LEGISLAÇÃO

Tuesday, December 22, 2015

Avicultura supera ano de incertezas com lições da crise de 2012


Avicultura supera ano de incertezas com lições da crise de 2012

Alta no preço dos grãos e no custo da energia remonta cenário crítico de três anos atrás, mas experiência garante equilíbrio e sustentabilidade à cadeia produtiva do frango


O setor avícola chega ao final deste ano tão pressionado pelos custos de produção quanto em 2012, ano em que a avicultura enfrentou um de seus piores momentos. A crise de três anos atrás, no entanto, deixou lições importantes, baseadas em prudência e planejamento. O aprendizado garantiu à cadeia da carne de frango equilíbrio para seguir crescendo mesmo em um ano instável como 2015. A constatação é da Expedição Avicultura, projeto técnico-jornalístico que traçou novo diagnóstico da cadeia produtiva do frango no Sul do Brasil.


A equipe de trabalho percorreu mais de 5 mil quilômetros em roteiros pelo Paraná e Santa Catarina e, pela primeira vez, visitou também o Rio Grande do Sul. Juntos, os três são responsáveis por 63% da produção avícola brasileira e controlam 75% das exportações. Em 2015, apesar da instabilidade econômica, a região Sul conseguiu manter os índices de abate e cresceu em exportação, enviando 9,31% mais carne de frango para outros países, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).


“Embora tenha enfrentado um cenário negativo, a atividade se portou muito bem. A avicultura no Paraná e no Brasil é muito séria, muito técnica e muito inteligente. É uma atividade que efetivamente trabalha com planejamento de curto e médio prazo. Ficamos de olho na economia como um todo”, aponta o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins.


Para a Expedição Avicultura, o aprendizado tem raízes na crise de 2012. Naquele ano, a disparada dos preços internacionais da soja e do milho usados na fabricação de ração para as aves afetou fortemente o setor produtivo. Este ano, segundo apuração da equipe de técnicos e jornalistas, os custos com energia – seja elétrica na indústria, a diesel para o transporte ou ainda a lenha para os aviários – e a variação cambial construíram cenário semelhante ao de três anos atrás.


“Tanto o produtor quanto a indústria dizem que nunca se gastou tanto para produzir um frango como neste ano. Talvez o setor esteja sendo pressionado em custos tanto quanto, ou até mais que em 2012. Mas como a cadeia produtiva está ajustada e conseguiu distribuir bem os mercados e não derrubar os preços, está conseguindo se manter equilibrada e seguir crescendo”, explica analisa o integrante da Expedição Avicultura, Igor Castanho.


A valorização do dólar frente ao real inflacionou o preço dos insumos, mas também favoreceu as exportações e tornou a carne de frango brasileira mais atrativa para compradores internacionais. O que difere 2015 de 2012, de acordo com o diagnóstico da Expedição Avicultura, é a capacidade de regular a proporção da oferta entre o mercado interno e o externo ou a habilidade de se adaptar à movimentação do mercado.


“O setor aproveitou os momentos favoráveis para ampliar a capacidade de abate e aprendeu que não adianta aumentar a oferta desenfreadamente. Quem fala em ampliar a produção hoje, adota um discurso cauteloso, de só expandir com mercado aberto ou para atender um nicho em potencial”, analisa Castanho.


Perfil Avícola


Após percorrer o Paraná, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, o projeto conseguiu traçar o perfil produtivo de cada região. Responsáveis por 32% dos abates de aves do país, os avicultores paranaenses são, em sua maioria, grandes empresários rurais. “As áreas são um pouco maiores do que nos outros dois estados e o proprietário da granja nem sempre acompanha a evolução diária das aves”, explicou Castanho. O Paraná se destaca ainda pelo alto índice tecnológico, com ampla utilização de aviários em sistema dark house e controle total de ambiência para as aves.


Em Santa Catarina, segundo colocado em volume de produção (17%), e no Rio Grande do Sul, que detém 14% da participação nacional, a realidade é outra. De acordo com a equipe da Expedição Avicultura, as áreas são menores, muitas delas têm menos de 10 hectares, e a maior parte tem a avicultura como principal fonte de renda. “O produtor mora na propriedade e, às vezes, tira o sustento da família inteira da granja e de outras pequenas culturas. Se não consegue investir tanto em tecnologia, o avicultor desses estados compensa com o manejo, tendo uma proximidade diária junto às aves”, ilustrou.


Fonte: Gazeta do Povo

http://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/granjeiros/166339-avicultura-supera-ano-de-incertezas-com-licoes-da-crise-de-2012.html#.VnNNILYrLIU

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