Importação de derivados pode subir de 5% para 40%
Se a Petrobrás não investir em refinarias, a fatia da importação de derivados pelo Brasil passará dos atuais 5% para 40%, afirmou nesta segunda-feira, 1º, em Londres, o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli. Em entrevista coletiva depois de apresentar para investidores o plano estratégico da estatal para 2011 a 2015, ele defendeu a decisão da empresa de fazer aportes e elevar a capacidade do setor, apesar dos questionamentos sobre a rentabilidade da área.Gabrielli reiterou que a companhia vai importar mais gasolina no segundo semestre deste ano do que nos primeiros seis meses de 2011, em razão do aumento da demanda no Brasil. No primeiro semestre, a estatal importou o equivalente a três dias de consumo, número que será elevado até o fim do ano. Gabrielli não especificou o volume que deve ser comprado.
NN A Mídia do Petróleo
Governo quer acelerar devolução de R$ 24,5 bi
O governo federal tem um estoque de R$ 24,5 bilhões em créditos tributários para devolver às empresas exportadoras e àquelas que compraram máquinas e equipamentos, segundo levantamento fornecido ao "Estado". O governo quer acelerar os pagamentos, para compensar a perda de competitividade do setor industrial por causa do real valorizado, mas esbarra na dificuldade das empresas em se adaptarem aos sistemas criados pela Receita Federal. Os dados da Receita mostram que os pedidos de ressarcimento de PIS e Cofins por exportadores, pendentes de análise e devolução, somam R$ 18,9 bilhões. O saldo de créditos de IPI totaliza R$ 5,6 bilhões, não somente para exportadores, mas também para empresas que investiram no parque industrial com a compra de máquinas e equipamentos.Nas discussões para a formatação da política industrial, que deve ser anunciada hoje, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu intensificar esses pagamentos em vez de criar novas desonerações tributárias. A recuperação dos créditos é apontada pelos exportadores como forma de garantir mais competitividade ao produto nacional no exterior. Hoje as empresas precisam esperar até cinco anos para receber o dinheiro de volta. A restituição só é mais rápida, em até 60 dias, para créditos de 2009 e 2010 e limitada a 50% dos valores, para as empresas que exportaram 10% da sua produção no último ano. Desde abril, a Receita já tornou digital o sistema de devolução e compensações de crédito do IPI. O sistema para o PIS-Cofins, chamado Escrituração Fiscal Digital, será implantado ao longo do segundo semestre, mas só será obrigatório às empresas a partir de fevereiro, para fatos geradores de 2011.
NN A Mídia do Petróleo
Receita com exportação de açúcar em julho é recorde
A receita com exportações de açúcar bateu seu recorde histórico em julho de 2011, atingindo US$ 1,78 bilhão, de acordo com os dados divulgados hoje pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio. É a maior receita registrada em todos os tempos. A receita é superior em 44,7% aos US$ 1,235 bilhão verificados em igual período do ano anterior.Em relação às exportações de junho de 2011, a receita subiu 27,65%.Em volume, as exportações brasileiras de açúcar ficaram em 3,061 milhões de toneladas no mês de julho, o maior volume exportado em 2011 até o momento. O volume é 5,54% superior aos 2,9 milhões de toneladas embarcadas em julho de 2010 e 23% superior às exportações de junho de 2011, que foram de 2,48 milhões de toneladas.
Do total exportado em julho, 2,29 milhões de toneladas foram de açúcar demerara, e 769,7 mil toneladas foram de refinado.
Portos e Navios
Metade das exportadoras perderam participação no mercado externo
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda-feira (1º) uma pesquisa sobre as exportações brasileiras. Segundo a Sondagem Especial, 32% das indústrias que vendem para fora do País diminuíram sua presença contra concorrentes estrangeiros e 16% deixaram de exportar. Apenas 9% das companhias conseguiram aumentar seus embarques em 2010.Em 2011, 24% das empresas exportadoras estimam uma redução do peso das vendas ao exterior em seu faturamento bruto. No ano passado, a participação média dos embarques no faturamento das empresas exportadoras foi de 20%.
Para este ano, a expectativa é que 68% dos exportadores adotem estratégias novas para estimular os embarques para o exterior. Dessas, a principal medida que vem sendo adotada pelas empresas é reduzir custos para ganhar produtividade. De acordo com a CNI, a participação média das vendas externas no faturamento da indústria no ano passado foi 20% e, para este ano, 24% das empresas ouvidas previram queda da participação das exportações no faturameto bruto.
Agência Brasil e Agência Estado
Investimentos diretos brasileiros na Argentina disparam
Os investimentos diretos do Brasil na Argentina dispararam e se diversificaram nos últimos seis anos e a perspectiva é de que eles continuem crescendo em diversos setores industriais, segundo dados reunidos pelo setor comercial da embaixada do Brasil em Buenos Aires.
O crescimento econômico argentino (9% anual), a desvalorização do peso frente ao real (R$ 1 igual a $ 2,6), a possibilidade de escapar das barreiras comerciais, a chance de atender a demanda local e exportar para o Brasil e outros mercados são os motivos que levam empresas brasileiras de diferentes setores a se instalarem na Argentina, segundo economistas, autoridades de governo e empresários do país vizinho ouvidos pela BBC Brasil.
A estimativa de estoque de investimentos globais brasileiros no país vizinho, entre 1997 e o primeiro semestre de 2011, é de US$ 11.189,75 bilhões. Deste total, segundo dados da embaixada, quase US$ 8 bilhões (US$ 7,7 bilhões) foram investidos entre 2005 e 2011. Sendo, por exemplo, 25% correspondentes ao setor industrial, 18,5% ao petróleo e gás e 10,9% a mineração.
Projeção
A projeção de investimentos, não incluídos neste estoque, conta, por exemplo, com a instalação de uma fábrica do Grupo Moura, de baterias, com US$ 30 milhões até 2015, conforme anúncio realizado pela companhia no ano passado.
A empresa Randon, do setor de veículos, também informou em maio deste ano que investirá US$ 8 milhões na ampliação da sua fábrica no país até 2012.
E a Vale prevê investimentos de acima de US$ 4 bilhões no projeto de extração de potássio na província de Mendoza, que envolverá obras também nas províncias de Buenos Aires, Neuquén e de Rio Negro, com a construção de um porto e de uma ferrovia.
As operações da Vale em Mendoza tinham sido suspensas, mas foram retomadas em julho, segundo a assessoria de imprensa do governo de Mendoza. Este promete ser o maior investimento brasileiro já feito na Argentina, superando a compra realizada pela Petrobras da Perez Companc (Pecom) em 2002, com cerca de US$ 2 bilhões.
A Vale pretende vender o produto no mercado interno e no mercado brasileiro, segundo assessores do governo de Mendoza.
'Destino natural'
Na semana passada, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou que a Camargo Correa investirá US$ 75 milhões para ampliar sua fábrica de cimento no país.
"A Camargo Correa bate recorde de produção no país. A Argentina cresceu 10,9% nos primeiros cinco meses deste ano, superando o recorde de 2010 e o cimento tem papel fundamental, ligado ao crescimento e a construção", disse a presidente ao lado de representantes da companhia.
Segundo ela, as empresas "não têm por que temer a Argentina".
Na opinião do economista Bernardo Kosacoff, ex-diretor da Cepal (Comissão Econômica para América Latina), a Argentina é um "destino natural" das empresas brasileiras que podem então exportar para outros mercados e adquirir "know-how" de companhia internacional.
Para ele, outro "fator natural" é a "complementação" desta cadeia industrial.
No caso dos automóveis fabricados na Argentina, por exemplo, eles contam com peças do Brasil e são exportados, quando prontos, para o mercado brasileiro, principalmente.
O economista Diego Giacomini, da consultoria Economia e Regiões, de Buenos Aires, observou que os custos ainda compensam para o investidor que desembarca do Brasil na Argentina.
"Os custos de energia elétrica e de gás no Brasil são seis ou sete vezes maiores do que na Argentina", disse.
Os serviços públicos privatizados passaram a receber subsídios do governo argentino pouco depois que o ex-presidente Nestor Kirchner tomou posse em 2003, reduzindo os custos das empresas e as tarifas para os consumidores.
Giacomini acha, porém, que o Brasil é "mais seguro e confiável" hoje para um investidor, já que "as regras não mudam como na Argentina".
Inflação
O empresário argentino do setor de calçados, Carlos Alberto López, que tem uma fábrica com sócios brasileiros em Buenos Aires, disse que a sociedade foi feita há dois anos, quando outras empresas brasileiras do ramo desembarcaram na Argentina. Mas hoje ele acha que apesar da desvalorização do peso, os custos já não são tão baixos devido ao aumento da inflação no país.
"Assim como meus sócios, outras fábricas de calçados vieram para vender no mercado local e daqui também exportar para o Brasil e outros mercados. Uma forma de escapar das barreiras comerciais argentinas. Mas agora a inflação está tão alta que não compensa tanto como antes", disse.
Outros setores têm aumentado a presença na Argentina, como o têxtil, em áreas de produção de algodão, como observou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Enio Cordeiro, durante entrevista com jornalistas brasileiros.
Neste caso, elas têm procurado principalmente a região norte do país vizinho. Para o embaixador, o comércio bilateral deverá bater este ano o recorde de cerca de US$ 40 bilhões, mesmo quando setores reclamam das barreiras comerciais argentinas e quando exportadores argentinos do setor automotivo se queixam de veículos parados na fronteira brasileira.
BBC BRASIL
Real valorizado favorece importações
Os importadores brasileiros de máquinas estão aproveitando o ambiente de real valorizado e a demanda em crescimento para expandir seus negócios. O grupo Êxito, que importa equipamentos da XCMG no Nordeste, está investindo para montar máquinas da marca chinesa no complexo industrial de Suape (PE). Segundo o presidente da Êxito, José Lacy, os trabalhos de terraplenagem tiveram início em janeiro e a expectativa da empresa é que a fábrica esteja em operação entre agosto e setembro do próximo ano. Serão fabricados em regime de CKD produtos como retroescavadeiras e carregadeiras da XCMG.
"Algumas empresas querem se perpetuar [no mercado brasileiro] e não apenas aproveitar o boom do dólar baixo", afirma Lacy.
O grupo Megga, que passou a atuar na importação de máquinas da chinesa Lonking em dezembro de 2009, está expandindo sua rede de atuação e prepara para até o fim do ano as aberturas de mais duas filiais: em Curitiba (PR) e Belo Horizonte (MG).
Thomas Lee, presidente da Megga, diz que a importação de máquinas provavelmente se tornará o principal negócio do grupo a partir de 2012.
"O governo decidiu prestar atenção à infraestrutura e há muitos projetos atrasados. Apesar disso, a capacidade atual [da indústria brasileira] não é suficiente para atender à demanda e, por isso, existe a necessidade de importar", avalia Lee.
Apesar do otimismo de alguns empresários do setor sobre o futuro da economia do país, o conservadorismo dos investimentos nos primeiros momentos do governo Dilma Rousseff retrata maior cautela nesse momento.
Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema, afirma que as expectativas que apontam para um crescimento de mais de 10% no mercado nacional dos principais equipamentos de construção neste ano poderão não ser cumpridas.
"Nesse setor, a participação do governo é muito importante", diz Daniel. Para ele, o cenário não tem sido positivo para os fabricantes nacionais, ante a crescente entrada de produtos importados.
As atuais estimativas da Sobratema apontam para vendas de 77,82 mil equipamentos de construção neste ano, 10,3% acima do volume de 2010. Apenas na linha amarela, a expectativa é de um crescimento de 9,7%, totalizando 27,35 mil máquinas.
Valor Econômico
Licenças não automáticas não reduzem importação de automóvel
Apesar das licenças não automáticas adotadas pelo governo em maio, as importações de automóveis subiram nos últimos dois meses, alcançando valor recorde. Em julho, as compras de veículos de passageiros do exterior atingiram US$ 1,002 bilhão, 2,6% a mais do que em junho e 12,3% acima de maio. Na comparação com julho do ano passado, houve crescimento de 59,8%. Os dados constam da balança comercial de julho divulgada, há pouco, pelo Ministério do Desenvolvimento. A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, afirmou que o regime de licenciamento serve para monitorar o fluxo de importações e não tem como objetivo melhorar o desempenho da balança comercial.
Ela antecipou que a medida não está sendo retirada e "é útil para avaliarmos o que está acontecendo", permitindo aos técnicos do ministério propor políticas de fortalecimento à indústria automotiva.
Desde que foram implementadas, em 13 de maio, as licenças não automáticas para automóveis provocaram queixas do governo argentino. A Argentina, México, Alemanha e Uruguai são os principais fornecedores de carros para o Brasil. O ministério diz que o licenciamento não visa à Argentina em particular e procura detalhar o fluxo de importações de montadoras asiáticas.
Valor Online
Aliando-se ao ''inimigo'' chinês
Com a sobrevivência de suas empresas cada vez mais ameaçada pela concorrência desleal, e não raro predatória, dos similares vindos da China, empresários brasileiros estão buscando alianças com o "inimigo" chinês. Cresce o número de dirigentes de empresas nacionais que, para reduzir custos e ganhar condições de enfrentar a competição com os importados da Ásia, estão se abastecendo de máquinas e insumos chineses, mais baratos do que os similares produzidos aqui.
E fazem isso com o apoio, e até o estímulo, de entidades empresariais como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que têm criticado duramente as práticas comerciais desleais da China e a ineficácia das medidas eventualmente tomadas pelo governo brasileiro para proteger a produção doméstica.
Em entrevista ao jornal Valor, o presidente da CNI, Robson Andrade, afirmou que o Brasil precisa apressar as medidas para fortalecer a produção industrial, como o aumento da severidade das punições ao dumping e a importações irregulares, sobretudo da China.
Mas a CNI está entre as principais entidades empresariais que vêm organizando caravanas de dirigentes de empresas brasileiras de diversos portes para fazer compras na China, como mostrou o Estado (31/7), em reportagem de Raquel Landim.
Não há contradição entre o que o presidente da CNI diz e o que a entidade faz. Nos dois casos, o que se pretende é assegurar à indústria brasileira condições de enfrentar a concorrência externa cada vez mais acirrada e, no momento, agravada pela desvalorização do dólar, que reduz o preço em reais dos produtos importados.
Também nos dois casos está implícita uma séria advertência ao governo: nas condições atuais, para muitas indústrias é melhor importar do que produzir internamente.
Alguns números mostram o ritmo em que cresce o interesse dos brasileiros por insumos, componentes e máquinas chinesas para baratear os custos operacionais.
De 2009 a 2010, o número de vistos a brasileiros que vão à China para fazer negócios passou de 7.467 para 11.724, um aumento de 57% (os dados referem-se ao período janeiro-outubro de cada ano). Muitos empresários brasileiros, no entanto, viajam à China para negócios, mas com vistos de turista.
Outro dado que sugere o aumento das compras diretas feitas por empresários brasileiros de fornecedores chineses é o número de empresas que pedem registro como importadoras. Neste ano, o País deve ganhar 5 mil novos importadores, um aumento recorde.
Além de empresas comerciais, também as industriais passam a importar para substituir máquinas ou insumos nacionais e compram até mesmo produtos finais, para revender no País, como forma de reduzir custos e aumentar sua margem de lucro, observou o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro.
Em alguns segmentos da indústria, os números são preocupantes. Dos 72 fabricantes de válvulas industriais filiados à Associação Brasileira da Indústria de Máquinas, 80% declararam que 100% do que vendem são produtos importados.
Há seis anos, o índice era de 40%. Não há como produzir internamente em condições de competir com o importado.
O aumento das importações pelas empresas industriais certamente resulta em corte de empregos no Brasil. Os efeitos perniciosos dessas importações sobre o mercado de trabalho da indústria, no entanto, ainda não são nítidos.
O crescimento da produção industrial, ainda que em ritmo menos acelerado do que ano passado, continua a abrir postos de trabalho, o que ajuda a disfarçar o problema.
Mas o crescente interesse dos industriais brasileiros por produtos chineses deixa claro que, se o País não enfrentar a questão da perda de competitividade da economia, os prejuízos econômicos e sociais serão muito maiores e mais duradouros.
O câmbio é um dos responsáveis por essa perda, mas é um problema conjuntural.
Há outros, estruturais, que precisam ser encarados com seriedade pelo governo e pela sociedade, como o alto custo dos tributos, da mão de obra e dos financiamentos para os investimentos.
O Estado de São Paulo
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