decisões

Quando se fala em conta e ordem, um terceiro contrata o importador para lhe prestar um serviço de nacionalização das mercadorias e arca com os custos referentes à importação. Cabe ao terceiro dizer o que quer, quando quer e suportar todos os custos para tanto, adiantando recursos para o importador fazer as compras.

Já no caso da importação por encomenda, o importador é contratado por um terceiro, faz a aquisição das mercadorias com recursos próprios - podendo fechar o negócio no exterior ou não - e as revende para este mesmo terceiro.

A principal diferença fiscal dessas modalidades está na carga tributária do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que também será devido pelo terceiro em caso de importações por conta e ordem e por encomenda.

Cada uma dessas sistemáticas tem inúmeras variáveis, cujas operações podem ser, regular ou irregularmente, descaracterizadas pelo Fisco. Quando isso ocorre é aplicada multa equivalente ao valor da mercadoria importada e são feitas acusações de interposição fraudulenta ou ocultação de real adquirente - ilícitos fiscais que, na esfera penal, geram a acusação de crime de descaminho.

Quando não existia a modalidade de importação por encomenda (criada em 2006), a insegurança era maior. As empresas que eram contratadas para importar determinada mercadoria informavam à Receita Federal que estavam promovendo uma importação por conta própria, já que arcavam com os custos da importação e baseavam seu ganho na diferença entre o valor de compra, mais custos, e o valor de revenda das mercadorias, ainda que a venda fosse efetuada para pessoa já pré-determinada.

No entanto, o Fisco passou a entender que o simples fato de não identificar o terceiro para o qual a mercadoria seria revendida era fraude - mesmo que todos os custos da importação fossem arcados pelo importador -, gerando inúmeras autuações fiscais e processos criminais de descaminho.

O quadro ficou ainda pior porque, por muito tempo, os auditores fiscais também argumentavam que qualquer valor adiantado oferecido como forma de garantir o negócio - transação comercial, devidamente regulada pelo Código Civil - seria antecipação de recursos para o importador, fato que enseja a aplicação da presunção legal de importação por conta e ordem de terceiros e aplicação das já citadas penalidades. O espectro de negócios corriqueiros que sujeitariam os contribuintes a atuações é assombroso, indo desde casos de equipamentos necessários à manutenção da vida de pessoas até carros e outros bens de consumo.

A decisão do STF é positiva e pedagógica, a um só tempo. Positiva porque indica que a caracterização do descaminho não depende de meras conjecturas e ilações do Fisco. A comprovação de que as partes envolvidas atuaram intencionalmente com o objetivo de deixar de pagar tributos é indispensável; pedagógica na medida em que permite àqueles que participam do comércio exterior seguir com seus negócios menos receosos de serem surpreendidos por interpretações tendenciosas cujo objetivo é apenas incrementar a arrecadação.

Não se pode confundir dolo com um suposto erro causado por incertezas e decorrente de interpretações contraditórias das autoridades fiscais. Mais do que isso: não se pode confundir a prática de negócios legais e usuais com estruturas cujo objetivo é pagar, ilicitamente, menos tributos.

O STF vem absolvendo os contribuintes em situações em que se tornaram vítimas de um sistema confuso, como nos casos de guerra fiscal. A decisão a respeito dos crimes de descaminho é mais um exemplo. É fundamental que o parecer do Supremo passe, a partir de agora, a orientar as decisões futuras a respeito do tema.

Igor Nascimento de Souza e Pedro Lucas Alves Brito, advogados do Souza, Schneider, Pugliese e Sztokfisz Advogados
Valor Econômico




Regras para importação de gás

A ANP publicou novas disposições sobre a autoimportação de gás natural, complementando a Lei do Gás. A Resolução nº 50 estabelece os critérios para acesso de terceiros aos terminais de GNL.

De acordo com a resolução, o agente operador do terminal de GNL poderá, ao seu critério, permitir o acesso de terceiros a suas instalações. Nesse caso, o contrato deverá explicitar os termos e condições gerais de prestação do serviço; as capacidades de armazenamento, liquefação, regaseificação e movimentação contratadas; a remuneração do serviço; solução de controvérsias; condições de faturamento e pagamento e o prazo de vigência.

Os dutos que interligam terminais à malha de transporte serão considerados partes integrantes dos terminais, desde que dedicados exclusivamente à planta de GNL. Caso o gasoduto passe por potenciais mercados e concorra com a malha de transporte planejada no âmbito do plano decenal de expansão, o empreendimento poderá ser classificado como “gasoduto de transporte”.
Gás Brasil




Importação de gasolina cresce 300%

A Petrobras estima que irá encerrar este ano com a importação média de 30 mil barris por dia de gasolina. É um aumento de 300% em relação aos 7 mil bpd de gasolina comprados no exterior no ano passado. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (26/9) pelo diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa.

Segundo o executivo, a empresa já encomendou uma nova carga de gasolina para atender o aumento do consumo e compensar a redução do porcentual de etanol misturado ao combustível. "Precisamos importar mais por causa da redução do etanol na gasolina e do aumento do consumo da gasolina que este ano está acima de 10%", disse. O volume total deve ficar em torno de 600 milhões a 800 milhões de litros.

A capacidade de produção da companhia está no limite e não há previsão de melhora no curto prazo. A refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, está prevista para começar a operar no fim de 2012. Segundo Paulo Roberto Costa, 40% de suas obras concluídas.

A planta concentra a maior parte dos investimentos em refino, junto com o Comperj, cujo primeiro trem está previsto para operar em 2013. Já a Premium I, no Maranhão, ainda está em fase de terraplanagem e teve sua inauguração adiada para 2016. O projeto básico da Premium II, no Ceará, vai ser terminado em outubro, segundo o executivo. A unidade deve começar a produzir em 2017.
Gás Brasil




Consulta à Receita será vinculante

A Receita Federal publicará em outubro duas novas medidas com o objetivo de oferecer maior segurança jurídica aos contribuintes, em especial às empresas que realizam operações com coligadas no exterior. Uma das novidades é a criação de uma espécie de súmula vinculante administrativa. O que significa dizer que quando uma empresa consultar a Receita para esclarecer dúvida sobre a aplicação de alguma norma, a resposta orientará os fiscais e empresas de todo o país. Hoje, as soluções de consulta, como são chamadas, valem apenas para determinada região fiscal e só para a companhia que buscou a avaliação do Fisco.

Além disso, uma medida provisória será editada para estipular novas margens de lucro para o cálculo do Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) nas operações de empresas brasileiras com coligadas no exterior. A norma vai alterar a Lei nº 9.430, de 1996, que regula o preço de transferência - cujo objetivo é impedir que empresas nacionais reduzam os valores de importados de coligadas no exterior para pagar menos IR e CSLL. A nova MP instituirá margens de lucro indicadas por entidades setoriais.

As informações foram anunciadas pelo secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, durante o XI Congresso Internacional de Direito Tributário de Pernambuco, finalizado na sexta. Sobre a solução de consulta vinculante, o secretário afirmou que será emitida pela Secretaria da Receita Federal em Brasília e publicada na íntegra, mas de forma que não permita a quebra do sigilo fiscal do contribuinte. "Quando isso ocorrer, será publicado um parecer normativo com o mesmo efeito da solução de consulta", disse. Atualmente, só é publicado um resumo da solução de consulta.

Para o jurista e tributarista Paulo de Barros Carvalho, a solução de consulta vinculante é fundamental para o equilíbrio entre Fisco e contribuinte. "Hoje, o contribuinte faz a consulta e, às vezes, não vem resposta. Outras vezes demora mais de um ano para receber a solução", disse. Segundo o jurista, ele pediu ao secretário que fosse fixado um prazo para a Receita dar uma resposta com amplitude nacional, ou prevaleceria o entendimento do contribuinte. "Infelizmente, esse adendo não foi acolhido", afirmou. A especificidade do negócio de cada empresa será uma das dificuldades enfrentadas pelo Fisco para emitir uma solução de consulta vinculante. Para Carvalho, a equipe da Receita que vai formular tais respostas terá que saber como reconhecer essas peculiaridades.

Já a norma sobre preço de transferência será alterada para tentar diminuir o volume de litígios sobre o tema entre Fisco e contribuintes. "Vamos rever essa legislação para instituir maior segurança jurídica", afirmou o secretário da Receita. Conforme informou ao Valor, entidades representantes de cada setor estão sendo ouvidas para ser feita a revisão das margens de lucro usadas para o cálculo dos tributos. "Essas novas margens constarão da própria lei, mas o contribuinte que não concordar poderá apresentar um novo percentual, comprovado por estudo, para aprovação da Fazenda."

A presidente do Instituto Pernambucano de Estudos Tributários (Ipet), Mary Elbe Queiroz, lembra que, em 2009, a Medida Provisória nº 478 tentou alterar o cálculo do preço de transferência, mas não foi convertida em lei a tempo. A MP havia sido aprovada às vésperas do fim do ano, entre disposições sobre outros temas. Dessa vez, com a prévia discussão com as entidades setoriais espera-se uma norma mais condizente com a realidade das empresas. "Isso marca uma nova era do relacionamento entre Fisco e contribuinte", comentou o professor e tributarista Heleno Taveira Torres, que foi homenageado no congresso. Ele também afirmou que a Receita Federal abrirá uma oportunidade para as empresas pagarem os tributos de acordo com um segundo método de cálculo de preço de transferência, caso o primeiro seja desconsiderado pelo Fisco, evitando assim autuações e litígios. (A repórter viajou a convite do Instituto Pernambucano de Estudos Tributários - Ipet)
Valor Econômico



PORTOS E LOGÍSTICA - 28/09/2011

Declaração de exportação do Pecém sai em 3h e bate recorde

Movimentação no Porto do Pecém é crescente, e melhoria no atendimento para liberação das exportações está sendo reconhecida por empresários.

Unidade no Pecém opera com Alfândega desde fevereiro, mas ganhará novas instalações até dezembro.

Crucial para a dinâmica portuária, o tempo de carga e descarga em qualquer porto do mundo é um indicador de agilidade dos terminais. No Pecém, onde a movimentação vem batendo recordes a cada mês, a declaração de exportação - um dos documentos necessários para viabilizar este processo - tem a melhor média de tempo do País: cerca de 3 horas.

A informação é do inspetor-chefe do posto da Alfândega no Porto, Carlos Wilson Azevedo, o qual afirmou que a tendência é melhorar a marca a partir da mudança para as novas instalações da Receita Federal, prevista para o fim deste ano.

Mercadorias gerenciadas

Wilson contou que a independência administrativa do posto do Mucuripe foi o acontecimento primordial para a conquista desta agilidade funcional, pois a equipe dele passou a realizar o gerenciamento das mercadorias, podendo, inclusive, promover pequenas licitações e pequenos pregões. "Agora, provavelmente, devemos perder apenas para aeroportos, mas não nos comparamos com nenhum porto brasileiro", garantiu o inspetor-chefe. Segundo ele, a média de tempo anunciada abarca os três canais (verde, laranja e vermelho) pelos quais podem passar os produtos antes de serem enviados ao exterior.

Wilson explicou ainda que o número de cargas incidentes em cada um dos canais e os critérios usados pelo sistema da Receita para selecionar os caminhões a serem vistoriados são "segredo de Estado".

Códigos de liberação
No entanto, revelou que "a grande maioria das cargas" passa pelo verde, onde não é necessária nenhum tipo de investigação. Para os outros a média varia, principalmente no vermelho, onde, além de conferir os documentos apresentados pelo exportador, os fiscais conferem o conteúdo dos caminhões.
Outro motivo para esta agilidade, segundo apontou o inspetor-chefe, é "o interesse do País em importar".

"Agora, se o importador retira todas as licenças com a CearáPortos e as outras empresas e não dá entrada na Receita, não há como medir este prazo", observa Wilson.

Ele ressalta ainda que, o tempo de emissão dos documentos providenciados pela administradora do Porto não tem relação com a média da Alfândega.

Importação

Já para a emissão da declaração de importação, o tempo médio da Receita no Pecém aumenta para cerca de três dias, segundo os dados apresentados por Wilson. Ele atribui esta inflação à maior incidência das cargas na fiscalização, o que finda por ser reflexo da política brasileira para inibir a compra de artigos estrangeiros. O processo ainda conta com um número maior de canais: quatro ao todo (verde, amarelo, vermelho e cinza).

Entre os artigos mais visados e que caem com maior frequência no sistema estão eletrônicos e brinquedos chineses, bebidas quentes e "produtos de alto valor agregado".

Movimentação

Entre os estados da 3ª região da Receita Federal (Ceará, Piauí e Maranhão), Wilson destaca o Pecém como o melhor, movimento, o equivalente a três vezes a quantidade de contêineres do Mucuripe. "Nós só nos assemelhamos aos terminais da 4ª região (RN, PA, PE e AL), que têm a média de importação melhor que a nossa", informou.

Infraestrutura

E a dinâmica da Receita Federal tende a ser potencializada com a nova infraestrutura que está sendo preparada para o órgão, segundo o inspetor-chefe. Previsto para ter as obras terminadas no fim deste ano, o Bloco de Utilidade e Serviços (BUS) da Ceará Portos irá abrigar as novas instalações da Alfândega do Porto do Pecém, pondo fim em dois anos de espera. Com 70% concluídos, de acordo com o diretor de implantações da empresa, Luiz Hernani de Carvalho, o BUS terá dois andares construídos em uma área de 1.250 m² e oferecerá aos funcionários da Receita 800 m²."Uma coisa é trabalhar em uma estrutura improvisada, como agora. Nós vamos apresentar uma produtividade e um desempenho melhor com a infraestrutura que teremos", ressaltou o inspetor-chefe da Receita, levantando ainda a possibilidade de poder ampliar o número de 22 funcionários da unidade do Terminal do Pecém e, assim, diminuir mais o tempo dos documentos emitidos.

Além das instalações do órgão federal, a CearáPortos almeja que também estejam no BUS restaurante com capacidade para 200 pessoas, uma agência dos Correios, cartório, além de uma locadora de veículos e agências bancárias do Banco do Brasil e do Bradesco, os quais já negocia a locação do espaço.

O modelo de locação das demais salas ainda está sendo estudado, segundo o diretor da Ceará Portos e só será divulgado com o término das obras. Atualmente, estão sendo feitos os acabamentos do prédio e a coberta - motivo do atraso por conta da licitação exclusiva para sua realização - ainda não iniciou.

Cães treinados

Nesta mesma perspectiva, a Receita anunciou a criação um centro de cães de faro que será montado no Pecém para evitar envios de cargas ilegais, como drogas. A previsão é de que esteja finalizado no meio do ano que vem também.

Bloco de utilidades

60 por cento é quanto já foi realizado da obra do Bloco de Utilidades e Serviços (BUS) no Porto do Pecém

DESBUROCRATIZAÇÃO

Exportadores confirmam agilidade

Receita Federal e produtores têm dialogado a fim de facilitar o envio de cargas para fora do País

Os exportadores que enviam mercadorias através do Porto do Pecém, especialmente os fruticultores, ratificam a crescente agilidade nos processos para despachar os produtos. De acordo com Euvaldo Bringel, presidente do Instituto Frutal, está havendo um constante diálogo entre os produtores e a Receita Federal, no sentido de superar a burocracia e dar mais celeridade ao envio das mercadorias para fora do País, as quais, geralmente, são bastante perecíveis e precisam chegar no destino no menor tempo possível.

"Eles estão mantendo um relacionamento muito proativo com a gente, e têm atendido às nossas demandas", garante o presidente da Frutal.

Uma das ações citadas por Bringel é a escalação de fiscais do órgão em horários diferenciados, suprindo as necessidades dos exportadores. Dessa forma, os caminhões carregados de frutas passam a ser inspecionados mais rapidamente, e a espera no pátio do porto fica bem menor.

Dificuldades menores

O presidente da Frutal destaca que o Porto do Pecém vem contornando as dificuldades a partir dos investimentos em infraestrutura que vêm sendo realizados no local. Essas melhorias têm favorecido o comércio exterior cearense.

"O Pecém tem melhorado sua infraestrutura, e é por isso que ele segue como o maior exportador de frutas do País. Isso mostra a qualidade do trabalho de articulação que está sendo feito por lá", afirma. No acumulado do ano até agosto, as exportações no Pecém já cresceram 20%, com relação a igual período do ano passado.
Portos e Navios



 
Lloyd’s List Award premia indústria marítima e reconhece terminal brasileiro

A Portonave S/A - Terminais Portuários de Navegantes está entre os seis melhores operadores portuários do mundo, segundo a premiação Lloys’s List Awards, Global 2011, considerado o Oscar do setor marítimo. O Terminal foi o único representante brasileiro na categoria Operador Portuário.

Lloyd’s List, jornal britânico especializado em indústria marítima, é o organizador da premiação internacional, que é voltada para as principais empresas marítimas e os grandes empreendimentos portuários que promovem ações sustentáveis. O resultado foi divulgado no dia 20 de setembro, durante um jantar no Hilton London Park Lane, em Londres, na Inglaterra. O vencedor na categoria Operador Portuário foi Krishnapatnam Port Company, da Índia.
A categoria para a qual a Portonave foi indicada reconhece a empresa, ou autoridade portuária, que manteve os mais altos padrões de eficiência operacional e de serviço ao cliente ao longo do ano.
"A Portonave é um Terminal com menos de quatro anos de operação e estar no mesmo nível para competir com os principais terminais portuários do mundo é excelente. São indicações como esta que nos fazem perceber que estamos no caminho certo, mas isso só é possível porque temos uma equipe unida e que trabalha para fazer sempre o melhor", avalia o diretor-administrativo da Portonave, Osmari de Castilho Ribas.
Os finalistas foram avaliados pelo compromisso com os clientes, valores dos serviços oferecidos, eficiência nas operações, questões de segurança e ações ambientais.
Guia Marítimo




Economia impulsiona mercado de logística

Via Brasil, que atua nos portos do Estado, planeja investir mais.

Pernambuco é um dos estados que mais cresce no Brasil e essa onda de desenvolvimento tem impulsionado muitas empresas a ampliarem suas áreas de atuação. Foi o que aconteceu com a pernambucana Via Brasil, que atua no ramo de transporte de cargas de grandes volumes, levando as mercadorias dos portos do Recife e de Suape para o restante do País. Criada em 2004, a empresa vem apresentando altas taxas de expansão e tem como meta crescer entre 20% e 25% nos próximos anos, além de investir ainda mais em Suape.

Um dos sócios da Via Brasil, Mauro Silva contou que, antes de montar a empresa junto com o sócio, já atuava no ramo de transportes rodoviários de grandes cargas, mas em uma empresa multinacional. A experiência adquirida auxiliou bastante na hora de conquistar clientes. “Começamos a operar com duas grandes empresas apenas, mas, ao longo dos anos, alguns clientes, inclusive da multinacional, foram migrando para a Via Brasil e também adquirimos outros”, explicou. Hoje, a empresa é uma das maiores captadoras de carga dos dois portos de Pernambuco. “Nós também trabalhamos com cargas industrializadas, fazendo a tranferência delas para os seus consumidores”, acrescentou.

Todo esse crescimento fez com que o grupo também criasse a Via Log, empresa que oferece serviços de armazenagem e gestão logística de mercadorias. “Também temos uma área de dez hectares em Petrolina onde operamos com as frutas que saem da região em direção ao porto. Nesse Recinto de Despacho para Exportação (Redex), nós já fazemos a guia de exportação, que permite que a entrada da mercadoria direto para o navio”, disse.
Portos e Navios





MINISTRO DO DESENVOLVIMENTO ANUNCIA REGULAMENTAÇÃO DO REINTEGRA PARA INÍCIO DE OUTUBRO

O decreto que regulamentará o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), criado pela Medida Provisória nº 540/11 para ressarcir parcial ou integralmente o resíduo tributário existente na cadeia de produção da pessoa jurídica produtora que efetue exportação de bens manufaturados, está pronto e deve ser publicado no início de outubro, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.

Durante almoço promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), nesta segunda-feira (26), o ministro disse que o mercado não terá alíquotas diferenciadas, uma vez que o decreto fixará em 3% o percentual para todos os créditos. De acordo com Pimentel, tal benefício e a mudança ocorrida na taxa de câmbio em relação ao dólar - que na sua previsão deve chegar ao final do ano no patamar de 1,70 - contribuirão para as exportações.
O ministro também justificou para os executivos presentes no evento que a elevação do IPI para veículos foi uma medida "emergencial, uma penalização para as empresas que simplesmente importam e não produzem aqui", uma vez que a indústria nacional tem capacidade de produção.

Guerra Fiscal - Questionado sobre as ações para solucionar a guerra fiscal dos portos, o ministro disse que há uma verdadeira confusão tributária instalada no País. "O arcabouço tributário é claramente disfuncional para um país que está entre as potências do mundo", afirmou ao considerar que os Estados usam de forma predatória sua atribuição de legislar para fazer a chamada guerra fiscal. Porém, acredita que o ano legislativo não terminará sem ter a questão resolvida, em função dos projetos no Senado para corrigir distorções.

Novos Padrões - Durante palestra na CCAB, o ministro analisou que, além da crise atual, há fenômenos mais profundos, relacionados a processos de transferência da economia que motivam a desorganização financeira. O primeiro deles é a mudança do paradigma industrial, substituído pelo padrão China e sua capacidade de produzir qualquer bem com o menor custo. "O bloco asiático é capaz de produzir tudo mais barato, então vamos ter de nos adaptar a essa nova realidade", disse.
Outro aspecto de transformação considerado pelo ministro está relacionado à mudança do padrão monetário internacional, ou seja, o enfraquecimento do dólar como moeda internacional. Segundo Pimentel, a economia global do século 21 não se acomodará no modelo do século passado. "É uma questão de tempo, não se pode dizer quanto, mas o mundo mudará o padrão, seja para uma cesta de moedas ou outro caminho, mas certamente não vamos passar outro século com trocas internacionais regidas pelo dólar".

O terceiro ponto analisado diz respeito à mudança no padrão de consumo, em que se tem a transferência do dinamismo do hemisfério Norte para o Sul. "O Norte esgotou sua possibilidade de crescimento de consumo. Tudo indica que o mercado propulsor da economia mundial está no Sul", afirmou Pimentel.

Oportunidade - Nesse cenário, o ministro considera que as nações líderes neste século seguirão novos padrões, com a característica de possuir território com recursos naturais; população que forme contingente para o mercado consumidor; tecnologia para o desenvolvimento da indústria e um regime democrático, que possibilite a segurança econômica. "Poucos países do mundo têm essas características e o Brasil é um deles", comparou o ministro ao defender o Brasil como um bom parceiro nos negócios. (Redação: Andréa Campos)
Aduaneiras

Incoterms versus Siscomex
Paulo Werneck

Os Incoterms, termos comerciais internacionais, em Inglês International Commercial Terms, donde a sigla, são treze, cada qual representado por uma sigla de três letras.

A finalidade dos Incoterms é facilitar a negociação entre comprador-importador e vendedor-exportador, melhorando a compreensão por ambas as partes do que está sendo negociado e simplificando a própria redação dos documentos utilizados no processo, como as faturas pro forma (pro form invoices) e a fatura comercial (commercial invoice).

Como?

A Câmara de Comércio Internacional (International Chamber of Commerce, ICC) definiu o conjunto de termos ainda em 1936, com base nas práticas comerciais mais usuais, estabelecendo para cada sigla um conjunto de obrigações para cada parte e fixando em que momento a mercadoria sai da responsabilidade do vendedor e passa à do comprador.

No Incoterm FOB, por exemplo, esse momento ocorre quando a mercadoria ultrapassa a amurada do navio. Se esta sofrer um acidente durante a operação de carga, a perda será do vendedor se o acidente ocorrer antes da transposição da amurada, do comprador, caso contrário.

Essas definições foram sendo sucessivamente revisadas, para acompanhar a evolução do comércio e eliminar dúvidas de interpretação verificadas na prática.

Como a cada revisão o ICC faz publicar traduções acuradas das regras, as dificuldades de entendimento derivadas das diferentes línguas faladas pelas partes envolvidade desaparece, pois cada uma pode estudar os Incoterms em sua própria língua materna.

Por outro lado, como existem pequenas variações entre uma versão e outra, convém que as partes explicitem nos documentos não apenas qual Incoterm escolheram, como também a versão utilizada.

Note-se que os Incoterms não são de uso obrigatório, apenas recomendável. Nada impede que em uma operação as partes utilizem um Incorterm com alterações, ou mesmo não usem Incoterm algum.

O Incoterm na Declaração de Importação

Ao formalizar uma declaração no Siscomex Importação, o importador, ou seu representante, deve indicar qual Incoterm utilizou, dentre os disponíveis no sistema.

Sabemos que a base de cálculo do Imposto de Importação é o valor aduaneiro, que consiste geralmente no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, acrescido do frete internacional e do prêmio do seguro que cobre os riscos desse transporte.
Por exemplo, se o importador indicar FOB, o sistema acrescerá ao preço o valor do frete inscrito na declaração; em caso de CIF, considerará que o preço já inclui o frete e não o acrescará.

Se necessário, o importador deverá informar os valores dos ajustes a serem efetuados, acrescendo valores que não constem da fatura mas devam ser considerados no valor aduaneiro, como mercadorias enviadas para o exportador usar no processo produtivo, ou o contrário, deduzindo despesas incluídas na fatura, mas que não fazem parte do valor aduaneiro, como instalação em território nacional.

Que fazer se o importador não usou nenhum Incoterm, usou um modificado, ou ainda um não disponível no sistema?

Nesse caso o importador deve escolher o Incoterm que mais se aproxime da operação e fazer os ajustes necessários, acréscimos e deduções, de modo a fazer com que o sistema calcule corretamente o valor aduaneiro.

Deve, entretanto, ter em mente as restrições legais que possam eventualmente vedar algumas formas de negociação: o uso de outro Incoterm com os ajustes necessários não tornará lícita a operação.
Mercadores


Receita Federal disponibiliza manual online

Com a intenção de ajudar os exportadores e usuários das Declarações de Exportação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), a Receita Federal do Brasil (RFB) disponibiliza um manual completo em seu site (www.receita. fazenda. gov.br). O Siscomex é instrumento usado pelo Governo para controle do comércio exterior do Brasil. Apenas através dele é possível concluir o processo de exportação ou importação. A ajuda oferecida vai além de um passo a passo. “Isso é muito mais do que um manual. Nós oferecemos hiperlinks. Ou seja, se a pessoa que está lendo tiver alguma dúvida, poderá consultar a legislação, por exemplo. Existiam muitos erros, mas por desconhecimento, e não má fé. Esperamos fazer com que eles diminuam, já que oferecemos informações sobre todo o processo”, disse o chefe-substituto da divisão de administração aduaneira da superintende da Receita Federal, Estevão de Oliveira. Além disso, o manual ainda oferece uma tela do Siscomex, para que o usuário se sinta familiarizado. “O manual possui três vertentes: a explicação dos assuntos, a ajuda em relação à legislação e as telas do sistema”. Oliveira ainda salientou a importância do Sistema Integrado. “Todo comércio exterior brasileiro é processado nesse sistema. Ele é conhecido como uma janela única, pois todos os envolvidos precisam entrar nele. O Siscomex funciona através de uma sequência de registros”. O sistema para exportação existe desde 1993. Para importação, desde 1997. Anteriormente, tudo era feito por papel. “As pessoas precisavam preencher toda a guia e levar o produto até à Receita Federal”, lembrou Oliveira. Para conhecer o manual, é preciso acessar o tópico “Aduana e Comércio Exterior” e clicar no link “Exportação”. Em seguida, clicar em “Manual de Despacho de Exportação”.
Folha de Pernambuco

Secex lança manual sobre o Programa de Financiamento às Exportações (Proex)
A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) lançou o Manual sobre o Programa de Financiamento às Exportações (Proex), que é um dos principais instrumentos do governo federal disponíveis para o financiamento às exportações brasileiras de bens e serviços de micro e pequenas empresas.

O manual informa sobre os aspectos mais importantes do programa, os produtos elegíveis e os prazos de financiamento, além de apresentar um passo a passo para a realização das operações. As orientações foram um dos temas tratados na última reunião do membros do Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig).

O Proex concede financiamento direto ao exportador brasileiro, que recebe o valor da exportação à vista, o que permite ao importador ter prazo para o pagamento da transação. O Banco do Brasil é o agente financeiro do programa que atende empresas exportadoras com faturamento bruto anual de até R$ 600 milhões.

Com exceção das commodities, diversos bens estão contemplados entre os itens elegíveis do Proex, abrangendo quase todo o restante da pauta de exportações. Diferentes serviços também podem ser apoiados pelo programa, como, por exemplo, serviços de manutenção e reparação de máquinas e equipamentos, contabilidade, consultoria e serviços jurídicos.
O Proex permite maior rapidez na aprovação do financiamento pelo Banco do Brasil, sendo que não há limite mínimo de valor ou de quantidade de mercadoria por operação ou embarque. A eventual desistência de operação aprovada no Proex também não gera ônus para o exportador. Além disto, as exportações de bens podem ser negociadas em qualquer condição de venda (Incoterm) praticada no comércio internacional.

Para saber mais sobre o Proex, basta procurar uma agência do Banco do Brasil e, para obter informações mais detalhadas, é indicado entrar em contato com uma das 18 Gerências Regionais de Apoio ao Comércio Exterior do Banco do Brasil (Gecex). Os endereços e telefones de contatos estão disponíveis no manual.
Assessoria de Comunicação Social do MDIC

Manual sobre o Programa de Financiamento às Exportações (Proex): http://www.mdic.gov.br//arquivos/dwnl_1316093370.pdf







Aprovado limite maior de faturamento no Supersimples


A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou, nesta terça-feira (27/9), o projeto que, entre outros pontos, amplia a faixa de cobertura do sistema de simplificação tributária para micro e pequenas empresas, o Simples Nacional (Supersimples). Foi aprovado também requerimento do autor do projeto, senador José Pimentel (PT-CE), para que o texto siga em regime de urgência para o plenário da Casa.

O projeto de lei do Poder Executivo reajusta em 50% os limites de faturamento anual das micro e pequenas empresas, elevando de R$ 240 mil para R$ 360 mil o ganho da microempresa e de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões o da pequena empresa. O texto também eleva de R$ 36 mil para R$ 60 mil o limite de faturamento do microempreendedor individual.

O parecer de José Pimentel foi aprovado com algumas emendas de redação, que não alteram fundamentalmente o texto. Todas as emendas de mérito foram rejeitadas na CAE e, com isso, o projeto irá ao plenário sem alterações do texto enviado pela Câmara dos Deputados.

Com a aprovação da urgência solicitada pelo relator, o projeto passa à frente dos outros e pode ser votado ainda hoje no plenário do Senado. Se for aprovado sem alterações, a matéria seguirá para sanção presidencial. Com informações da Agência Brasil.
Revista Consultor Jurídico

terça-feira, 27 de setembro de 2011

COMÉRCIO EXTERIOR - 27/09/2011

Ferramenta online gratuita facilita vida de exportadores

Um ambiente eletrônico de negócios de comércio exterior no qual o exportador cria sua loja virtual de forma gratuita e negocia a venda de seus produtos. Essa é a característica da ferramenta Brasil WebTrade, do Banco do Brasil. Ela foi apresentada no 15º Encontro Internacional de Negócios do Nordeste, em Pernambuco, pelo gerente de Negócios Internacionais do banco, Júlio Costa, na Brasil Web Trade que terminou na última sexta-feira(23).
Além da segurança nas transações, a ferramenta oferece como vantagens a possibilidade de a empresa expor seus produtos na internet em três idiomas (português, inglês e espanhol), reduzir custos e simplificar o processo de exportação. Pessoas físicas como artesãos e agricultores também podem usar o sistema, desde que estejam inscritos nas suas entidades de classe.

Mais de 8 mil empresas nacionais exibem e exportam seus produtos por meio da Brasil WebTrade para 5 mil importadores estrangeiros cadastrados.

Uma dessas empresas é a Redes Isaac, de Fortaleza. Com mais de duas décadas de atuação, a Redes Isaac já usa o instrumento há três anos, com presença intensificada há cerca de oito meses. “Queremos ampliar mercado e aumentamos nossos contatos”, informa Isabel Vieira, da área administrativa da Redes Isaac. A empresa cearense exporta para países como Espanha, Estados Unidos e Rússia.
Portos e Navios



 
MDIC: média diária exportada caiu 11,9% na 4ª semana
Agência Estado

A queda na média diária exportada e, por outro lado, o aumento na média importada na quarta semana de setembro (entre os dias 19 e 25) fizeram com que a balança comercial brasileira registrasse um déficit de US$ 584 milhões no período. Segundo dados divulgados hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações na quarta semana de setembro somaram US$ 5,121 bilhões, com média diária de US$ 1,024 bilhão, o que representou uma queda de 11,9% em relação à média verificada até a terceira semana do mês (US$ 1,162 bilhão).

Nessa base de comparação, foi registrada queda de 18,1% nas vendas de manufaturados, principalmente açúcar em bruto, celulose, semimanufaturados de ferro e aço e óleo de soja em bruto. As vendas de básicos também caíram 15,1%, com destaque para minério de ferro, petróleo em bruto, soja em grão, carne de frango e suína, fumo em folhas, milho em grãos e minério de cobre. Também foi registrada queda de 5,4% nas exportações de manufaturados, com redução maior nas vendas de automóveis de passageiros, autopeças, açúcar refinado, aparelhos para terraplenagem, polímeros plásticos, veículos de carga e tratores.

Enquanto isso, as importações somaram US$ 5,705 bilhões no período, com média diária de US$ 1,141 bilhão, o que representou um incremento de 22,5% sobre a média registrada até a terceira semana do mês (US$ 931,3 milhões). Segundo dados do MDIC, houve aumento com as compras de combustíveis e lubrificantes, equipamentos mecânicos, automóveis e partes, químicos orgânicos e inorgânicos, adubos e fertilizantes, farmacêuticos e plásticos e obras.

No acumulado do mês, até dia 25, as exportações somam US$ 17,897 bilhões, com média diária de US$ 1,118 bilhão, o que representa um aumento de 24,7% sobre o montante registrado em setembro do ano passado (US$ 896,8 milhões). Neste comparativo, as exportações das três categorias de produtos registraram aumento.

No caso dos semimanufaturados, o aumento foi de 34,8%, com expansão maior para o óleo de soja em bruto, semimanufaturados de ferro e aço, ouro em forma semimanufaturada, couros e peles, açúcar em bruto e celulose. Entre os básicos, o aumento foi de 31,7%, com destaque para soja em grão, milho em grão, café em grão, fumo em folhas, petróleo em bruto, minério de ferro e carne de frango. As vendas de manufaturados tiveram aumento de 11,7%, com destaque para polímeros plásticos; máquinas e aparelhos de terraplenagem; tratores; partes de motores para veículos; autopeças e veículos de carga.

Na comparação com agosto deste ano, quando a média exportada foi de US$ 1,137 bilhão, os números de setembro representam uma queda de 1,7%, com retração nas vendas de produtos semimanufaturados (-8,1%) e manufaturados (-2,2%), enquanto os produtos básicos apresentaram crescimento de 0,6%.

No mês, as importações somam US$ 15,949 bilhões, com média diária de US$ 996,8 milhões, o que representa um aumento de 17,9% ante a média de setembro de 2010 (US$ 845,5 milhões). Segundo os dados do MDIC, houve crescimento dos gastos, principalmente, de adubos e fertilizantes (98,4%); combustíveis e lubrificantes (45%); cereais e produtos de moagem (41,7%); plásticos e obras (18,2%); químicos orgânicos e inorgânicos (17,6%); borracha e obras (14,5%); veículos automóveis e partes (11,4%); e aparelhos eletroeletrônicos (11,2%).

Na comparação com a média diária importada em agosto último (US$ 968,9 milhões), as importações cresceram 2,9%, com destaque para as compras de cereais e produtos de moagem (35,2%); combustíveis e lubrificantes (19,5%); produtos farmacêuticos (8,9%); aeronaves e peças (7,4%); e químicos orgânicos e inorgânicos (4,8%). No acumulado de setembro, a balança comercial brasileira tem um superávit de US$ 1,948 bilhão
http://www.dgabc.com.br/News/5915869/mdic-media-diaria-exportada-caiu-11-9-na-4-semana.aspx
 
 
 
 
STF decide imunidade de embalagens para exportados

A imunidade de ICMS, prevista no artigo 155, parágrafo 2º, inciso X, alínea “a”, da Constituição Federal, vale também para embalagens produzidas para produtos destinados ao comércio exterior? A questão deve ser resolvida pelo Supremo Tribunal Federal depois que os ministros reconheceram, em votação no Plenário Virtual, a existência de Repercussão Geral em Recurso Extraordinário com Agravo.

O caso foi levado ao Supremo pela Adegráfica Embalagens Industriais Ltda., que questiona entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região de que a desoneração tributária prevista no artigo 155 da Constituição Federal seria restrita às operações de exportação de mercadorias, não alcançando a saída de peças, partes e componentes no mercado interno, ainda que ao final venha a compor o produto objeto de exportação.

Para o autor do recurso, contudo, a regra desse dispositivo constitucional abrange toda a cadeia de produção da mercadoria exportada, englobando a compra e venda de componentes que resultam no produto comercializado para o exterior.

O relator do caso, ministro Dias Toffoli, disse entender que a matéria transcende o interesse das partes e possui grande densidade constitucional. Para o ministro, no recurso se discute a exata interpretação do conceito de operações que destinem mercadorias para o exterior para fins de incidência da regra da imunidade, prevista no artigo 155, parágrafo 2º, da Constituição.

“Considero ser necessário o enfrentamento por esta Corte do tema de fundo, com o fim de se estabelecer, com a segurança jurídica desejada, o alcance da imunidade em tela”, disse o ministro em seu voto, reconhecendo a Repercussão Geral na matéria.

A decisão do Plenário Virtual foi por maioria de votos. O ministro Marco Aurélio não reconheceu a existência de Repercussão Geral no tema. Com informações da Assessoria de Imprensa do Supremo.
Recurso Extraordinário com Agravo 639.352
Revista Consultor Jurídico

 
 
 
Brasil exportou US$ 5,121 bilhões na quarta semana de setembro

Brasília (26 de setembro) – As exportações, na quarta semana de setembro, com cinco dias úteis (19 a 25), foram de US$ 5,121 bilhões, com média diária de US$ 1,024 bilhão. A média é 11,9% inferior a que foi registrada até a terceira semana do mês (US$ 1,162 bilhão).

Neste comparativo, houve redução nas vendas de produtos semimanufaturados (-18,2%), com maiores quedas no açúcar em bruto, celulose, semimanufaturados de ferro/aço e óleo de soja em bruto. Entre os básicos (-15,1%), as principais retrações foram em minério de ferro, petróleo em bruto, soja em grão, carne de frango e suína, fumo em folhas, milho em grãos e minério de cobre. Para os manufaturados (-5,4%), os produtos que mais baixaram foram automóveis de passageiros, autopeças, açúcar refinado, aparelhos para terraplanagem, polímeros plásticos, veículos de carga e tratores.
As importações, na quarta semana de setembro, foram de US$ 5,705 bilhões, com resultado médio diário de US$ 1,141 bilhão. Houve aumento de 22,5% sobre a média registrada até a terceira semana (US$ 931,3 milhões), com crescimento nos gastos de combustíveis e lubrificantes; equipamentos mecânicos; automóveis e partes; químicos orgânicos e inorgânicos; adubos e fertilizantes; farmacêuticos; e plásticos e obras.

Com isto, a balança comercial semanal registrou déficit de US$ 584 milhões, com média diária negativa de US$ 116,8 milhões. A corrente de comércio (soma das exportações e importações) totalizou US$ 10,826 bilhões, com média de US$ 2,165 bilhões por dia útil.

Mês

Nos 16 dias úteis de setembro, as exportações somaram US$ 17,897 bilhões, com média diária de US$ 1,118 bilhão. O resultado das vendas externas foi 24,7% superior na comparação com a média de setembro de 2010 (US$ 896,8 milhões) em razão do crescimento das exportações nas três categorias de produtos.

Neste comparativo, os semimanufaturados (34,8%) com maior aumento foram óleo de soja em bruto; semimanufaturados de ferro e aço; ouro em forma semimanufaturada; couros e peles; açúcar em bruto e celulose. Entre os básicos (31,7%), os embarques que se destacaram foram de soja em grão, milho em grão, café em grão, fumo em folhas, petróleo em bruto, minério de ferro e carne de frango. Polímeros plásticos; máquinas e aparelhos de terraplanagem; tratores; partes de motores para veículos; autopeças e veículos de carga tiveram os maiores crescimentos entre os manufaturados (11,7%).

Já em relação à média diária de agosto deste ano (US$ 1,137 bilhão), as exportações tiveram redução de 1,7%, com baixa nas vendas de produtos semimanufaturados (-8,1%) e manufaturados (-2,2%), enquanto que os produtos básicos apresentaram crescimento de 0,6%.

As importações do período chegaram a US$ 15,949 bilhões e registraram média diária de US$ 996,8 milhões. Houve aumento de 17,9% na comparação com a média de setembro do ano passado (US$ 845,5 milhões), com elevação de gastos, principalmente, de adubos e fertilizantes (98,4%); combustíveis e lubrificantes (45%); cereais e produtos de moagem (41,7%); plásticos e obras (18,2%); químicos orgânicos e inorgânicos (17,6%); borracha e obras (14,5%); veículos automóveis e partes (11,4%); e aparelhos eletroeletrônicos (11,2%).
Em relação à média de agosto de 2011 (US$ 845,5 milhões), as importações aumentaram 2,9%, sendo os principais produtos: cereais e produtos de moagem (35,2%); combustíveis e lubrificantes (19,5%); produtos farmacêuticos (8,9%); aeronaves e peças (7,4%); e químicos orgânicos e inorgânicos (4,8%).
O saldo comercial de setembro está superavitário em US$ 1,948 bilhão (média diária de US$ 121,8 milhões). A média diária do saldo no mês está 137,2% superior a de setembro do ano passado (US$ 51,3 milhões) e 27,7% menor que a de agosto deste ano (US$ 168,4 milhões).

A corrente de comércio do mês alcançou US$ 33,846 bilhões (resultado diário de US$ 2,115 bilhões). Pela média, houve aumento de 21,4% no comparativo com setembro do ano passado (US$ 1,742 bilhão) e alta de 0,4% na relação com agosto último (US$ 2,106 bilhões).

Ano

De janeiro à quarta semana de setembro deste ano (184 dias úteis), as vendas ao exterior somaram US$ 184,611 bilhões (média diária de US$ 1,003 milhão). Na comparação com a média diária do mesmo período de 2010 (US$ 770,4 milhões), as exportações cresceram 30,2%. As importações foram de US$ 162,703 bilhões, com média diária de US$ 884,3 milhões. O valor está 26,2% acima da média registrada no mesmo período de 2010 (US$ 700,7 milhões).

No acumulado do ano, o saldo positivo da balança comercial já chega a US$ 21,908 bilhões, com o resultado médio diário de US$ 119,1 milhões. No mesmo período de 2010, o superávit era de US$ 12,827 bilhões, com média de US$ 69,7 milhões. Pela média, houve aumento de 70,8% no comparativo entre os dois períodos. A corrente de comércio soma, em 2011, US$ 347,314 bilhões, com média diária de US$ 1,887 bilhão. O valor é 28,3% maior que a média aferida no mesmo período no ano passado (US$ 1,471 bilhão).
Assessoria de Comunicação Social do MDIC





Plataformas aceleram exportação de Abu Dhabi

As exportações de plataformas flutuantes ou submergíveis para perfuração petrolífera ampliaram as exportações de Abu Dhabi no segundo trimestre deste ano, segundo reportagem do jornal The National, dos Emirados Árabes Unidos. De acordo com o Centro de Estatísticas de Abu Dhabi, as exportações não petrolíferas do emirado saíram de 1,6 bilhão de dirhans (US$ 435,6 milhões), no período de abril a junho de 2010, para 5,9 bilhões de dirhans (US$ 1.6 bilhão) nos mesmos três meses de 2011.

Maquinários e equipamentos de transporte foram responsáveis por mais de 74% das exportações, sendo que as plataformas de produção e perfuração de poços foram os principais itens nessa categoria. As exportações de bens manufaturados cresceram 26,7% no trimestre.
Os pedidos em carteira de fabricantes de plataformas e de empresas sediadas nos Emirados que prestam serviços em campos petrolíferos cresceram muito este ano, de acordo com o The National, com companhias reinvestindo lucros em novas plataformas ou na reforma das que já estão em operação.

Abu Dhabi busca a ampliação de suas exportações não petrolíferas para reduzir sua dependência no petróleo. O emirado pretende ampliar a participação de outros setores em sua pauta de exportação para 11% até 2030, contra apenas 1,5% em 2008.

Os dados mais recentes do centro estatístico mostram que as importações do emirado cresceram 20,1%, de 21,3 bilhões de dirhans (US$ 5,8 bilhões) para 25,6 bilhões de dirhans (US$ 7 bilhões). Maquinário e equipamentos de transporte foram responsáveis por cerca de metade do total. As compras de manufaturados aumentaram 42,5% para 6.7 bilhões de dirhans (US$ 1,8 bilhão).

Maquinário e equipamentos de transporte foram também os principais produtos das reexportações do emirado, que cresceram 15,4%, de 2,51 bilhões de dirhans (US$ 683 milhões) para 2,89 bilhões de dirhans (US$ 787 milhões).

Os principais destinos dos produtos não petrolíferos de Abu Dhabi foram a América do Norte (US$ 707 milhões) e do Sul (US$ 436 milhões). Já nas reexportações, o principal mercado foi a Ásia, que comprou US$ 707 milhões em itens revendidos por Abu Dhabi.
ANBA (Agência de Notícias Brasil-Árabe)





Brasil deve faturar US$ 8,9 bi com as exportações de café
O consumo mundial de café não deve mesmo cair, nem por causa da crise europeia, nem pela a alta das commodities, sustentando as exportações brasileiras. A expectativa do setor é que o consumo crescerá em ritmo mais lento.

Com isso o volume de exportações de café do Brasil deve ficar em 33 milhões de toneladas este ano, em linha com as quantidades embarcadas no ano passado. No entanto, a expectativa está no faturamento deste ano, que pode superar a marca de US$ 8,9 bilhões, segundo levantamento do Conselho dos Exportadores de Café no Brasil (CeCafé).

Apesar da safra atual ser menor que a do ano passado, devido principalmente à bianualidade dessa cultura, e às recentes perspectivas de um volume de exportações menor por causa disso, o CeCafé, que esperava um volume de embarques de 29,5 bilhões de toneladas em seu primeiro levantamento, contra os 33,1 de 2010, reviu os números para cima.

De janeiro a agosto deste ano o volume exportado pelo Brasil foi 8% maior que o do mesmo período do ano passado. "Esse ano teremos menos café no Brasil, e a volta dos embarques da Colômbia, mas como os preços tendem a ficar sustentados, os valores com as exportações devem ser muito maiores que no ano passado", garantiu Gil Barabach, analista da Safras & Mercado.
Para ele, a atual crise financeira na Europa não irá se refletir no consumo do produto. E mesmo se a situação piorar e se equiparar aos problemas vistos em 2008, a expectativa é que o consumidor passe a tomar cafés mais baratos. "No primeiro momento, caso a crise se intensifique, existe sim, uma tendência de que o consumo migre dos cafés mais caros para os mais baratos. No entanto, isso está longe de acontecer", disse o analista de café.

Para a empresa exportadora de café Guaxupé, de Minas Gerais, o faturamento brasileiro com a venda do produto pode ficar até 25% maior que o ano passado. "Os valores devem ficar até 25% mais altos este ano, já que os preços têm aumentado devido ao baixo volume do estoque mundial. Tanto nos países produtores que estão com seus estoques quase zerados quanto nos consumidores que não têm carregado de um ano para o outro um estoque de segurança", frisou o diretor-comercial João Hopp.

A empresa, a exemplo do setor brasileiro, também espera exportar a mesma quantidade de café, mas a receita deve mesmo ficar maior. "Aqui, na Guaxupé, prevemos, sim, um crescimento. Esse ano prevemos manter os volumes de exportação do ano passado, que foi muito grande. Em 2012 esperamos crescer 15% no volume de exportação", garantiu o executivo mineiro.
Já sobre a concorrência com a Colômbia, Barabach contou que depois desses três anos de produção menor no País, o Brasil se aproveitou e acabou conquistando um espaço no mercado internacional. Entretanto a busca por cafés suaves e de alta qualidade segue aquecida. "O mundo também está buscando um produto diferenciado no mercado mundial. E eles chegam a partir de outubro, principalmente da Colômbia. A carência do mundo é pelo café suave", afirmou Barabach.

Para Hopp, o efeito da volta da Colômbia será uma pequena queda dos embarques dos cafés finos do Brasil. "O retorno de um grande produtor de cafés de qualidade sempre afetará outros países produtores. No Brasil os produtos de qualidade mais alta sofrerão essa concorrência."

Produção recorde

A safra 2011/2012 de café do Espírito Santo será recorde. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra total de café no estado (robusta e arábica) está estimada em 11,6 milhões de sacas de 60 kg, 14% maior que a temporada anterior.

Segundo o produtor Ricardo Brunoro, da fazenda Brunoro AgroAvícola, na região de Venda Nova dos Imigrantes (ES), um dos motivos do bom desempenho das lavouras capixabas é o investimento em novas tecnologias, o crescimento de área, e o clima favorável. "Espero fechar com uma ótima colheita. Os preços seguem muito bons e acredito que as vendas também o serão", garantiu o produtor rural.
Diário do Comércio e Indústria




PORTOS E LOGÍSTICA - 27/09/2011

Setor de transportes faz greve de 24 horas na Grécia

Milhares de trabalhadores do setor público da Grécia cruzaram os braços hoje, em uma greve de 24 horas. O protesto causou grandes congestionamentos em Atenas, no momento em que aumenta a oposição às reformas do governo prometidas em troca de ajuda financeira.

A greve envolve funcionários do metrô, de trens da cidade e de trens da região metropolitana. Ocorreram grandes congestionamentos, enquanto a população se espremia em ônibus tentando chegar ao trabalho. Os motoristas de ônibus e bondes devem fazer uma paralisação de seis horas ainda hoje, quando decidirão se fazem greve nos próximos dias.

As paralisações marcam o início de uma semana com vários protestos previstos contra as mais recentes medidas de austeridade do governo. Taxistas e funcionários da receita interromperão o trabalho amanhã e na quarta-feira.

As duas principais centrais sindicais gregas - GSEE, do setor privado, e Adedy, do público - anunciaram uma greve geral do setor público para 5 de outubro e uma greve geral nacional para o dia 19 de outubro.

Pressão

Pressionada por credores internacionais, a Grécia decidiu na semana passada implementar novos cortes em pensões, impor novos impostos para pessoas de baixa renda e deixar 30 mil funcionários públicos como reserva de trabalho este ano, com salários reduzidos. Cortes nos vencimentos do setor público e outras medidas também estão planejadas.

Em jogo está a parcela de 8 bilhões de euros de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que a Grécia deve receber nas próximas semanas, ou ficará sem dinheiro em meados de outubro. Os credores do país exigiram medidas adicionais de austeridade antes de liberarem a próxima parcela de auxílio financeiro.
Agência Estado (AE)





Argentina dá de goleada em infraestrutura logística

Superioridade não está nem no futebol e nem na produção do grão, mas sim, na logística que faz inveja ao Brasil

Enquanto brasileiros e argentinos fazem de tudo para provar quem é o rei do futebol das Américas e que jogador melhor representa esta superioridade, se Pelé ou Maradona, na rentabilidade do agronegócio, sem dúvida alguma eles colocam o Brasil e Mato Grosso – maior produtor nacional de soja – no chinelo, como se diz popularmente. Além de terras naturalmente férteis, o escoamento da produção é feito por meio de uma invejada infraestrutura logística que permite, por exemplo, que o maior navio graneleiro do mundo – o Panamax que carrega de uma vez 65 mil toneladas – aporte do lado argentino do rio Paraná e saia do complexo portuário de Rosário direto para a China.
Mas a vantagem competitiva das exportações argentinas é apenas o ponto final de uma saga repleta de etapas positivas à produção de soja quando comparada ao que acontece no Brasil e em Mato Grosso. Enquanto toneladas de soja percorrem mais de 2 mil quilômetros de Sorriso (MT) até o porto de Santos (SP) para serem despachadas com destino à China, por exemplo, na Argentina a distância entre a região produtora do grão até o porto não passa de 500 quilômetros.

A região da grande Rosário, na província de Santa Fé, concentra cerca de 80% da produção nacional de soja na Argentina, cujo volume da safra 10/11 atingiu 50 milhões de toneladas. A primeira vista, a região poderia ser comparada ao Cerrado brasileiro devido a sua importância dentro da produção do grão no país. Entretanto, a similaridade que mal começou finda por aí mesmo, já que num raio de 65 quilômetros existem 13 indústrias de esmagamento de soja, o que torna a região a maior esmagadora do mundo, com capacidade para 130 mil toneladas ao dia. Para chegar até o porto, a soja roda em média 300 quilômetros em rodovias até chegar ao complexo portuário de Rosário, de onde pode seguir diretamente para a China e para a Europa.

Esse corredor de produção registra um crescimento exponencial nos últimos dez anos. De quatro portos na década passada, agora são 12 até o norte de Rosário, fruto de um esforço conjunto de ações público-privadas.

A logística da porteira para fora permite, por exemplo, que o custo de frete de uma tonelada até o porto fique em torno de US$ 20, ante uma média de US$ 120 t de Sorriso (MT) até o porto de Santos (SP), uma diferença de 500%.

“Muitas vantagens se revelam em favor da Argentina. A produção local está em plena expansão e isso pode ditar o mercado. Sem dúvida esse conjunto logístico e a anunciada expansão da área plantada rumo à região do Chaco, trazem riscos ao Brasil e mostram o quanto estamos defasados em relação às demandas logísticas, seja no Mato Grosso, seja no Brasil”, aponta o diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), Luiz Nery Ribas, que conheceu in loco o complexo portuário de Rosário.

NOVA ROTA – O complexo portuário de Rosário pode ser uma alternativa de escoamento à soja mato-grossense. A possibilidade de utilizar a hidrovia Paraguai-Paraná, partindo de Cáceres (225 quilômetros ao oeste de Cuiabá), é ainda um estudo embrionário, mas que na teoria se mostra viavél, pois a maior parte da distância seria percorrida por hidrovia. “Solicitamos à administração do porto de Rosário dados referentes aos custos das operações para analisarmos. Se houver vantagem nesta rota, certamente iremos canalizar esforços para se tornar uma realidade”. (*Marianna Peres viajou a convite da Aprosoja/MT/Veja mais na página C2)
Diário de Cuiabá




Custo baixo, terra fértil e boa logística são atrativos na Argentina

Comparando despesa relativa ao plantio, conta fica cerca de 66% mais barata lá

A competitividade no escoamento da produção chama à atenção dos mato-grossenses para o complexo portuário de Rosário, na Argentina, mas outra conta impressiona ainda mais. Com terras naturalmente férteis, em comparação ao que existe no cerrado brasileiro, os sojicultores argentinos demandam poucos investimentos em pacotes tecnológicos, e por isso, a realidade do custo de produção direto (insumos) chega a ser 66% inferior ao registrado, por exemplo, em Sorriso (503 quilômetros ao médio norte de Cuiabá), município que detém a maior extensão de terra destina à soja no mundo, 600 mil hectares anuais e serve de referência ao segmento local.

Conforme o mais recente estudo sobre custo de produção para soja na temporada 11/12, realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), somente para custear insumos básicos, como sementes, fertilizantes e defensivos, o sojicultor de Sorriso deverá desembolsar cerca de R$ 847,91 por hectare. Convertendo para o dólar – cotação de R$ 1,89, registrada na última quinta-feira – o investimento será US$ 448,62, ante cerca de US$ 270 por hectare, na Argentina, uma diferença de 66%.

Outro diferencial, é que as exportações de soja e mais precisamente de subprodutos, como farelo e óleo, têm como destino, como explica do gerente da Nideira Semilla – a grande sementeira e trading em atuação naquele país – Gabriel Pierre, cerca de 70 países, entre os principais os da Europa e a Índia. “Não dependemos da China”. Como lembra, a lição de não depender da China foi aprendida à duras penas após um embargo à soja argentina. “Eles compravam cerca de 2 milhões de toneladas e atualmente negociam 170 mil. Adaptamos-nos a um mercado pulverizado”, insiste.

Voltando à matemática do campo, o diretor da Safras&Mercados, Raúl Fernando Diaz – que é argentino e faz ponte aérea entre os dois países – frisa que existem inúmeros problemas relativos ao segmento em seu país, como taxações, retenções e políticas pouco ortodoxas voltadas às exportações, mas que na comparação com a realidade brasileira e alguns aspectos da realidade mato-grossense, são superados por outros benefícios diretamente ligados à rentabilidade da produção, “que no final das contas é o que interessa”.

Como frisa, “o maior apelo da Argentina é baixo custo de produção”. Menos entusiasmado, o engenheiro de produção agrícola Ricardo Negri, do Sistema Crea (Consórcio Regional de Experimentação Agrícola), chama atenção para a diferença entre o valor da terra argentina em relação as do Mato Grosso. O arredamento lá pode abocanhar até 30 sacas por hectare, enquanto no Estado, a operação chega a até 13 sacas. “A conta deve considerar o custo da terra e da produção para valer à pena”, destaca.

Diaz destaca que mesmo considerando os fatores “negativos”, como arredamento e as taxações, funcionam como atrativos aos mato-grossenses, por exemplo, a possibilidade de produção em volume e larga escala, o que permite rentabilidade, mão-de-obra barata e mais tecnificada e a ausência de uso intensivo de fertilizantes nas lavouras. “Aliamos a isso, custo baixo para se comercializar e de logística, como também, políticas tributárias que beneficiam quem quer agregar valor à soja, ou seja, ao invés de exportar o grão, exportar farelo e óleo, o que gera imposto e mão-de-obra no país, acredito que haja vantagens por aqui”. (*Marianna Peres viajou a convite da Aprosoja/MT)
Diário de Cuiabá



Retenções e colapsos apontados como gargalos para a Argentina

Para os argentinos, muita coisa tem de evoluir para dar suporte à meta de expandir em 60% a produção de soja. A projeção do governo local, mesmo considerada muito ambiciosa pelo próprio segmento produtivo, estima que neste período o volume produzido passe dos atuais 50 milhões de toneladas para 80 milhões. Até o final desta década, a expectativa é de que a produção agrícola totalize mais de 150 milhões, ante aos atuais 82 milhões entre soja, milho e trigo.

Entre as mudanças que estão mobilizando o segmento produtivo argentino, já que as eleições para presidente do país serão realizadas no próximo mês, é a ampliação da infraestrutura com novas estradas de acesso para evitar o colapso em picos de safra, como também ampliação da geração de energia, insumo limitado e caro para as indústrias. A Argentina é bastante dependente do gás natural boliviano. “Para o argentino, as estradas atuais não dão mais conta do fluxo durante a safra. Mas o brasileiro que chega aqui, vê essa infraestrurura não entende o porquê da reclamação. Por isso, a Argentina é vista como um potencial país para investimentos no agronegócio”, reforça o diretor da Safras&Mercados, Raúl Fernando Diaz.

“A impressão que fica é que a Argentina tem a necessidade de atingir um novo patamar de infraestrutura, enquanto o Mato Grosso não chegou nem perto daquilo que os produtores de lá enxergam como ultrapassado, é como se fosse um choro de barriga cheia”, avalia o diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), Luiz Nery Ribas.

E a promessa de solução a estes problemas pode ser a plataforma de reeleição da atual presidente, Cristina Kirchner, no dia 23 de outubro. Em função de adoção de políticas severas de retenções e mudanças na regulamentação das exportações, a presidente que está no poder desde 2007, enfrenta severa rejeição do segmento.

RETENÇÕES – A presidente vive em constante conflito com os agricultores locais em função da carga tributária imposta ao setor. Lá, as chamadas “retenções” - impostos cobrados na exportação de grãos – são aplicados nas exportações de todas as commodities agrícolas. No caso da soja em grão a retenção é de 35% e para farinha e óleo, 32% e de 23% ao milho. Para cada 100 sacas de soja em grão exportada, por exemplo, 35 sacas ficam para o governo. Muitas das barreiras internas impostas pelo governo para as exportações, como no caso do trigo, geraram consequencias graves, como a quebra de contratos internacionais.

“Apesar desta política nada ortodoxa e das retenções, o mato-grossense tem na Argentina terras com aptidão agrícola, coisa que no Mato Grosso não há”, defende Diaz. (MP)
Diário de Cuiabá