LEGISLAÇÃO

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Projeto de rota para ligar Brasil ao Pacífico pode ser incluído no PAC


Projeto de rota para ligar Brasil ao Pacífico pode ser incluído no PAC

Rodrigo Baptista




Porto de Iquique é estratégico por causa de sua capacidade, afirma prefeito chileno


A implantação definitiva da chamada Rota Bioceânica, para interligar o Oceano Atlântico ao Pacífico, sonho antigo dos integrantes do agronegócio brasileiro e de prefeitos e governadores do Centro-Oeste, pode ser incluída na próxima edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 3). O anúncio foi feito pelo líder do governo no Congresso, José Pimentel (PT-CE), durante audiência pública promovida nesta quarta-feira (6) pela Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado (CI).


O corredor viário que vai unir o Atlântico ao Pacífico - possivelmente do porto brasileiro de Santos ao porto de Iquique (no Chile) passando pela Bolívia – deverá facilitar o escoamento da produção brasileira para o mercado Asiático, especialmente para a China.. Os defensores da iniciativa acreditam ainda que ajudará a integrar o continente sul-americano beneficiando outros países como Argentina, Paraguai e Bolívia.


- Esse projeto é muito importante, o governo já vem discutindo, e esperamos que no PAC 3, que o Brasil vai aprovar com a participação do Congresso Nacional, essa logística, esse planejamento, possa ser incluído – disse Pimentel, lembrando que a próxima edição do PAC está em elaboração.


Pimentel também defendeu o diálogo com os países vizinhos e o envolvimento da iniciativa privada para garantir a conclusão do empreendimento.


Para o senador Ruben Figueiró (PSDB-MS), que presidiu o debate, a questão é urgente. Ele destacou que a interligação das rotas entre os dois oceanos vai reduzir os custos para produtores dos países sul-americanos, facilitando a inserção de seus produtos no mercado internacional.


- Não podemos esperar mais. Há uma necessidade premente dessa interligação para os interesses econômicos e sociais do Brasil, como também nossos irmãos da Argentina, do Paraguai, da Bolívia e do Chile – disse o parlamentar.


Projeto


O projeto de interligação dos oceanos foi apresentado pelo prefeito da cidade chilena de Iquique, Jorge Soria Quiroga. Durante a audiência, o prefeito mostrou mapas com os corredores rodoviários e ferroviários prontos e os trechos que ainda precisam ser terminados.


Entre outras obras, falta concluir um trecho rodoviário de 470 quilômetros entre Villamontes na Bolívia e Hito 60, na fronteira do Chile e da Bolívia. Duas pontes sobre o rio Apa, que divide o Paraguai com Mato Grosso do Sul, são outras obras consideradas importantes.


Segundo ele, o porto de Iquique é estratégico porque tem a capacidade de receber navios de 8 mil TEUs (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés). O objetivo é ampliar o porto para receber navios de 18 mil TEUs, garantindo as exportações para vários outros mercados .


- Temos que ser capazes de contar com os melhores preços para os nossos produtos em todos os cantos do planeta. Esses acessos a ambos os oceanos irão nos permitir a realização desse grande projeto – afirmou o prefeito chileno.


Rotas alternativas


O caminho a ser seguido não é consensual. Há projetos de rodovias e ferrovias passando pela Bolívia ou pelo Paraguai e Argentina, por exemplo, para chegar ao Chile. Há também a possibilidade de acesso ao Pacífico pelo Peru. De acordo com o prefeito de Porto Murtinho (MS), Heitor Miranda dos Santos, o município se apresenta como a saída mais vantajosa. Entre Porto Murtinho e Iquique, passando pela Bolívia, não existe nenhum acidente geográfico difícil de superar, segundo o prefeito.


- Essa rodovia pelo sul da Bolívia, alcançando o porto de Iquique, passaria por um altiplano, uma região suave. Penso que a grande produção da região [Centro-Oeste] saindo por Porto Murtinho seguiria pelo ponto mais curto no mapa brasileiro para ligar o Atlântico ao Pacífico – disse.


Para João Carlos Parkinson de Castro, coordenador-geral de Assuntos Econômicos da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores (MRE), o mais importante é buscar a melhor alternativa no menor prazo possível. Segundo ele, a vantagem de passar pela Argentina é que a infraestrutura está praticamente pronta e o caminho a ser pavimentado é menor. Pela Bolívia, a rota é mais curta e menos acidentada, mas existem mais barreiras burocráticas.


- O importante é que as soluções que sejam dadas sejam rápidas. O agricultor brasileiro não pode mais ser apenado – apontou.


João Batista Lopes Filho, assessor da Secretaria de Obras do Estado de Mato Grosso do Sul, afirmou que a nova alternativa para o escoamento da produção vai ser importante também para desafogar os portos brasileiros e superar o déficit de armazenagem de grãos. O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) apontou uma possível resistência dos portos de Santos e Paranaguá ao projeto.


- É uma decisão política. É claro que outra alternativa esbarra na influência de gente que vai perder carga. Mas eu não vejo assim. Nossos portos estão sobrecarregados, nossas rodovias não suportam mais a quantidade de carretas – argumentou.


Agência Senado

http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/08/06/projeto-de-rota-para-ligar-brasil-ao-pacifico-pode-ser-incluido-no-pac

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