LEGISLAÇÃO

terça-feira, 23 de novembro de 2010

EMPRESAS - 23/11/2010

PESQUISA INÉDITA TRAÇA PERFIL DE MAIS DE 100 EMPRESAS COM CRESCIMENTO ACELERADO QUE PLANEJAM IPOS NOS PRÓXIMOS ANOS

Levantamento feito em parceira entre Amcham-Brasil, Ernst & Young Terco e BM&FBOVESPA, em cinco cidades, mostra que 49% das companhias cogitam abertura de capital. Estudo aponta também enorme potencial de crescimento da atividade dos fundos de Private Equity e Venture Capital
Estudo realizado em cinco cidades brasileiras, com 106 empresas com alto potencial de crescimento, traz informações inéditas sobre os seus planos em relação à abertura de capital, financiamentos, governança corporativa e expansão de negócios. A pesquisa, desenvolvida pela Amcham-Brasil (Câmara Americana de Comércio Brasil), Ernst & Young Terco e BM&FBOVESPA, mapeou em quatro diferentes regiões do país organizações com faturamento entre R$ 101 milhões a R$ 400 milhões e concluiu que essas empresas crescem em ritmo acelerado e muito acima do PIB (Produto Interno Bruto) nacional.
Mais de 70% delas têm registrado um avanço superior a 10% ao ano nos últimos cinco anos, sendo que 17% atingiram incremento de receita entre 25% e 50% ao ano e 12% acima de 50%. Em relação ao futuro, essas empresas, consideradas de alto impacto, estão ainda mais otimistas. A grande maioria (82%) projeta incrementar sua receita bruta em mais de 10% ao ano nos próximos cinco anos; 17% planejam avançar entre 25% e 50%; e 17% superior a 50%. Apenas 6% dos pesquisados acreditam que o crescimento será inferior a 5%, enquanto 18% dizem que será entre 5% e 10% ao ano.
Para financiar esse crescimento robusto, a pesquisa traz uma radiografia que indica um elevado potencial para que a indústria de private equity avance no País. Apesar de só 2% das empresas possuírem participação de fundos de private equity e venture capital, 31% delas estudam a possibilidade de estabelecer este tipo de parceria e foram procuradas recentemente por um fundo de investimento com essa intenção. Entusiasmadas pela retomada do crescimento econômico do País e com o destrave das operações de IPOs (oferta inicial de ações, na sigla em inglês),49% dos pesquisados têm interesse e planejam abrir capital para financiar seu crescimento em até três anos.
As outras modalidades de financiamento que ainda predominam na captação de recursos das empresas são mais tradicionais. A maioria ainda opta por linhas de crédito públicas ou bancos de fomento, incluindo BNDES, BNB, BID e FINEP (45%). É alto, no entanto, o índice de executivos que recorrem a linhas de crédito oferecidas por bancos de varejo (32%), tido como mecanismos de endividamento de alto custo.
Para Paulo Sérgio Dortas, sócio para a área de IPOs da Ernst & Young Terco, esse quadro mostra que nas regiões pesquisadas existe grande potencial para crescimento da presença de fundos de private equity e venture capital dentro das empresas. Na sua avaliação, os fundos ajudam na profissionalização da gestão, adoção de práticas de governança corporativa, e na maior transparência para apresentação de seus resultados financeiros. "O que considero vital para quem planeja acessar o mercado de capitais. Todos os indicadores, em especial em relação às empresas que planejam acessar o mercado de capital, devem dar um fôlego novo à Bolsa, e trará um perfil totalmente diferenciado de empresas a esse tipo de operação", afirmaDortas. Com o país apresentando potencial cada vez maior para receber recursos externos de fundos como esses, as companhias pesquisadas podem se beneficiar ainda com a ampliação de seus negócios, mas a preparação para essa expansão deve se dar de forma madura, explica Dortas.
Segundo Fernando Schmitt, diretor de Membership da Amcham-Brasil, o levantamento ocorre em um momento chave para as empresas brasileiras. "Estão surgindo para as companhias diversas oportunidades de crescimento, inclusive com possibilidades de atuação fora do Brasil, o que permite planejamento e ações mais ousadas em busca de desenvolvimento", afirma. "O projeto que deu origem à pesquisa foi criado com o objetivo de mostrar às empresas as maneiras de conduzir um processo de crescimento da melhor forma possível, com transparência e objetivos claros", completa Schmitt.
Rumo ao IPO
Após um período de jejum vivido pelo mercado de capitais em relação às operações de IPOs, reflexo da crise financeira global e do compasso de espera pelo lançamento da oferta de aumento de capital da Petrobras, os investidores devem comemorar a retomada do lançamento de ações a partir de 2011. De acordo com as entrevistas, 49% dos executivos responderam que cogitam utilizar a Bolsa para financiar o crescimento dos negócios. O estudo também mostra que entre as empresas que não desejam abrir capital, 50% afirmam que necessitam de mais informações sobre como podem se organizar e que proveito devem ter para tomada de decisão nesse sentido.

Entre as que responderam positivamente, 2% querem realizar IPO no curto prazo (período de até um ano). A maioria (52%) pretende recorrer à Bolsa no médio período, entre 1 e 3 anos, e 42% em longo prazo, em mais de cinco anos. "A Bolsa acredita que o mercado de capitais pode e deve ser acessado por empresas de todos os tamanhos e está trabalhando com muito empenho para estimular o acesso a empresas dos mais diversos portes, o que torna o Bovespa Mais um segmento de listagem com grande potencial de desenvolvimento", explica Cristiana Pereira, diretora de Desenvolvimento de Empresas da BM&FBOVESPA.

Grau de endividamento
Um dos pontos frágeis que atinge grande parte das empresas do País passa ao largo da realidade das companhias pesquisadas. O grau de endividamento na estrutura de capital dessas empresas, tendo como referência dezembro de 2009, é considerado baixo. A maior parte (28%) aponta para comprometimento entre 10% e 25% do fluxo de caixa. Segundo 23%, o nível de endividamento ultrapassa os 50%. Outro fator curioso é o fato do índice de endividamento não ser citado entre os principais indicadores para avaliação de desempenho.

Integração de processos
Questionados se suas empresas possuem sistemas de tecnologia integrados, 63% dos executivos afirmaram que sim e 29% afirmaram que estão em implantação. Quando questionados em pergunta aberta sobre quais os principais temas que estão na agenda da empresa pensando no crescimento dos negócios, os respondentes reforçam o tema dos processos e gestão como algo crucial.

Sobre o estudo
O levantamento foi feito entre os meses de agosto e outubro a partir de 106 empresas localizadas em Recife, Goiânia, Porto Alegre, Curitiba e Campinas, sendo que a maior parte das organizações pesquisadas possui entre 101 e 5000 funcionários. Entre as companhias pesquisadas, 70% possuem cargos de confiança divididos entre profissionais de mercado e membros de famílias no controle direto dos negócios.

Participaram do estudo empresas de diversos segmentos, entre os quais destacam-se os setores automotivo, químico e petroquímico, imobiliário, agronegócios, comércio atacadista, vestuário, tecnologia e bens de consumo.
Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa de Mercadorias & Futuros



Ceramistas sofrem com invasão dos importados
Impulsionado pelo consumo doméstico, o momento do mercado para o setor de cerâmica é positivo, mas está sob a ameaça da perda de competitividade frente à concorrência com os importados.

A avaliação é da Associação Nacional de Fabricantes de Cerâmica para Revestimento (Anfacer), que alerta para os desinvestimentos na indústria, com a forte entrada de produtos importados. "A ameaça da concorrência internacional é gravíssima. Estamos perdendo espaço dentro do nosso país", afirmou o superintendente da entidade, Antonio Carlos Kieling.

Segundo Kieling, o câmbio, a elevação nos preços dos insumos, os altos tributos e a infraestrutura deficiente do país tem dificultado as operações do setor. Os dados da Anfacer mostram que, somente no segmento de porcelanato, por exemplo, os produtos importados hoje já representam 55% de tudo o que é comercializado no país, o que representa 17 milhões de metros quadrados. Em 2009, essa participação estava na faixa dos 9 milhões de metros quadrados, enquanto em 2005, a parcela de importados no setor era ínfima, de 162 mil metros quadrados.

"A luz vermelha acendeu para toda a cadeia da construção civil. A concorrência se agravou de dois anos para cá", diz Kieling.

Por outro lado, o mercado interno continua crescente, o que traz boas perspectivas para as mais de 93 empresas que compõem o setor. A Anfacer projeta para 2010 alta de 8,4% nas vendas, para 765 milhões de metros quadrados, e uma produção de 776 milhões.
Valor Econômico



Indústria de peças segue as montadoras
Nos próximos três anos, as montadoras de veículos vão investir US$ 11,2 bilhões, quase um quarto de tudo que já foi aplicado desde que chegaram no país, na década de 50. Esse forte ciclo de expansão provoca um efeito em cadeia nos fornecedores de autopeças, o que eleva a importação de máquinas e equipamentos.
“Não é a importação que traz a tecnologia, que também desenvolvemos no Brasil. Fazemos uma análise de custo e capacidade produtiva dos fornecedores, sejam locais ou de fora do País”, diz o diretor de integração de engenharia e manufatura da General Motors, Michel Goldflus. A filial brasileira da GM vai investir R$ 2 bilhões no próximo ano. A empresa está modernizando e ampliando todas as suas fábricas no País, construindo uma nova unidade de motores e componentes, e renovando todas as suas linhas de produtos.
O esforço exige uma série de investimentos: mais ferramentas, estamparia, novas linhas de produção e expansão de prédios. Cerca de 20% dos equipamentos usados na GM são importados. O restante é fabricado localmente.

Autopeças - O aquecimento do mercado de veículos, a atualização tecnológica e a movimentação das montadoras impacta os fabricantes de peças e componentes. Na BorgWarner, fabricante de turbos (peça acoplada ao motor), os investimentos em máquinas quase duplicaram: de R$ 3,2 mi­­lhões em 2009 para R$ 6,3 mi­­lhões em 2010.

Na Brose, de São José dos Pinhais, o esforço tem sido grande para modernizar os produtos, que cada vez mais exigem eletrônica aplicada. A empresa fabrica motores elétricos e levantadores de vidro. “Estamos comprando muitas máquinas, adquirindo novas linhas de produção”, disse o vice-presidente Charles Tubero.
Câmbio favorece renovação industrial - O real forte está ajudando em uma das maiores renovações do parque industrial brasileiro. Nos últimos quatro anos, o país importou US$ 124 bilhões em bens de capital (entre 2007 e outubro deste ano). A cifra impressiona porque significa mais que o dobro dos US$ 57 bilhões adquiridos entre 2003 e 2006.

São milhares de prensas, fresas, tornos, tratores e todo tipo de equipamento destinados a elevar a capacidade de produção do país, que cresce a um ritmo de mais de 7% ao ano. A desvalorização do dólar barateou as máquinas importadas e a crise global provocou uma “liquidação” de equipamentos no exterior. Um ciclo de investimentos dessa magnitude aumenta a oferta de produtos na economia e, consequentemente, reduz a pressão sobre os preços.
Gazeta do Povo - PR

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