SÃO PAULO E A AGREGAÇÃO DE VALOR ÀS EXPORTAÇÕES
Uma expressiva diferença na pauta de exportações entre o Estado de São Paulo e o conjunto do País foi evidenciada em análise realizada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e publicada em junho sob o título O papel estratégico de São Paulo nas exportações brasileiras. De acordo com o estudo, o Estado é o principal responsável pela venda de industrializados e pela diversificação da pauta comercializada com o exterior. Enquanto na balança comercial do Brasil os produtos industrializados (manufaturados e semimanufaturados) equivalem a 51,1% do total dos exportados, em termos de valores, em São Paulo o peso chega a 87,1%.
Para a analista de projetos do Seade, Maria Regina Novaes Marinho, o estudo permite conclusões interessantes sobre a participação paulista no comércio exterior brasileiro. Entre os indicadores apresentados destaca a diferenciação relacionada ao preço por quilo do produto exportado, como fator que possibilita verificar a intensidade tecnológica. Ela explica que as vendas brasileiras ocorrem pela média de 0,40 US$/kg, enquanto São Paulo tem valor médio de 1,60 US$/kg. "Isso porque na pauta exportadora de São Paulo há o peso dos manufaturados que são vendidos pela média de 2,60 US$/kg. Já no caso do Brasil, a média é puxada para baixo em função das commodities e dos produtos básicos", compara.
A intensidade tecnológica também foi analisada pelo Seade a partir da metodologia desenvolvida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que considera quatro categorias (indústrias de alta, média-alta, média-baixa e baixa tecnologia). Nesse critério, a diferença é maior entre São Paulo e Brasil, onde para alta intensidade tecnológica se tem a participação de São Paulo com 15% quando no conjunto Brasil atinge 8,3%.
Outra caracterização relevante, segundo a analista do Seade, diz respeito aos destinos. Entre os dez maiores países de destino das exportações do Brasil e de São Paulo, sete são coincidentes, embora com participações distintas. No topo do ranking das exportações paulistas estão Argentina, Estados Unidos e China, nessa ordem, que é exatamente inversa às posições que ocupam no conjunto Brasil.
O estudo também traça um comparativo entre as exportações paulistas nos anos de 1999 e 2012 (período em que houve um sistema de livre flutuação cambial e mudança na inserção internacional), pelo qual se observa crescimento real de 145,5%. No mesmo período, as exportações brasileiras aumentaram 266,7% impulsionadas pelas commodities, então favorecidas pelo ambiente externo.
Entre os países que ganharam participação como destinos das exportações, a China foi o mais relevante. Da 35ª posição, em 1999, passou à 3ª, em 2012. De acordo com Maria Regina, é importante observar que, em 1999, os Estados Unidos pesavam 24,5% na pauta exportadora e, em 2012, registraram 12,8%. Queda também pode ser verificada em relação à Argentina (de 16,4% para 13,6%). Se houve perda nesses mercados, por outro lado, pode ser vista maior diversificação nos destinos, com destaque para Venezuela, Colômbia e Peru, que obtiveram ganhos expressivos, "reforçando a vocação paulista para atuar como possível centro manufatureiro da América Latina", conclui a analista.
As exportações paulistas representam 24,5% do total das brasileiras e na sua pauta destacam-se os açúcares e os aviões, com participações respectivas de 12,5% e 7,7% do total. Álcool etílico, automóveis, sucos e equipamentos pesados para obras estão na lista dos principais produtos comercializados com o exterior pelo Estado. (AC)

Fonte: Aduaneiras
http://www.aduaneiras.com.br/noticias/noticias/noticias_texto.asp?acesso=2&ID=24613503
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